Estudo internacional mostra que métodos como ioga e acupuntura são eficientes contra a doença. Saiba em que caso eles podem ser mais úteis
Mônica Tarantino (monica@istoe.com.br)
Oito em cada
dez mulheres com câncer de mama se valem de técnicas como a acupuntura, a
ioga e a meditação para aliviar os efeitos colaterais das medicações,
da radioterapia e da quimioterapia. Em muitos casos, porém, a utilização
desses métodos acontece de forma aleatória, sem bases mais consistentes
sobre sua real eficácia. Agora, a entidade Sociedade para a Oncologia
Integrativa lançou um conjunto de orientações sobre o que realmente
funciona. O guia foi publicado pela revista “Journal of the National
Cancer Institute Monographs”. “O objetivo é proporcionar aos pacientes e
seus prestadores de serviços um resumo das provas sobre essas terapias
para que tomem decisões informadas”, disse à ISTOÉ a epidemiologista
Heather Greenlee, da Universidade de Colúmbia (EUA), responsável pelo
trabalho.
ACESSO
Regina (acima) se beneficiou com a ioga. Luciana lamenta a
falta de oferta das técnicas em mais hospitais brasileiros
Para chegar às evidências, os especialistas
executaram a maior revisão de estudos científicos já feita sobre o
tema. Primeiramente, selecionaram 4,9 mil pesquisas que versavam sobre
cerca de 80 terapias. Após uma triagem para avaliar a qualidade dos
estudos, sobraram 203 pesquisas. O passo seguinte foi atribuir letras
para indicar o grau de certeza oferecido pelos estudos quanto à eficácia
das terapias. As que receberam classificação “A” são as que mostraram
um alto nível de certeza de que o benefício à paciente é substancial
(leia mais no quadro). A partir da letra D, estão excluídas do cardápio
de opções. O gel de aloe vera, por exemplo, obteve grau D. Portanto, não
é recomendado para tratar a irritação da pele causada pela
radioterapia.
O médico Gilberto Lopes, criador do centro
de oncologia do Hospital do Coração, em São Paulo, espera que as
diretrizes ajudem a disseminar o conhecimento sobre esses recursos. “Os
profissionais da saúde precisam ser formados para ampliar a utilização
dessas práticas de modo correto”, diz. Lopes costuma indicar alguns dos
métodos complementares às suas pacientes. Se nos EUA ou no Canadá essas
terapias estão inseridas em hospitais como o Memorial Sloan Kettereting
Center ou o MD Anderson, o mesmo não ocorre no Brasil. “De modo geral,
aqui elas estão disponíveis apenas em alguns centros de excelência”, diz
a psicóloga Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia. Outro
empecilho é que os planos de saúde não pagam por esse tipo de serviço.
“Mas, diante de evidências concretas de que funcionam, será necessário
incluí-las nos procedimentos pagos”, diz Luciana.
Em São Paulo, somente hospitais de primeira
linha da rede privada, como o Sírio Libanês e o Albert Einstein,
criaram serviços de medicina complementar. O Instituto do Câncer de São
Paulo (Icesp), da rede pública, também tem uma área específica. “São
terapias que não tratam o tumor, mas melhoram as condições emocionais e
psicológicas da paciente”, diz o oncologista Paulo Hoff, que está à
frente do atendimento oncológico do Sírio Libanês e do Icesp. A
psico-oncologista Regina Liberato provou a diferença que a medicina
complementar pode fazer. Depois de tratar pacientes com tumor de mama,
ela se descobriu portadora da doença. Incorporou no dia a dia com mais
rigor a prática da ioga e da meditação. “Associar as terapias
integrativas ao modelo tradicional do tratamento permite um olhar
abrangente para um organismo que precisa ser atendido de muitas formas.
Faz muito bem”, diz.
Foto: Kelsen Fernandes, Rafael Hupsel - Ag. Istoé
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