Primeiro de uma série de três medicamentos de última geração para tratar a doença é aprovado no País, aumentando as chances de cura
Mônica Tarantino (monica@istoe.com.br)
Estima-se que
pelo menos 1,7 milhão de brasileiros convivam com um dos três tipos do
vírus HCV, causador da hepatite C. A maioria não sabe até apresentar
sintomas da doença, que evolui silenciosamente até destruir o fígado e é
a principal causa de transplantes do órgão. Na semana passada, a
aprovação do antiviral daclatasvir pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) aumentou as chances de cura de boa parte dessas
pessoas. Trata-se do primeiro de uma série de três remédios orais de
última geração para o tratamento da infecção a ser aprovado no País. Os
outros dois – o sofosbuvir e o simeprevir – tramitam em regime de
prioridade na agência desde o ano passado. Sua aprovação também estava
prevista para o último trimestre de 2014, mas agora é esperada para
junho ou julho. “Até lá, certamente haverá um aumento das ações
judiciais para obter esses medicamentos”, diz a advogada Rosana
Chiavassa, especialista em direitos na área da saúde, de São Paulo.
A introdução do daclatasvir muda a face do
tratamento. “Seu uso em associação com outros antivirais é a terapia
mais avançada disponível contra a doença e já vem sendo adotada em
países como a Inglaterra e os Estados Unidos”, diz o médico Guilherme
Felga, especialista em doenças do fígado do setor de transplantes do
Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Estudos indicam que o
remédio é mais eficiente para os tipos 1 e 3 do vírus HCV.
Transplantados e pacientes graves estão entre os principais
beneficiados. “Suas chances de cura sobem de menos de 30% para 60%”, diz
Felga.
Para o infectologista Ésper Kallás, da
Universidade de São Paulo, o remédio irá melhorar a adesão ao
tratamento. “Cerca de 80% dos pacientes tratados com interferon sofrem
com os efeitos colaterais e até 15% precisam interromper a terapia. Os
novos antivirais têm menos efeitos colaterais e reduzem o tempo de
tratamento”, diz o médico. Os esquemas terapêuticos disponíveis no SUS
com interferon peguilado duram até 48 meses. Em associação com outros
remédios, o daclastavir reduz o tempo de tratamento para 12 a 24
semanas, conforme as características do paciente e do vírus.
A expectativa dos médicos e pacientes é de
que a substância seja incorporada logo ao SUS. Antes, porém, precisa
obter o aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias
(Conitec). No mundo, há mais de 30 medicamentos em fase adiantada de
estudo contra a doença. Um deles, uma cápsula que concentra três
antivirais, foi aprovado para uso nos Estados Unidos na semana passada.
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