Esse
medicamento, além de ser oral, possui a mesma eficácia dos chamados
tratamentos biológicos – e causaria menos efeitos colaterais
Por
Maria Tereza Santos
Medicamento que já era comercializado no Brasil desde 2015 será disponibilizado na rede pública (Foto: GI/Getty Images)
A Pfizer anunciou a chegada de um novo remédio para artrite reumatoide
na rede pública de saúde brasileira – o citrato de tofacitinibe. Agora
gratuito, o tratamento é feito via oral e tem a mesma eficácia dos
chamados medicamentos biológicos, que revolucionaram o tratamento dessa doença no passado.
Em 2017, o Ministério da Saúde já havia informado que disponibilizaria o tal citrato de tofacitinibe
no Sistema Único de Saúde (SUS) – ele era comercializado no setor
privado desde 2015. Porém, apenas agora, no início de 2019, o fármaco de
fato será distribuído aos pacientes da rede pública.
O medicamento produzido pela Pfizer trabalha bloqueando a janus
quinase, uma partícula proteica. Ela é quem estimula a produção da
citocina – molécula responsável pela inflamação nas articulações que caracteriza a artrite reumatoide.
Avanço no combate à doença
O tratamento para a artrite reumatoide é individualizado. Atualmente,
quando alguém é diagnosticado com a chateação, são receitados
comprimidos conhecidos pela sigla DMARD (medicamentos modificadores do
curso da doença). O metotrexato é o mais comum.
Se essa primeira opção não funciona direito, os reumatologistas
partem para os biológicos injetáveis. Apesar de bastante eficazes, são
caros e causam efeitos colaterais consideráveis em certas situações.
É por isso que o lançamento do citrato de tofacitinibe representa um
avanço: ele é efetivo como os biológicos, mas provocaria menos reações
adversas. E há ainda a comodidade de ser oral.
“Essas características certamente podem contribuir para a adesão ao
tratamento e melhora da qualidade de vida”, afirma a diretora médica da
Pfizer, Márjori Dulcine, em comunicado à imprensa.
O sorotipo 2 do vírus está se espalhando pelo estado de SP e pode aumentar o risco de casos graves de dengue. Saiba o que fazer
Por
Camila Maciel (Agência Brasil)
A doença transmitida pelo Aedes aegypti está preocupando as autoridades de São Paulo. (Foto: Divulgação/SAÚDE é Vital)
A circulação do sorotipo 2 da dengue em 19 cidades foi detectado em São Paulo e colocou o estado em alerta.
Desde 2016, apenas o sorotipo 1 trafegava nos municípios paulistas.
Pessoas infectadas por subtipos diferentes em um período de seis meses a
três anos podem ter uma evolução para formas mais grave da doença.
De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de
dengue até o dia 15 de janeiro. Em 2018, foram 888 episódios ao longo do
mês inteiro.
“Apesar de não ser ainda a maioria dos casos, a dengue tipo 2 está
circulando já de maneira mais consistente nos municípios da região de
Araçatuba, São José do Rio Preto e um pouco em Ribeirão Preto”, disse o
infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.
Dos 645 municípios paulistas, o sorotipo 2 foi detectado em
Andradina, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Catanduva, Espírito
Santo do Pinhal, Indiaporã, Ipiguá, Itajobi, Mirassol, Pereira Barreto,
Piracicaba, Pirangi, Ribeirão Preto, Santo Antônio de Posse, São José do
Rio Preto, Uchoa e Vista Alegre do Alto. Boulos afirmou também que a dengue tipo 2 não é “especialmente pior”.
O risco está relacionado, na verdade, à superposição de vírus (ou à
segunda infecção). “Estava circulando o tipo 1 até agora, e quando
aparece um novo sorotipo do vírus, pode ser 2, 3 ou 4, aí pode ter uma
evolução mais grave entre quem já teve dengue 1”, explicou.
O infectologista esclareceu que não é mais utilizada a nomenclatura dengue hemorrágica, pois nem todos os casos críticos de dengue evoluem com hemorragia.
Segundo Boulos, as equipes de saúde das cidades em que a circulação
do tipo 2 foi identificada estão sendo orientadas a dar uma assistência
mais cuidadosa aos pacientes com suspeita da doença. “No ano passado,
quando só circulava o tipo 1, se o paciente estava bem, se tomava
líquido pela boca, nós mandávamos para casa e, se tivesse alguma coisa,
ele voltaria”, introduziu. ” Hoje, para liberá-lo, eu preciso de
convicção. Talvez deixá-lo mais tempo no hospital para acompanhar a
evolução seja bom”, explicou.
O infectologista contou que não há uma explicação para o início da
disseminação do novo sorotipo. “É aleatório. Esses vírus circulam no
mundo todo. Quando há a presença do Aedes aegypti, que é o nosso caso, se vem uma pessoa que está com dengue 2 ou 3 e é picada pelo vetor, pode replicar esse vírus”, salientou.
A melhor forma de prevenção, portanto, independentemente do sorotipo, é evitar a proliferação do mosquito.
De acordo com Boulos, há quatro sorotipos de dengue, sendo que três
circulam no Brasil. Em São Paulo, circulam o 1 e o 2. “Houve uma
detecção do tipo 3 agora na região de Araçatuba, mas é um caso só. Se
for causar problema, é daqui 2 ou 3 anos, agora não”, concluiu.
Este conteúdo foi produzido pela Agência Brasil.
Este vídeo retirado da conta
oficial do Twitter do presidente brasileiro Jair Bolsonaro mostra-lo
antes de passar por uma cirurgia para remover a bolsa de colostomia que
foi colocada após o ataque que sofreu em setembro, em São Paulo, Brasil,
em 27 de janeiro de 2019. - Jair Bolsonaro's official Twitter
account/AFP
Estadão Conteúdo
No primeiro boletim médico divulgado pelo Hospital Albert Einstein
após o encerramento da cirurgia para retirada da bolsa de colostomia, a
equipe médica informa que o presidente Jair Bolsonaro “encontra-se
clinicamente estável, consciente, sem dor”. O documento foi divulgado às
17h desta segunda-feira, 28.
A cirurgia, de 7 horas de duração, “ocorreu sem intercorrências e sem
necessidade de transfusão de sangue”. Bolsonaro está internado na
Unidade de Terapia Intensiva, recebendo medicações para evitar infecção e
trombose venosa, segundo a equipe composta pelo cirurgião Dr. Antônio
Luiz Macedo, clínico e cardiologista Dr. Leandro Echenique e o Diretor
Superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Miguel
Cendoroglo.
No momento, o general Hamilton Mourão assume interinamente a
presidência da República. Bolsonaro deve voltar às atividades em dois
dias. Ele está acompanhado da primeira-dama, Michelle, além dos filhos
Eduardo, Flávio e Renan, assim como assessores.
Descoberta da Fiocruz comprova que vetor da dengue, zika e chikungunya é risco para a população durante o verão calorento
Por
FRANCISCO EDSON ALVES
Laboratório da Fiocruz: destaque em vários estudos sobre o Aedes - FOTOS DE Divulgação/Fiocruz
Rio - Antes conhecido
apenas por seus ataques diurnos, o Aedes aegypti — vetor da dengue, zika
e chikungunya — também ataca à noite, se a temperatura ambiente estiver
alta. A descoberta inédita é de pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz
(IOC/Fiocruz), que concluíram uma pesquisa sobre o assunto. Pelo
estudo, que durou nove anos e envolveu seis cientistas, comprovou-se que
os mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus (o popular
pernilongo ou muriçoca) apresentam reações diferentes aos estímulos de
luz e calor, fatores fundamentais na regulação do relógio biológico dos
seres vivos. Enquanto o Culex guia seus ciclos de atividade e repouso
principalmente pelas variações de luminosidade, o Aedes sofre maior
influência da temperatura.
"Ao contrário do que se pensava, o Aedes — que se
alimenta e coloca preferencialmente seus ovos durante o dia, enquanto
usa a parte da noite para repousar — pode estender suas atividades
noturnas, caso haja elevação da temperatura. Ou seja, num país em que
noites são quase tão quentes quanto os dias, especialmente em regiões
como o Sudeste, as possibilidades de transmissão das doenças no período
noturno se potencializam", adverte a pesquisadora Rafaela Vieira Bruno,
chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC e
coordenadora do estudo.
O resultado do trabalho, único do tipo no mundo, acabou
de ser publicado na revista científica 'Journal of Biological Rhythms'.
De acordo com especialistas, o achado pode ter impacto significativo em
dados sobre a disseminação das doenças, uma vez que os padrões de
locomoção interferem em aspectos importantes da biologia dos insetos,
incluindo metabolismo, gasto energético, bem-estar e eficiência para
transmissão de patógenos.
Em quase uma década, os observadores simularam
diferentes condições de luz e calor. "Observamos que o Culex, a exemplo
de outros insetos, mantém seu padrão noturno de locomoção,
independentemente das mudanças de temperatura. Por outro lado, o Aedes
troca o dia pela noite, quando confrontado com um dia frio e uma noite
quente", detalha a bióloga.
A pesquisa contou com a colaboração dos laboratórios de
Biologia Molecular de Insetos, de Mosquitos Transmissores de
Hematozoários e de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do IOC,
além do Instituto de Biologia do Exército (Ibex) e do Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia em Entomologia Molecular (INCT-EM).
Ritmos diários
Todos os seres vivos contam com mecanismos para ajustar
seus comportamentos aos ciclos diários. A alternância entre vigília e
sono é o exemplo clássico do ritmo circadiano (período completo de 24h),
mas diversos outros comportamentos são regulados pelo relógio
biológico. Nos mosquitos, os mais importantes são atividade locomotora,
reprodução, busca pelo criadouro, postura de ovos e busca pelo
hospedeiro — ou seja, fonte de sangue para alimentação.
Esses comportamentos são orientados por moléculas
conhecidas como genes de relógio, que atuam no cérebro e nos tecidos dos
insetos. "O relógio biológico é ajustado pelas condições ambientais. Os
ciclos de claro e escuro e de temperatura são, geralmente, os fatores
mais importantes para regular os genes de relógio. Na presença das
variações ambientais, os ritmos circadianos são sincronizados", diz
Rafaela.
Em uma incubadora, os insetos foram submetidos a
condições variadas de luz e calor. A locomoção foi monitorada por
sensores de infravermelho.
Teste nos mosquitos misturou situações de luz
Para investigar estímulos de comportamento dos
mosquitos, os pesquisadores utilizaram condições conflitantes de luz e
calor. Em ciclos de claridade a 20ºC e escuridão a 30ºC, o Aedes ajustou
seu relógio biológico pela temperatura e passou a se movimentar mais
durante a noite.
A chikungunya e a febre amarela apresentaram um aumento
substancial em 2018 no estado do Rio. Em comparação a 2017, os casos de
chikungunya foram 770% maiores, e podem até chegar ao nível epidêmico
ainda neste verão. Já a febre amarela, que era tida como erradicada no
país, cresceu 870% nos municípios fluminenses. Sua alta letalidade (30%
dos pacientes) preocupa. A dengue, por sua vez, matou de 400 a 2 mil
pessoas em 2018, segundo dados da Superintendência de Vigilância em
Saúde.
"Cerca de 80% dos focos do mosquito estão nas casas. Ou
seja, a redução de doenças está nas mãos de cada morador. Não há melhor
solução ainda do que eliminar recipientes com água parada", insiste o
infectologista da Fiocruz, Rivaldo Venâncio.
Este mês também, pesquisadores da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciaram a criação de uma armadilha para o
Aedes. Trata-se de uma caixa com lâmpadas de LED nas cores azul, amarela
e verde, que atraem e matam as fêmeas do mosquito.
O fármaco
teria ação antidepressiva potente até em casos que não respondem ao
tratamento normal. E seria o primeiro psicodélico contra doenças
psiquiátricas
Por
Ricardo Zorzetto (Agência Fapesp)
Um possível novo tratamento para a
depressão que resiste a remédio pode ser aprovado em breve (Ilustração:
Pedro Hamdan/SAÚDE é Vital)
Em setembro de 2018, a farmacêutica Janssen
apresentou à agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados
Unidos (FDA, na sigla em inglês) um pedido de registro de uso novo para
uma medicação antiga. O laboratório solicitou que o anestésico cetamina, sintetizado nos anos 1960, possa ser empregado contra a depressão que não cede aos antidepressivos, chamada de refratária ao tratamento (ou depressão resistente).
Nos últimos 20 anos, um número crescente de estudos sugere que, em
doses baixas, a cetamina tem ação antidepressiva potente e rápida. No
entanto, de fato a maior parte desses experimentos foi conduzida com
poucas pessoas e por um período curto.
De qualquer jeito, uma única aplicação de cetaminada, injetada no
músculo ou na corrente sanguínea, seria capaz de reduzir de modo
significativo e relativamente duradouro (cerca de uma semana) a
tristeza, a desesperança, a falta de motivação, a baixa autoestima e até
os pensamentos suicidas que às vezes acompanham a depressão severa.
“Em doses de dez a 20 vezes inferiores às usadas na anestesia, a
cetamina é um medicamento que ajuda a tirar a pessoa do fundo do poço”,
afirma o psiquiatra Acioly Lacerda, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), um dos pioneiros no uso experimental da droga contra a depressão no Brasil.
Um dos problemas de saúde mental mais frequentes no mundo, a depressão atinge 300 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde. Pior: até metade não melhora com os antidepressivos disponíveis.
De olho nesse mercado, a Janssen desenvolveu uma versão da cetamina de aplicação mais simples para indivíduos com depressão. Trata-se deum spray nasal que deverá ser administrado sob supervisão médica.
Caso seja aprovada pela FDA, a cetamina inalável deve se tornar o
primeiro composto da classe dos psicodélicos, que alteram a percepção da
realidade, a ser adotado no tratamento de doenças psiquiátricas com
respaldo de uma autoridade sanitária. Recentemente, tem crescido o interesse de profissionais de saúde mental no uso terapêutico de psicodélicos, muitos em estágio inicial de testes.
O produto da Janssen está em avaliações avançadas em seres humanos:
os ensaios clínicos de fase 3, que medem a eficácia do produto, última
etapa antes da liberação para comercialização.
Em maio, o grupo coordenado pela psiquiatra Carla Canuso, diretora de
desenvolvimento clínico da Johnson & Johnson – empresa que comanda a
Janssen –, publicou um artigo online no American Journal of Psychiatry em que mostra os resultados de uma etapa anterior, os ensaios de fase 2.
Realizado com pesquisadores da Universidade Yale,
nos Estados Unidos, o estudo avaliou a segurança e deu indícios da
possível eficácia do spray. Nele, 68 voluntários com depressão
refratária e risco iminente de suicídio
foram aleatoriamente indicados para receber duas doses semanais de
cetamina intranasal por quatro semanas ou de um composto inócuo
(placebo). Os dois grupos também foram tratados com um antidepressivo
convencional. Segundo o trabalho, quem recebeu cetamina melhorou mais
rápido, até o 11º dia dos testes.
Resultados preliminares de dois ensaios clínicos de fase 3, dos quais
participam centenas de pessoas em 60 clínicas e hospitais de diversos
países, inclusive do Brasil, foram apresentados em maio no encontro
anual da Associação Americana de Psiquiatria e reforçam os achados
anteriores.
“Se a resposta da cetamina intranasal continuar superior à do placebo
nos estudos que estão terminando, a aprovação da FDA pode vir em até um
ano”, diz o psiquiatra Lucas Quarantini, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que, como Lacerda, participa dos testes do medicamento da Janssen.
A cetamina já vem sendo usada contra a depressão
Mesmo sem aprovação das autoridades de saúde, já ocorre nos Estados
Unidos, e mais recentemente no Reino Unido e no Brasil, a prescrição de
cetamina injetável contra a depressão refratária. Nesses países, o
composto está registrado apenas como anestésico.
Seu uso psiquiátrico não consta da bula e é considerado excepcional (ou off-label).
Por essa razão, a indicação da cetamina injetável contra a depressão
ocorre por conta e risco do médico, que só deve recomendá-la se os
benefícios para o paciente superarem os riscos.
Entre possíveis reações adversas há o risco de dependência e uma elevação temporária da pressão arterial. “O uso off-label é de responsabilidade de cada profissional”, informou a assessoria de comunicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula a venda de medicações no Brasil.
No país, a única empresa produtora de cetamina, o laboratório
Cristália, entrou há cerca de oito meses com um pedido na Anvisa para
que o tratamento da depressão passe a constar em bula. “Reunimos os
estudos mostrando a segurança e eficácia do produto contra a depressão e
estamos aguardando”, conta o médico Ogari Pacheco, cofundador do
Cristália. Isso, claro, vale para a versão injetável – e não a em spray,
da Janssen.
A aprovação pela autoridade sanitária daria respaldo aos médicos, que
correm o risco de sofrer ações judiciais. Também representaria um passo
inicial para que se torne possível pedir ao Ministério da Saúde a
inclusão da cetamina, um remédio barato (a dose custa entre R$ 5 e R$
10), na lista de medicamentos e procedimentos oferecidos pelo Sistema
Único de Saúde (SUS) e pelos planos de saúde.
Hoje, clínicas e hospitais públicos que tratam depressão com cetamina
dependem do setor de anestesiologia para fazer a compra. Na iniciativa
privada, é preciso ter alvará para a aplicação de fármacos injetáveis,
além de equipamentos para monitoração cardiorrespiratória e
ressuscitação.
Nesses locais, cada aplicação sai por R$ 600 a R$ 1 200 por causa da
infraestrutura exigida e do custo da hora das equipes médica e de
enfermagem.
Lacerda calcula que cerca de 20 clínicas e hospitais brasileiros (ao
menos seis ligados a universidades públicas) já ofereçam o tratamento
com cetamina para a depressão. Na Unifesp, ele coordena uma equipe que
atua em dois ambulatórios que funcionam todas as manhãs de segunda a
sexta-feira e atendem apenas pacientes do SUS.
Nas duas unidades, dez pessoas são tratadas com cetamina por dia. “Em
quatro anos, esse consórcio já realizou cerca de 6 mil aplicações de
cetamina em aproximadamente 1 200 indivíduos”, conta. “Entre 60% e 65%
deles apresentaram melhora considerável”, afirma o pesquisador.
“Há razão para ser otimista com o impacto da cetamina na sobrecarga
que a depressão gera na saúde pública”, afirmou o psiquiatra americano
John Krystal, professor da Universidade Yale, em entrevista a Revista Pesquisa Fapesp. “Nunca houve um medicamento que agisse de maneira tão rápida, eficiente e persistente.”
Krystal foi um dos pioneiros no uso da cetamina para tratar problemas
psiquiátricos e hoje detém uma parte das patentes licenciadas pela
Janssen para administração intranasal e seu uso para impulsos suicidas.
Em meados dos anos 1990, ele começou a investigar o efeito de doses
baixas do anestésico sobre o humor e, em 2000, publicou a primeira
evidência de que ele produzia um efeito antidepressivo rápido em
humanos.
Este conteúdo foi produzido pela Agência Fapesp
Estudo revela que sofrimento emocional constante estaria relacionado a uma demência no futuro
Por
Maria Tereza Santos
Sentir ansiedade, cansaço e estresse
constantemente aumenta risco de desenvolver Alzheimer, segundo
estudo (Ilustração: Daniel Almeida/SAÚDE é Vital)
Um estudo feito pela Universidade de Copenhague, em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa para o Ambiente de Trabalho e o Centro Dinamarquês de Pesquisa sobre Demências, constatou que problemas como ansiedade, estresse e cansaço podem aumentar em até 40% o risco de doenças neurológicas como o Alzheimer.
O sofrimento emocional descrito na pesquisa se refere a um estado conjunto de ansiedade, depressão
e irritabilidade. A exposição em excesso aos fatores que desencadeiam
essas reações provoca a chamada exaustão vital, condição na qual o
paciente experimenta as sensações de fadiga, desânimo e estresse
constantemente e numa intensidade crescente.
De acordo com os autores do trabalho, quando esse processo ocorre por
volta da quinta década de vida, ele potencializa o surgimento de
demências, como a doença de Alzheimer.
Para chegar a essas conclusões, foram utilizados dados de 6 807
dinamarqueses que, entre 1991 e 1994, preencheram um formulário, no qual
deveriam responder se sentiam algum dos 17 sinais de exaustão vital
(veja a lista completa abaixo). A média de idade deles era de 60 anos e
ninguém havia sido diagnosticado com doenças relacionadas a falhas de memória e de raciocínio.
Os experts ainda levaram em conta fatores como sexo, estado civil, estilo de vida (tabagismo, abuso de álcool, obesidade e sedentarismo), baixo nível educacional e comorbidades (diabetes, doenças cardiovasculares e transtornos psiquiátricos), de modo que eles não influenciassem o resultado final.
A mente desequilibra o cérebro
Ao final da pesquisa, foi constatado que a cada item do questionário
que era respondido afirmativamente pelos voluntários lá atrás nos anos
1990, a probabilidade da pessoa desenvolver demência em 2016 crescia em
2%.
“Participantes que mencionaram de cinco a nove sinais de exaustão
vital tiveram um risco 25% superior em relação àqueles que não
apresentaram nenhum. Para quem manifestou de dez a 17 sintomas, o número
chegou a 40%”, aponta, em comunicado à imprensa, a cientista que liderou o estudo Sabrina Islamoska, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhague.
Os pesquisadores acreditam que a alta produção de cortisol, hormônio
liberado em situações estressantes, explica essa relação. Como o cérebro
passa a ficar em constante estado de alerta, o processamento de novas
informações é dificultado, contribuindo para a degeneração das funções
cerebrais.
Além disso, há o fato de que os problemas psicológicos prejudicam o
sistema cardiovascular, o que atrapalha o transporte de nutrientes e
oxigênio para os neurônios funcionarem a contento.
Segundo Sabrina, o resultado é importante para alimentar o debate
sobre o impacto do sofrimento mental nesse período da vida e suas
repercussões na saúde mais para frente.
“O estresse pode ter consequências graves e prejudiciais não apenas
para o cérebro, mas para a saúde em geral. Nosso estudo indica que
podemos ir mais longe na prevenção da demência”, conclui a especialista.
Confira abaixo as 17 perguntas feitas no trabalho dinamarquês. Se
você responder “sim” para muitas delas, fique atento aos seus hábitos de
saúde e, se possível, procure um médico para avaliar a sua situação.
Questionário: responda SIM ou NÃO
Você…
…se sente constantemente cansado?
…sente fraqueza?
…sente que não conquistou muitas coisas ou não cumpriu suas metas?
…tem dificuldades em lidar com situações da vida cotidiana?
…pensa estar constantemente num beco sem saída?
…sente uma apatia?
…tem sentimentos de falta de esperança recentemente?
…está com dificuldades para se concentrar?
…se irrita com pequenas coisas que antes não incomodavam?
…acha que é melhor desistir das coisas?
…não se sente bem?
…algumas vezes acha que a bateria do seu corpo está para acabar?
…gostaria de morrer?
…sente que não possui o que precisa para viver bem?
novação
desenvolvida no Brasil pode fazer a insuficiência cardíaca regredir,
algo inédito no seu tratamento, que até hoje só freia a progressão da
doença
Por
André Julião (Agência Fapesp)
Uma molécula promissora pode melhorar pra valer o tratamento da insuficiência cardíaca (Ilustração: Marcus Penna/SAÚDE é Vital)
Boa notícia. Um grupo de pesquisadores do
Brasil e dos Estados Unidos desenvolveu uma molécula que, ao menos em
animais, freia o avanço da insuficiência cardíaca e ainda melhora a capacidade do coração em bombear sangue.
Ratos com quadro de insuficiência cardíaca tratados por seis semanas com a molécula, denominada SAMbA, apresentaram não só uma estabilização da doença – como ocorre com os medicamentos atuais – como uma regressão do quadro.
A insuficiência cardíaca pode ocorrer em consequência de um infarto do miocárdio,
quando uma artéria coronária entupida impede a oferta de sangue para
parte do coração, sobrecarregando o restante do órgão. Como resultado,
ele reduz ao longo do tempo sua capacidade de bombear sangue para o
corpo.
Os pesquisadores já fizeram o pedido de patente da molécula e da sua aplicação nos Estados Unidos. No futuro, ela pode eventualmente complementar ou mesmo substituir os medicamentos atuais usados para a insuficiência cardíaca, a maioria criada ainda nos anos 1980.
O estudo com a descrição da molécula foi publicado na Nature Communications. O nome SAMbA é um acrônimo em inglês para Antagonista Seletivo da Associação de Mitofusina 1 e Beta2PKC.
A SAMbA consegue impedir a interação entre uma proteína comum na
célula cardíaca, a proteína Kinase Beta 2 (Beta2PKC), e a Mitofusina 1
(Mfn1), que fica dentro da mitocôndria, um compartimento da célula
responsável por produzir energia.
Quando interagem, a Beta2PKC desliga a Mfn1, impedindo a mitocôndria
de gerar energia. Isso diminui a capacidade das células do músculo
cardíaco de bombear sangue. Olha a insuficiência cardíaca dando as caras
aí…
“Suspeitamos que a interação entre essas proteínas seja, de modo
geral, um processo conservado em outras doenças degenerativas que
apresentam disfunção mitocondrial”, disse Julio Cesar Batista Ferreira,
professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB) e líder do estudo, à Agência Fapesp.
Portanto, o pesquisador espera que a molécula possa ser testada em
outras doenças cardiovasculares além da insuficiência cardíaca. Ela, por
exemplo, ajudaria a controlar patologias como hipertensão.
Benefícios da SAMbA
A equipe liderada por Ferreira já havia demonstrado que a inibição da
interação entre Mfn1 e Beta2PKC, que é produzida em excesso na célula
com insuficiência cardíaca, melhorava o funcionamento do coração doente.
O problema: as tentativas anteriores de bloquear essa comunicação
impediam também outras funções da Beta2PKC que eram benéficas para o
funcionamento do órgão cardíaco.
A novidade: a SAMbA faz uma inibição seletiva, focando-se apenas na
interação da Beta2PKC com a Mfn1. Suas outras ações, importantes para a
saúde, permanecem acontecendo normalmente.
Para explicar a diferença, Ferreira faz uma analogia. A célula
cardíaca seria como uma empresa, com várias salas. Já a Beta2PKC seria
um office boy, que circula pelo corredor do escritório e entra em
diferentes salas, conversando com os gerentes do setor correspondente
para realizar seu trabalho.
No entanto, quando entra em uma sala específica, o office boy impede um gerente específico de trabalhar. É o tal Mfn1.
Aí que está: na primeira molécula desenvolvida pelo grupo do ICB, era
como se as portas de todas as salas se fechassem. O office boy não
atrapalhava mais o gerente Mfn1, mas também não entrava em nenhuma outra
sala e a empresa (a célula cardíaca) não funcionava harmonicamente.
O que a SAMbA faz é travar somente o diálogo da Beta2PKC com a Mfn1
presente na mitocôndria. “É como fechar apenas a porta da sala em que o
office boy não deve entrar, mantendo a empresa em pleno funcionamento”,
explicou Ferreira.
Os experimentos em ratos
Após testes iniciais, os pesquisadores induziram um infarto em ratos.
Depois de um mês, o coração deles apresentava um quadro de
insuficiência cardíaca. Cada bichinho recebeu então um dispositivo
embaixo da pele que liberava pequenas quantidades da SAMbA.
Diferentemente dos animais que ganharam uma substância controle, os
que receberam a SAMbA tiveram não só a doença bloqueada como uma melhora
na função cardíaca.
“As drogas atuais freiam o avanço da doença, mas nunca fazem com que
ela regrida. O que mostramos é que, ao regular essa interação
específica, podemos trazer a doença para um estágio mais leve”,
diferenciou Ferreira.
O próximo passo é disponibilizar a molécula SAMbA para outros
cientistas testarem-na em diferentes doenças e modelos experimentais.
Além disso, é necessário examinar a ação da molécula com outros
medicamentos usados atualmente no tratamento da insuficiência cardíaca.
“A validação e a reprodução dos achados por outros grupos são
críticos no processo de desenvolvimento da SAMbA como possível terapia
na insuficiência cardíaca. Para isso, a busca de parceiros dos setores
privado e público é necessária”, ponderou Ferreira.
Este conteúdo foi produzido pela Agência Fapesp.
A meningite
pode ser causada por diferentes bactérias, vírus e até fungos. Saiba
como você pode pegar a doença, os métodos de prevenção e os seus sinais
Por
Da Redação
A meningite é uma infecção que afeta membranas que recobrem o cérebro. E ela é grave. (Ilustração: Erika Onodera/SAÚDE é Vital)
A meningite é
uma infecção das membranas que recobrem o cérebro (as meninges), que
afeta toda a região e dificulta o transporte de oxigênio às células do
corpo. A doença provoca sintomas como dor de cabeça e na nuca, rigidez no pescoço, febre e vômito.
Ela pode evoluir rapidamente, em especial entre crianças e
adolescentes, para perda dos sentidos, gangrena dos pés, pernas, braços e
mãos.
Vários agentes infecciosos causam a meningite. Geralmente, os quadros ocasionados por vírus são menos graves.
Já os que surgem em decorrência de bactérias
(ou, raramente, de fungos) são perigosos, com taxa de morte na casa dos
20%. Além disso, dois a cada dez sobreviventes têm de conviver com
sequelas, a exemplo de surdez, paralisia ou amputação de membros. A transmissão do meningococo – principal bactéria por trás meningite – ocorre por meio de secreções respiratórias e da saliva,
durante contato próximo com uma pessoa infectada. A boa notícia é que
esses agentes não são tão contagiosos quanto o vírus da gripe, por
exemplo.
Contatos casuais ou breves dificilmente vão passar a meningite pra
frente. Agora, ambientes fechados e cheios de gente contribuem para a
transmissão e potenciais surtos.
O tratamento depende do tipo de micro-organismo que gerou a meningite
e, principalmente, do estado do paciente. Mas é certo que um
atendimento rápido ajuda bastante. Mais importante do que isso, hoje há
várias vacinas contra os principais agentes causadores desse problema.
Sintomas e complicações da meningite
Dor de cabeça e na nuca
Rigidez no pescoço
Febre
Vômito
Confusão mental
Gangrena de pés, pernas, braços e mãos
Paralisia
Surdez
Causas
Um dos principais subtipos dessa infecção é a meningite meningocócica. Ela é deflagrada por diferentes sorotipos da bactéria Neisseria meningitidis, também conhecida por meningococo. Esses subtipos são: A, B, C, W e Y. Hoje em dia, todos podem ser evitados com vacinas.
Outras bactérias também desencadeiam a meningite. Estamos falando de micro-organismos como Streptococcus pneumoniae e o Haemophilus influenza tipo B, que também são afastados por meio da vacinação.
Até certos vírus têm potencial de invadir o cérebro e atacar as
meninges. Porém, em geral esses casos são menos graves. Já os fungos que
causam a enfermidade são tão graves quanto as bactérias – ainda bem que
esse tipo de quadro é raro.
Vacina para meningite e prevenção
A vacinação é a principal forma de evitar a meningite. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), as vacinas contra os tipos A, B, C, W e Y de meningococo são seguras e eficazes.
A Sbim e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
recomendam preferencialmente dar a vacina meningocócica conjugada ACWY
para crianças aos 3, 5 e 7 meses de vida. As doses de reforço são
indicadas em duas ocasiões: entre 4 e 6 anos e aos 11 anos de idade.
E, claro, quem não se imunizou nessas datas deve, ainda assim, buscar sua proteção. Converse com um médico e acesse o site da SBim para mais informações.
Mas… e a vacina contra o meningococo B? Ela também é indicada pela
Sbim, mas vem em outra injeção. As quatro doses devem ser dadas,
preferencialmente, aos 3, 5, 7 e 12 meses de vida.
Como dissemos, também é bom se proteger dos outros agentes
infecciosos. E ficar de olho em locais com surtos de meningite.
Principalmente nesses locais, evite locais fechados, com grande número
de pessoas.
O diagnóstico
Como a doença evolui rapidamente, os médicos se baseiam nos sintomas para iniciar o tratamento. Mas, claro, eles podem pedir exames de sangue para identificar o agente causador da meningite. Ou mesmo raio-x e tomografia para detectar focos de infecção pelo corpo.
Como tratar a meningite
Se a origem for bacteriana, os médicos via de regra apelam para antibióticos, com o intuito de debelar o agente infeccioso.
Mas o problema da meningite é sua progressão rápida e suas
complicações, que não raro surgem em menos de 24 horas. Ou seja, o
paciente deve ser encaminhado ao hospital depressa, onde receberá várias
medidas de suporte.
A ideia é manter o corpo equilibrado para combater a infecção. E
lidar com as complicações rapidamente, assim que elas aparecerem. Fontes: Sbim, Sociedade Brasileira de Pediatria e reportagem O Cerco À Meningite (Revista SAÚDE, junho de 2015)
O estado desse órgão não é necessariamente compatível com sua idade oficial. Alguns problemas podem torná-lo anos mais velho
Por
Thaís Manarini
Hábitos e transtornos psiquiátricos podem envelhecer o cérebro (Ilustração: Kfilonov/iStock)
O psiquiatra americano David Amen se debruçou
sobre 31 227 exames de imagens cerebrais de pessoas entre 9 meses e 105
anos de idade para inspecionar o fluxo sanguíneo dentro da cabeça de
cada um. Assim, conseguiu definir não só a idade real do cérebro de todos como identificar fatores capazes de acelerar o envelhecimento do órgão.
Entre eles despontaram excesso de álcool e uso de maconha.
“As pessoas devem maneirar no consumo se quiserem manter o cérebro
saudável”, alerta o médico, que publicou os dados recentemente.
Esquizofrenia, bipolaridade e TDAH
também fizeram a idade do cérebro subir. Para não sofrer falhas e danos
cognitivos mais cedo, Amen aconselha tratar essas condições quanto
antes. Veja abaixo quantos anos alguns problemas podem envelhecer a sua
massa cinzenta:
Os grandes culpados pelo avançar da idade cerebral
Esquizofrenia: envelhecimento de 4 anos
TDAH: 1,4 ano Maconha: 2,8 anos
Abuso de álcool: 0,6 ano Transtorno bipolar: 1,6 ano Ansiedade: 0,5 ano
Estudo
compara as formas de reposição hormonal e conclui que a aplicação pela
pele não está ligada ao tromboembolismo venoso, ao contrário das pílulas
Por
Theo Ruprecht
Segundo estudo, os comprimidos com hormônios aumentam o risco de trombose venosa. (Foto: Bruno Marçal/SAÚDE é Vital)
Não há apenas uma forma de fazer a reposição hormonal nas mulheres.
Das doses aos princípios ativos, passando pelas formas de aplicação, os
especialistas podem adotar diferentes esquemas, dependendo de cada
caso. Mas qual método teria menor risco de causar a trombose venosa (ou tromboembolismo venoso)? Essa foi a pergunta que um estudo da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, buscou responder.
Os pesquisadores observaram as informações médicas de 80 396
voluntárias de 40 a 79 anos que foram diagnosticadas com esse problema.
Os dados de outras 391 494 mulheres livres dele foram utilizados para
fins de comparação.
Antes de apresentar os resultados, um recado: não se desespere e
busque ler a matéria até o fim para compreender os verdadeiros pontos
fortes e fracos dessa técnica.
Sem mais delongas, a reposição hormonal oral foi associada a um risco
58% maior de desenvolver a tal trombose venosa. Isso em comparação com
mulheres que não receberam doses de hormônio
por qualquer via. Além disso, comprimidos que só contém estrogênio
foram considerados ligeiramente menos perigosos do que os que combinam
mais hormônios.
Para quem não sabe, o tromboembolismo venoso consiste na formação de
um coágulo nas veias, que geralmente atinge as pernas e provoca, entre
outras coisas, dor e inchaço. O maior problema, no entanto, é quando
esse trombo se solta e vai parar lá no pulmão, obstruindo a circulação
de sangue. Essa é a temida – e, às vezes, letal – embolia pulmonar.
Agora vamos dar uma boa notícia. De acordo com o trabalho britânico, a
reposição hormonal transdérmica (feita com adesivo ou gel colocados na
pele, por exemplo) não foi atrelada a um risco maior de trombose venosa.
“No método oral, o estrogênio, ao passar pelo fígado, gera
substâncias que favorecem a coagulação do sangue, o que predispõe à
trombose. Isso não acontece com a reposição transdérmica”, diferencia a
endocrinologista Dolores Pardini, diretora do Departamento de
Endocrinologia Feminina Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
De acordo com a médica, o estudo reforça – com muita qualidade – o
que já era sabido entre os profissionais. “As vias não orais de
reposição hormonal estão mais em voga hoje em dia”, afirma.
Dolores ainda faz um apelo: “Não podemos usar esses dados para
desencorajar mulheres a fazerem a reposição. O que precisamos é
individualizá-la de acordo com cada caso”.
Risco de trombose não é certeza
Quando se associa o uso de um remédio qualquer a uma reação adversa,
muitas pessoas pensam que esse problema vai acontecer em 100% dos
pacientes. Mas não costuma ser assim.
No caso da reposição hormonal com comprimidos, por exemplo, o estudo
inglês indica que há um episódio de tromboembolismo venoso a cada 1 076
usuárias. Dito de outra maneira, a maioria das mulheres que toma as
pílulas não sofrerá com essa encrenca por causa das doses de hormônios
sintéticos.
“É curioso como algumas pessoas têm medo da reposição, mas não se amedrontam com a obesidade ou as varizes, que são mais perigosas nesse sentido”, comenta Dolores, que também é chefe do Ambulatório de Menopausa da Universidade Federal de São Paulo.
Vários fatores aumentam a probabilidade da trombose. Tabagismo,
histórico na família e idade estão entre eles. O médico basicamente
junta essas e várias outras informações para, então, pesar os benefícios
e os riscos de cada forma de reposição hormonal junto com a paciente.
As vantagens da reposição hormonal
Só para não deixar passar: essa estratégia costuma ser válida apenas
para quem sofre com uma baixa concentração de hormônios femininos, o que
é comum após a menopausa.
Dito isso, as benesses começam pela qualidade de vida. Ora, a
reposição ajuda a contornar sintomas como fogachos, secura vaginal, infecções urinárias de repetição. Até as flutuações de humor e a falta de sono – mais frequentes nessa fase da vida – podem ser amenizadas com o tratamento.
Mas não para por aí. “Do ponto de vista médico, o principal benefício
é a proteção cardiovascular”, sentencia Dolores. Quando bem empregado, o
método auxilia a controlar a pressão e o colesterol, só para citar duas
chateações que afetam o coração.
Os ossos também saem ganhando, uma vez que a restituição dos
hormônios freia a perda de massa óssea. Como consequência, o risco de
osteoporose cai consideravelmente.
Os cuidados básicos com a reposição
Embora o foco aqui seja a trombose venosa, a reposição hormonal já foi ligada a um risco ligeiramente maior de câncer de mama.
Apesar de essa probabilidade ser pequena entre a população em geral,
mulheres com histórico desse tumor na família devem ter atenção
redobrada.
Fora isso, o ideal é iniciar a terapia logo após a menopausa. “Há uma
janela de oportunidade. A reposição deveria começar, no máximo, seis ou
sete anos após a última menstruação”, afirma Dolores. “Ao demorar mais
do que isso, os riscos podem superar os benefícios”, arremata.
São tantas particularidades que uma visita ao médico é fundamental.
“Nada de imitar o tratamento da vizinha”, brinca a expert da Sbem.
O recado final de Dolores Pardini é: ao redor dos 50 anos, a mulher
já precisaria realizar uma dosagem hormonal e discutir abertamente com o
profissional sobre a reposição hormonal. Você já fez isso?
Cientistas brasileiros descobrem como a
prática de atividades físicas melhora a memória e até ajuda a restaurar
as lembranças perdidas por causa da doença
Cilene Pereira
EFEITO DIRETO
Ferreira e seus colegas da UFRJ verificaram como nadar ou correr, por
exemplo, estimulam a produção, no cérebro, da irisina, hormônio que
ajuda na proteção dos neurônios
O exercício físico é considerado pela medicina um remédio natural
contra infarto, acidente vascular cerebral, depressão e câncer. Mais
recentemente, surgiram evidências dos benefícios para o cérebro,
especialmente para conter a perda de memória e o declínio cognitivo que
marcam a doença de Alzheimer. Na semana passada, pesquisadores
brasileiros confirmaram os efeitos positivos da prática e foram além,
mostrando o mecanismo pelo qual exercitar-se regularmente é uma boa
forma de prevenção e de tratamento da enfermidade. Em artigo publicado
na versão online da revista científica Nature Medicine, a equipe da
Universidade Federal do Rio de Janeiro responsável pelo estudo mostrou
que a explicação está na irisina, hormônio liberado durante a execução
de exercícios. Ela protege o cérebro e restaura a capacidade de
memorização perdida com o avanço da doença.
A informação trazida à luz pelos brasileiros é uma peça importante no
enorme quebra-cabeça que o Alzheimer ainda representa para a medicina.
Ele não tem cura, exame específico de diagnóstico ou um programa bem
estabelecido de prevenção. Isso porque, como a maioria das enfermidades
neurodegenerativas, sua origem e evolução têm causas complexas e
difíceis de serem estudadas com os recursos disponíveis. O problema é
que, com o envelhecimento da população, é urgente encontrar meios
efetivos de preveni-la e de tratá-la. Hoje, há cerca de 35 milhões de
pessoas no mundo com a doença — um milhão no Brasil. Em 2050, serão 135
milhões no planeta, o que a tornará um grande problema de saúde pública. Mensageiro químico A irisina ficou conhecida em 2012, quando o biólogo americano
Bruce Spiegelman, da Universidade Harvard (EUA), a descreveu como um
mensageiro químico produzido pelos exercícios. Veio daí a inspiração
para o seu nome, o da deusa grega mensageira Íris. O hormônio transforma
o tecido adiposo branco, que guarda energia em forma de gordura, em
marrom. Este dissipa energia sob a forma de calor.
Sua descrição inspirou os cientistas brasileiros a estudar qual seria
seu papel no cérebro. Foram sete anos de pesquisa envolvendo cobaias,
amostras de cérebro extraídas de pacientes mortos e do líquido
cefalorraquidiano coletadas de portadores. Eles chegaram a conclusões
importantes: o exercício físico estimula a produção de irisina
diretamente no cérebro, onde ela mantém preservadas as sinapses, os
espaços entre os neurônios por onde trafegam os neurotransmissores
(substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas). “Além
disso, o hormônio provoca reações químicas dentro dos neurônios
importantes para a memória”, explica Sérgio Ferreira, um dos autores do
estudo. Todas essas funções protegem o cérebro da perda de capacidade de
aprender e de armazenar informações e chegam a restaurar o que havia
sido perdido.
Os dados podem embasar a criação de remédios contra a doença. Mas
falta muito até lá. O próximo passo dos pesquisadores é compreender
melhor a função do hormônio no cérebro. Depois, há ainda etapas de
pesquisa em laboratório e, por fim, em humanos. Tudo isso levará anos.
Porém, a informação de que o exercício pode prevenir e retardar a doença
deve servir, já, como mais um estímulo para a sua prática. Não há um
tempo estabelecido (as cobaias fizeram uma hora por dia de natação,
durante cinco semanas), mas ao menos adotar a velha orientação de
caminhadas diárias de 20 minutos, por exemplo, é um bom começo.
Mulher de 57 anos está internada desde o último dia 22 e exames serão reavaliados pela Fiocruz
Por
Gabriel Sobreira
Mulher com a bactéria da peste
bubônica está internada há 22 dias no Hospital Luiz Palmier - Reprodução/Glooge Maps
Rio - Uma paciente, de
57 anos, internada no Hospital Luiz Palmier, em São Gonçalo, foi
diagnosticada com a presença da bactéria Yersinia pestis, causadora da
peste bubônica. A mulher está no isolamento para evitar disseminação da
doença. Os exames serão reavaliados pela Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), que pode definir o diagnóstico. O resultado está previsto
para sair no próximo fim de semana.
A Prefeitura de São Gonçalo esclarece que não há risco de surto da doença na cidade.
A mulher deu entrada no Pronto Socorro Central no
último dia 22 de dezembro, com insuficiência cardíaca e foi encaminhada
para internação no hospital, onde foi realizado o procedimento padrão de
coleta de amostras oral, nasal, anal e da pele, por ela estar com uma
ferida na perna. Também foi coletado sangue.
A paciente está sendo tratada com antibióticos e é
acompanhada em leito de isolamento a fim de evitar a disseminação da
doença. Uma equipe do controle de zoonoses da Vigilância Ambiental já
foi até a residência da paciente realizar a inspeção de pragas e
roedores para evitar o surgimento de animais infectados, mas não
encontrou vestígios de roedores na casa.
A peste bubônica, também conhecida como peste negra, é
uma doença transmitida por meio de uma bactéria presente em roedores. A
contaminação é feita por pulgas que picam o animal infectado e depois os
humanos.
O
diagnóstico precoce da febre amarela ajuda a controlar os casos mais
graves. Veja os sintomas dessa doença que chega a comprometer o fígado e
se proteja
Por
Maria Tereza Santos
Transmitida por mosquitos das zonas de mata, febre amarela pode levar à morte (Ilustração: André Moscatelli/SAÚDE é Vital)
Quais são os sintomas da febre amarela? A doença é caracterizada por febre, dores no corpo, dor de cabeça, comprometimento do fígado e dos olhos e pele amarelada. Em casos mais graves, causa insuficiência hepática e renal, levando à morte.
A única forma de transmissão do vírus para os seres humanos é a picada de mosquitos. Atualmente, a febre amarela é repassada no Brasil pelos insetos do gênero Haemagogus e Sabethes.
“São mosquitos de zonas silvestres. As pessoas acabam sendo
infectadas quando entram em áreas de mata”, explica o infectologista
Antônio Bandeira, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Entretanto, a febre amarela também pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, comum em regiões urbanas. Segundo as autoridades, isso não acontece desde 1942 – em grande parte por causa das campanhas de vacinação.
Como a doença não raro é fatal, você deve ficar atento aos seus
sinais. Quanto mais cedo procurar auxílio médico, maiores as chances de
recuperação.
Sintomas da febre amarela
Febre
Dor de cabeça
Dor no corpo
Icterícia (condição que deixa os olhos, pele e mucosas num tom amarelado)
Comprometimento do fígado
“Num quadro mais brando, os sintomas duram de sete a dez dias”, afirma Antônio Bandeira.
Quais são as complicações?
Se evoluir para sua forma mais perigosa, a febre amarela provoca
insuficiência hepática e renal. “A taxa de mortalidade chega a 36%. Se o
paciente sobreviver, os sintomas permanecem entre duas e quatro
semanas”, alerta o infectologista.
Porém, Bandeira lembra que a gravidade é determinada pela resposta
imunológica de cada indivíduo. “Alguns evoluem de forma muito rápida.
Após quatro dias, morrem”, lamenta.
Ou seja, a febre amarela é grave – e não tem tratamento específico. O que os médicos podem fazer é lidar com os sintomas
e, nas situações críticas, internar o paciente na UTI para tentar
preservar suas funções vitais enquanto o próprio corpo debela o vírus.
Por isso, a melhor forma de combater essa chateação é a prevenção. Sim, estamos falando da vacina, que está disponível na rede pública.
“A eficácia é muito alta, entre 95% e 98%. Após uma dose, o efeito dura por toda a vida”, conclui Bandeira.
Também é bom passar repelente, usar roupas compridas e instalar telas nas portas e janelas, especialmente nas zonas de mata.
Como é feito o diagnóstico?
A suspeita surge com as manifestações clínicas. Às vezes, os sintomas
por si sós já definem a febre amarela. Em outros casos, são necessários
exames de sangue.