quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Teste diagnostica dengue, zika e chikungunya em cinco horas

Atualmente, são feitos três exames separados e os resultados podem levar até dez dias para serem obtidos
01:00 · 20.09.2017 por Vanessa Madeira - Repórter
Um projeto científico desenvolvido no Ceará pode dar resposta ao desafio da saúde pública de diagnosticar, de forma ágil, as principais epidemias do País: dengue, chikungunya e zika. Com altos custos e demora para obter resultados, os testes utilizados hoje no Estado têm se tornado empecilho para o tratamento adequado dos infectados e o planejamento de ações de vigilância. Para superar a dificuldade, pesquisadores criaram kits capazes de analisar as três arboviroses ao mesmo tempo e determinar, em poucas horas, qual delas se manifesta nos pacientes.
O teste rápido é fruto do trabalho realizado há cerca de um ano pela empresa cearense Greenbean Biotecnologia e coordenado pela professora Izabel Guedes, da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Segundo ela, o projeto tem por base a produção, em laboratório, de proteínas recombinantes dos vírus das três doenças e de reagentes específicos para cada uma delas. Esses reagentes, ao entrarem em contato com o sangue de pessoas infectadas, apenas terão efeito sobre as proteínas da arbovirose pela qual o paciente foi acometido. O resultado, conforme explica a professora, pode ser obtido em até cinco horas.
Vantagens
O método apresenta duas vantagens em relação aos exames atuais. Hoje, para chegar ao diagnóstico preciso, são necessários testes diferentes para dengue, chikungunya e zika. Além disso, os resultados podem levar até 10 dias para serem obtidos.
"A grande dificuldade é a demora para o diagnóstico. Quando ocorre, ao mesmo tempo, uma multivirose em Fortaleza, os sintomas se confundem e o medico saber qual é o vírus que está infectando o paciente. Isso tudo dificulta a conduta médica e também a recuperação do paciente, porque o médico tem que esperar o resultado do teste", afirma Izabel.
"Ainda tem a questão da vigilância. Se você souber de antemão se está circulando mais zika, mais dengue ou mais chikungunya numa determinada região, a vigilância pode tomar medidas e traçar estratégias mais eficientes", completa.
Além da maior rapidez, a utilização dos testes desenvolvidos no Estado reduziria custos. Os kits atuais contem reagentes importados, o que aumenta o valor do material. "Esse alto custo dificulta fazer diagnósticos durante uma epidemia, então apostamos em testes mais baratos, que tenham condições de testar maior número de pacientes ao mesmo tempo e dar resultado rápido", destaca Izabel.
Disponibilização
A coordenadora do projeto explica que os testes ainda estão em fase de experimentação, mas já apresentam resultados promissores. No entanto, não é possível definir quando poderão ser fabricados em larga escola e disponibilizado no Estado. A expectativa da equipe é que isso aconteça até o próximo ano.
"Esperamos que os testes tenham o interesse da Secretaria da Saúde, mas ainda precisa passar pela parte burocrática das boas práticas de laboratório, confirmações, análises estatísticas e outros processos", diz.
O último boletim de arboviroses da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), datado de 1º de setembro, revelou que, neste ano, já foram confirmados 20.884 casos de dengue (12 óbitos), 82.017 de chikungunya (87 óbitos) e 483 de zika. De acordo com o órgão, a distribuição dos casos acontece por todas as faixas etárias, com maior incidência entre adultos jovens e pacientes do sexo feminino.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Um respiro contra o câncer

Dois novos tratamentos para tumores de pulmão devem mudar o combate a esse tipo de doença

Um respiro contra o câncer
Duas novidades que devem mudar o combate ao câncer de pulmão, o mais comum no mundo, foram divulgadas na semana passada durante o congresso europeu de oncologia (Esmo), em Madri. A primeira delas combate a doença num estágio onde não havia tratamento disponível. “Nós ficamos sem avanços nesse campo por muitos anos, décadas”, disse à ISTOÉ o médico que conduziu a pesquisa, Luis Paz-Ares. “Resultados robustos assim eram muito aguardados.” A segunda promete mudar a forma de cuidar de pacientes que sofrem de outro tipo de tumor pulmonar, mais avançado. “Nós concluímos que esse será o novo padrão de tratamento para pacientes com essa forma de câncer”, afirma o doutor Suresh Ramalingam, responsável pelo estudo.
CONGRESSO Luis Paz-Ares, que conduziu os estudos do Durvalumabe: resultados robustos (Crédito:Divulgação)
A primeira pesquisa foi sobre testes clínicos do novo remédio Durvalumabe, que funciona inibindo uma proteína ligada à ação de células cancerígenas. Poderão usar o medicamento pessoas que tenham tumor de pulmão “não pequenas células” (mais de 80% dos casos) em estágio 3 (espalhado em vários pontos do mesmo órgão) que não possam ser operadas. Os cientistas descobriram que o Durvalumabe diminui pela metade a chance de a doença progredir, num período em que os médicos só podiam aplicar quimio e radioterapia e desejar o melhor – o que é incomum. Para 85% dos pacientes, o câncer acaba avançando. “Atualmente, tudo o que nós podemos fazer é esperar e observar”, diz Mohammed Dar, vice-presidente de biologia clínica da MedImmune, subsidiária da farmacêutica AstraZeneca, que desenvolveu o composto.
O segundo estudo foi sobre os exames do novo remédio Osimertinibe, que inibe mutações que ajudam o câncer a crescer. Poderão usar o medicamento pessoas que também tenham o mesmo tumor de pulmão “não pequenas células”, mas em estágio 4 (quando ele já se espalhou por vários órgãos) – e que possuam uma mutação no gene EGFR (que ajuda no crescimento do câncer e infelizmente é frequente, acometendo 15% da população ocidental e 35% da asiática). Descobriu-se que o Osimertinibe é 54% mais eficaz do que as drogas hoje existentes para combater essa mutação no que se refere à progressão do tumor. Ainda são esperados dados para se saber se ele também diminui o risco de o paciente morrer da doença, o que é plausível, porém que ainda não está provado em definitivo. “Atualmente, não vejo competição para esse tratamento”, afirma Klaus Edvardsen, chefe global de desenvolvimento de medicamentos oncológicos da AstraZeneca.
As duas novidades surfam na esteira do que é descrito como um a época de ouro no combate ao câncer, envolvendo imunoterapias (Durvalumabe) e terapias-alvo (Osimertinibe). Ao contrário da quimio e da radioterapia, elas poupam células saudáveis. Para entender como funcionam, imaginemos que os tumores sejam carros querendo chegar em casa. As terapias-alvo bloqueariam uma das ruas que pudesse servir de caminho, apesar de outras poderem continuar abertas. Já as imunoterapias usariam o próprio sistema de defesa do organismo para chamar a polícia e prender o condutor, independentemente do caminho.
As duas pesquisas ficaram entre os maiores destaques do Esmo, um dos maiores congressos do mundo na área. “Foram dois dos estudos mais importantes apresentados”, diz o médico brasileiro Fabio Kater, do hospital BP Mirante, em São Paulo. De acordo com a médica italiana Floriana Morgillo, da Segunda Universidade de Nápoles, “os impactos nas doenças são grandes, então se espero que sejam aprovados o mais rápido possível”. Ainda não há data confirmada para que as agências internacionais aprovem as indicações, mas a expectativa é que em até um ano eles estejam disponíveis ao público.
Impactos psicossociais da quimio são maiores que os físicos
Alguns dos destaques do Esmo que não aparecem em outros grandes eventos semelhantes dizem respeito ao bem-estar das pessoas com câncer. Nesse ano, chamou atenção uma pesquisa que descobriu que os efeitos psicossociais da doença são maiores do que os físicos. Os cientistas analisaram pessoas com câncer de mama e ovário e perguntaram o que mais lhes incomodava. Os primeiros lugares ficaram com “dificuldade de dormir” e “como isso vai afetar meu parceiro”. Num estudo igual feito em 1983, os campeões eram “vômito” e “náusea”. Para Beyhan Ataseven, que conduziu o estudo numa clínica de Essen, Alemanha, isso se deu porque os tratamentos melhoraram. “A prevalência dos problemas de sono nos surpreendeu, pois eles não apareciam anteriormente”, afirmou à ISTOÉ. “Deveríamos ao menos perguntar aos pacientes se eles querem prescrições de remédios para dormir.”
ENTENDA OS AVANÇOS
Os remédios que ajudam na luta ao câncer de pulmão
Durvalumabe

> Como funciona: Inibe a proteína PD-L1, ligada à ação de células cancerígenas
> Para quem: Pacientes com câncer de pulmão estágio 3 (espalhado pelo órgão)
> Resultados: A progressão diminuiu em 48%, numa fase para a qual não havia drogas
Osimertinibe
> Como funciona: Anula mutação que estimula o crescimento do câncer
> Para quem serve: Pessoas com câncer de pulmão em matástase e mutação EGFR
> Resultados: A evolução diminuiu em 54% em relação ao tratamento-padrão

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Verão 2017: confira dicas para entrar em forma

Novos aparelhos de estética prometem corpo esbelto rápido. Dieta e exercício têm resultado certeiro

Rio - Faltando três meses para o verão, foi dada a largada para o corre-corre às academias e dietas. Tudo para chegar com corpo bem definido e saudável à estação do ano mais querida dos cariocas. Mas é possível ganhar um visual sarado até lá? Segundo alguns especialistas, sim. Tanto naturalmente, quanto por equipamentos modernos, que, em alguns casos, prometem modelar o físico em 20 minutos. Nutricionistas e preparadores físicos mostram caminhos saudáveis para se atingir o corpo adequado e bem estar sem gastos extras.
Para Olivia Andriolo, hábitos saudáveis deixam o físico e mentesadios Divulgação
Para combater a flacidez e a gordura localizada, porém, são necessários acompanhamentos médicos e nutricionais. Também é preciso ter cuidado com exageros e atenção às restrições. No quesito tecnologia, três aparelhos chegam cheios de promessas. O mais novo, não invasivo, a laser, que chegará ao Rio nas próximas semanas, importado de Israel, é o Alma Prime. Promete modelagem do corpo em menos de meia hora, com ondas de ultrassom.
Tratamento estético Arte O Dia
"Em até seis sessões, conforme pesquisas, em intervalos de uma semana a 15 dias, o paciente consegue excelentes resultados", explicou o dermatologista Thales Brettas, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Cada sessão custará R$ 500.
Thales lembra que o Alma não pode ser usado por grávidas, portadores de marca-passo, menores de 12 anos e quem tem problemas de circulação: "Fica pequena vermelhidão e sensação de calor local passageiras". Mais informações no site www.lbtlasers.com.br.
Thales Brettas será um dos primeiros dermatologistas a operar o equipamento Derma Prime no Brasil Divulgação
Dois outros equipamentos causam frisson. Um deles é o TightSculpting. "Permite esculpir o corpo e dá mais firmeza a pele", garante a dermatologista Paula Chicralla, também da SBD. A profissional explica que a combinação de ondas de lasers destrói células gordurosas, através de aumento da temperatura, sem lesionar a pele, e estimula a produção de colágeno. O processo promete reduzir gordurinhas no abdome, flancos, costas, coxas, braços, seios, nádegas e papada. O preço é salgado: R$ 1 mil por sessão.
O outro aparelho é o Coolsculpting, com ponteiras, para reduzir até 30% de gordura em uma sessão. O tratamento inovador é a base de Cryolipolysis, no qual células gordurosas são eliminadas com o frio. Tudo sem corte, sem anestesia, ou substância injetável.
Cássia Oliveira, nutricionista: "Dieta balanceada e exercícios evitam tratamentos caros" Divulgação
Olivia Andriolo, especialista em pilates, treino funcional e idealizadora do método Emagrecimento Corpo D21, lembra que os hábitos saudáveis no dia-a-dia mantém a boa saúde física e mental, dispensando a necessidade de se apelar para equipamentos emagrecedores. "E melhoram a autoestima, os sintomas de depressão e ansiedade, reduzindo riscos de doenças cardíacas".
A nutricionista Cássia Absolon (que dá as dicas de alimentação saudável no quadro ao lado), da Clínica Prevenf, lembra que nenhuma dieta é milagrosa. "É preciso reeducação alimentar, com novos hábitos. Dietas da moda são prejudiciais", alerta.
O educador físico Daniel Pinheiro, do Grupo São Cristóvão Saúde, reforça a necessidade de aquecimento antes de se exercitar, para evitar lesões. "A intensidade de cada exercício deve ser ajustada de acordo com cada um", recomendou.
DICAS DE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Prefira frutas, legumes e verduras, que são menos calóricos do que alimentos industrializados
Aumente a ingestão de água e sucos naturais. Evite refrigerantes
Dê preferência a chás gelados, de baixas caloria
Diminua o consumo de sal, pois o sódio aumenta a pressão arterial e retém líquido, causando inchaço
Evite frituras e salgadinhos
Prefira carnes magras: peixe, frango e patinho (carne vermelha). Assadas ou grelhadas
Consuma alimentos integrais, para melhor funcionamento intestinal
Paula Chicralla: "Tecnologia segura e resultados rápidos Divulgação
Troque um doce por uma fruta
Evite temperos prontos, que têm mais sódio e conservantes
Priorize temperos frescos como alho, cebola, salsa, e manjericão
Durma bem e acorde cedo
Exercícios físicos: mínimo três vezes por semana e, no máximo, cinco vezes, com média de 30 a 90 minutos, dependendo da capacidade física

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Saiba como está a pesquisa da vacina brasileira contra a dengue

Após alguns atrasos nos prazos iniciais, projeto do primeiro imunizante nacional contra a infecção avança e chega ao estágio final

A dengue é um dos mais graves problemas de saúde pública no Brasil. Em 2015, foram registrados mais de 1,6 milhão de casos no país e 972 mortes. No ano passado, a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti atingiu 1,4 milhão de pessoas e provocou 602 óbitos, de acordo com os boletins epidemiológicos publicados pelo Ministério da Saúde.
Entre as estratégias para conter essa ameaça está a vacinação. Um imunizante, inclusive, já está disponível no Brasil desde 2016. Feito pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, ele é vendido em clínicas particulares e faz parte de programas piloto de vacinação pública, como no estado do Paraná. O produto requer três aplicações com um intervalo de seis meses entre elas. Nos estudos que serviram de base para a aprovação, foi observada uma proteção de 66% contra os quatro sorotipos da dengue.
Mas a grande promessa do momento é uma vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês). Ela está na última fase de estudos e procura atualmente voluntários de várias idades.
Se os resultados forem positivos, a nova versão, que exige uma única aplicação, será submetida à aprovação das agências regulatórias em alguns meses. A expectativa é a de que essa opção tenha inclusive maior eficácia do que a disponível hoje.
Para saber mais sobre as etapas de desenvolvimento da vacina e os desafios envolvidos nesse processo, conversamos com a bióloga Lilian Ferrari e com os infectologistas Alvino Maestri e Esper Kallas, coordenadores da pesquisa. Nas respostas, você também confere como pode se tornar voluntário:

Como está o desenvolvimento da vacina contra a dengue do Instituto Butantan/NIH?

A vacina está na última fase de testes antes de ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que possa ser produzida em larga escala e disponibilizada para campanhas de imunização em massa na rede pública de saúde em todo o Brasil. Os estudos envolvem 17 mil voluntários em 16 centros de pesquisa nas cinco regiões do país.

Vocês estão em busca de voluntários? Quais os requisitos para participar da pesquisa?

O Instituto Butantan quer verificar como a vacina reage em organismos de adultos, adolescentes e crianças para se certificar, no caso de comprovada a eficácia, que ela poderá ser disponibilizada para todos esses públicos, ampliando assim o espectro de uso do produto. Para se voluntariar, a pessoa precisa estar saudável, e pode ou não ter sido diagnosticada com dengue no passado. A última etapa consiste na aplicação da vacina em dois terços dos voluntários de 2 a 17 anos, enquanto um terço receberá a aplicação de uma substância placebo, que não tem efeito.

O que deve ser feito por quem se interessar em ser voluntário?

Os interessados devem ligar de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h, no Hospital das Clínicas de São Paulo para o agendamento de consulta. Os telefones são: (11) 2661-3344 e 2661-7214.

Quando devem sair os resultados da pesquisa e quais as expectativas que vocês têm em relação a eles?

As informações disponíveis até agora foram coletadas nos momentos anteriores de testes da vacina e apontam que o imunizante é seguro e potencialmente eficaz. No entanto, é esta última fase de testes que vai dizer se ele realmente protege contra os quatro tipos da dengue e qual é o nível de proteção para cada um dos vírus. Sendo assim, quanto antes vacinarmos todos os voluntários nessa última fase, mais cedo teremos os resultados para submissão do pedido de registro.

O que a vacina traz de benefício para a população brasileira?

A primeira vacina brasileira é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. Quando aprovada, ela será uma importante arma na luta contra a doença, que atinge não somente a população brasileira, mas indivíduos de vários outros países.

O que o desenvolvimento da vacina representa para a ciência brasileira?

Nosso projeto fortalece o cenário da pesquisa nacional pelo envolvimento massivo dos pesquisadores distribuídos pelas cinco regiões brasileiras, bem como pelo fato de ocorrer em Unidades Básicas de Saúde e atrelado à Estratégia Saúde da Família em alguns estados.

Quais obstáculos vocês encontraram pelo caminho?

A principal dificuldade atualmente é o recrutamento de crianças e adolescentes. Qualquer medicamento ou vacina só pode ser oferecido ao público dessa faixa etária se for aplicado antes em adultos. É importante dizer que essa é a terceira e última etapa dos testes. Isso significa que a segurança já foi testada em duas outras ocasiões: uma nos Estados Unidos, pelos parceiros do Instituto Butantan, e outra aqui no Brasil, na cidade de São Paulo.
Somando as duas fases, cerca de 900 pessoas receberam doses. Os dados disponíveis até agora dessas duas etapas anteriores mostram que ela é segura. No entanto, como em qualquer pesquisa clínica, a segurança precisa ser avaliada durante todas as fases. Por isso, também estamos verificando se a vacina mantém o padrão demonstrado anteriormente. Além disso, o Instituto Butantan teve a preocupação de desenhar o estudo de forma que primeiro sejam vacinados os voluntários adultos, depois os adolescentes e só por último as crianças.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Vacina é opção para combate ao quadro epidêmico de dengue

O Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a adotar a vacina, adquirindo inicialmente 500 mil doses
Segundo o Centro Estadual de Epidemiologia do Paraná, o resultado que se pode adiantar até aqui é que se trata de uma vacina muito boa ( Foto: Nah Jereissati )

A dengue no Ceará continua chamando atenção pela alta incidência e o registro de mortes. Foram, somente este ano, 20.884 casos confirmados e, destes, 12 pessoas vieram a óbito, de acordo com dados do último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). O cenário gera o alerta constante e a necessidade de medidas preventivas e de combate ao agente transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Uma das estratégias de reversão do quadro epidêmico pode estar na disponibilidade de uma vacina contra a doença, a exemplo da que já é fabricada pelo laboratório Sanofi Pasteur, capaz de proteger contra os quatro sorotipos da doença.
Após 20 anos de testes, a Dengvaxia foi a primeira vacina contra a dengue a ter a comercialização autorizada no País, há pouco mais de um ano. O Paraná foi o primeiro Estado brasileiro a adotar a estratégia, adquirindo inicialmente 500 mil doses da vacina e distribuindo em 30 municípios. A estratégia adotada por lá, segundo explicou o chefe do Centro Estadual de Epidemiologia, João Luis Crivellador, foi atender às localidades que tiveram três ou mais epidemias nos últimos cinco anos.
Em 28 delas, onde a incidência passou dos 500 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, como acrescenta, a faixa etária incluída na campanha vacinal foi de 15 a 27 anos. "É uma faixa etária que geralmente não busca a unidade de saúde, então buscamos alternativas diferenciadas, colocando a vacinação em supermercados, shoppings, academias, colégios e universidades", comentou. Já nos dois municípios onde a incidência ultrapassou 8 mil casos para 100 mil habitantes - Paranaguá e Assai - o público alvo determinado foi de 9 a 44 anos.
Muito boa
Os resultados, ainda segundo João Luis Crivellador, serão definidos por meio de estudo após o fim da campanha vacinal. A 3ª e última fase terão início no dia 20 de setembro e segue até o dia 27 de outubro. Neste período, 99 mil pessoas devem ser vacinadas. Na 1ª etapa, 200 mil pessoas foram imunizadas e na 2ª mais de 153 mil. "O resultado que podemos adiantar é que se trata de uma vacina muito boa. Tivemos pouquíssimos eventos adversos, o que mostra que é uma vacinação segura", afirma.
Pioneira no mundo, segundo destaca a diretora médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani, a vacina tem como público-alvo pessoas na faixa etária de 9 a 45 anos de idade, tendo eficácia de 66%, agindo com 93% de eficiência nos casos graves da doença e prevenindo em até 81% o número de internamentos. A aplicação é subcutânea e deve ser administrada em três doses, com intervalo de seis meses entre elas, não havendo registro de efeitos colaterais. "Os pacientes tiveram sintomas leves mas nenhum relacionado à vacina. Cerca de 400 mil pessoas foram imunizadas no Paraná e não tivemos incidentes", reforça.
Campanhas
Dentro do contexto da imunização, Sheila Homsani destaca a importância de os governos aderirem a campanhas de conscientização. Na avaliação da médica, este seria o momento ideal de uma iniciativa como essa, enquanto o sorotipo 2 da doença não está tão presente. "Geralmente, o sorotipo 2, depois de uma grande circulação do tipo 1, pode trazer muita gravidade. Como a vacina é em três doses, se tivermos campanhas agora, essa proteção é antecipada, ou seja, quando o sorotipo 2 começar a circular com mais vontade, a população já estará protegida contra a gravidade que a gente espera", esclarece.
Os testes da vacina no Brasil envolveram 3,5 mil voluntários, entre eles, 599 cearenses. A imunização se dá por meio de um vírus atenuado e que, cultivado em condições adversas, perde a capacidade de provocar a doença. O método é realizado com a mesma estrutura do vírus que imuniza contra a febre amarela. Na rede particular, a vacina já pode ser adquirida pelo preço de R$ 136,00, cada dose.
Este ano, a incidência da dengue já acometeu 155 municípios do Ceará (84,6%), segundo o último boletim emitido pela Secretaria da Saúde do Estado. Os casos confirmados estão distribuídos em todas as faixas etárias, mas mostram uma concentração maior (63,5%) entre as pessoas de 15 a 49 anos de idade, e mais da metade das confirmações (56,2%) atingiu o sexo feminino. Entre os casos mais preocupantes, o Estado confirmou 86 de dengue com sinais de alarme (DCSA) em 2017 e 17 casos de dengue grave (DG).

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Para ficar forte, não adianta comer muita proteína de uma só vez

Distribuir a ingestão de alimentos ricos nesse nutriente ao longo do dia em vez de concentrá-la só no almoço ou no jantar ajuda a preservar a musculatura

  Notícia quentinha para quem pretende preservar seus músculos por anos e mais anos. Segundo um estudo publicado no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, distribuir o consumo de carnes, ovos e outras fontes de proteína ao longo do dia – em vez de concentrá-lo no período da tarde ou da noite – pode ser uma medida importante para frear a perda de massa muscular, comum com o avançar da idade.
Capitaneada pelo Centro de Saúde da Universidade McGill, no Canadá, a pesquisa contemplou as informações médicas e os hábitos alimentares de quase 1 800 pessoas na faixa etária de 65 a 84 anos. Eles foram acompanhados por uma média de três anos.
“Aqueles que ingeriam proteína de uma maneira balanceada durante o dia tinham mais força muscular em comparação com os que comiam mais no jantar e menos no café da manhã”, exemplificou, em comunicado à imprensa, a nutricionista Samaneh Farsijani, umas das autoras do trabalho.
Embora mais estudos sobre o assunto sejam necessários, talvez o organismo consiga absorver melhor o nutriente em questão quando a ingestão é fracionada e começa já nas primeiras horas do dia. Mas uma coisa é certa: o debate acerca da recomendação diária para proteína ainda vai esquentar muito.
Enquanto ainda sobram dúvidas sobre o assunto, elencamos duas possibilidades de café da manhã que agregam proteínas ao cardápio. Confira:
Ovo, torrada e vitamina
Essa combinação tem proteínas e minerais de sobra – só cuidado com o colesterol! As frutas oferecem vitaminas, enquanto a torrada proporciona fibras.
• 1 torrada integral
• 1 ovo cozido
• 1 copo de vitamina de banana com mamão
Vai uma tigela de cereal? 
Os grãos fornecem bastante energia e fibras, enquanto os morangos trazem vitaminas e minerais. Já o leite assegura o aporte de proteínas.
• 1 xícara e meia de chá de cereal
• 1 copo de 240 ml de leite
• 8 unidades de morangos médios

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O novo lar dos idosos

Ao combinar condomínio fechado e centro de repouso, empreendimentos transformam a cara dos asilos. Além de serviço médico 24 horas, há atividades culturais, boliche e até aulas de “zumba sênior”

Crédito: Gabriel Reis
CONVÍVIO Nair Salomão, 101 anos, moradora de residencial para idosos em São Paulo (Crédito: Gabriel Reis)
Com a foto do cantor John Lennon na mão, Nair Mendonça Ribeiro Salomão, 101 anos, abre um sorriso. A brincadeira para estimular a memória, em que é preciso reconhecer o artista estampado nas cartas, é uma das atividades diárias propostas aos moradores do Cora Residencial, de São Paulo, voltado para pessoas com mais de 60 anos. Em uma mesa no hall do prédio, ela põe o cartão com a imagem do ex-Beatle de lado. Quer contar sua história. “Sou do tempo do suicídio de Getúlio Vargas.” Depois da morte do marido, passou a morar com a filha, mas se incomodava ao percebê-la sobrecarregada com as responsabilidades da família e os cuidados com a mãe. Nair pediu que a levasse a uma casa de idosos, e o combinado foi que ficaria uma semana para testar. Já tinha 100 anos e lá ficou. No local, vive como se estivesse em um condomínio fechado: tem seu quarto e autonomia para sair e voltar quando quiser. Mas dispõe também de serviços específicos, atendimento médico 24 horas e alimentação com nutricionista, além de uma programação que afasta a alcunha de casa de repouso com atividades que vão de boliche a “zumba sênior”.
ALMOÇO COLETIVO Locais contam com acompanhamento nutricional e outros serviços na área da saúde (Crédito:Gabriel Reis)
Chamadas de instituições de longa permanência para idosos, os residenciais voltados para a terceira idade tentam quebrar a imagem estigmatizada dos asilos ao criarem um híbrido de condomínio com centro de convivência. O Cora Residencial, com sete unidades na capital paulista, é um deles. Os valores mensais ficam em uma média de R$ 7,5 mil dependendo do tipo de quarto, que pode ser individual, duplo ou triplo, e do tratamento. O modelo existe em diferentes cidades brasileiras e é inspirado em empreendimentos que são praxe em outros países, como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra (leia mais no quadro ao lado), onde a população idosa cresce gradativamente. Assim como no Brasil, cuja taxa da população com mais de 60 anos foi de 9,8% para 14,3% de 2005 a 2015. Na verdade, aqui o aumento é mais rápido do que em países desenvolvidos e chegará a 35% em 2070, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Médico geriatra e especialista em doenças cognitivas do envelhecimento, Rodrigo César Schiocchet da Costa afirma que a depressão, doença de grande incidência entre idosos, pode atingir níveis mais altos entre pessoas que vivem em instituições de longa permanência. “Os estudos que mostram isso focam em asilos tradicionais, com perfis diferentes dos residenciais para idosos”, afirma. A ideia desses novos centros, segundo Costa, é benéfica no sentido de estimular o desenvolvimento cognitivo, o
CARINHO Ana Maria Benavente, 80 anos: opção de viver em condomínio para idosos não significa abandono da família. “Meu filho me adora e me visita regularmente” (Crédito:GABRIEL REIS)
convívio social e a qualidade de vida geral. Com isso, evita-se quadros depressivos, que podem ser fator para uma série de outras doenças na terceira idade. “Desde a alimentação à atividade física, tudo deve ser pensado para a saúde física e mental.” Segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, divulgada em 2014, a faixa etária entre 60 e 64 anos é a maior entre todos os brasileiros diagnosticados com depressão: 11% do total.
Amor da família

Bem resolvida com sua escolha de moradia, Ana Maria Benavente, 80 anos, não titubeia ao afirmar que viver em uma casa geriátrica nada tem a ver com abandono familiar. “Meu filho me visita regularmente, ele me adora”, diz, rindo. Morando sozinha até sete meses atrás, um dia levantou da cama e caiu. Foi quando achou que valeria tentar o residencial para sua faixa etária. “Gosto daqui”, diz ela, cabelos loiros e sobrancelhas desenhadas com lápis. “Mas prefiro morar sozinha, gostava mais da minha casa, do meu lugar.” Por enquanto, porém, o plano é continuar vivendo no residencial. “Fui pintora, tinha um ateliê, e posso fazer isso aqui. Hoje mesmo tem aula de teatro, estou animada.” Para Costa, o tabu sobre casas para idosos vem sendo quebrado com as novas instituições, mas ainda é visto com ressalvas, principalmente pela família. Aos poucos, os asilos deixam de ser relacionados a abandono e passam a funcionar como centros de lazer e de cuidados. Um lugar melhor tanto para hóspedes quanto para familiares.
Vilas nasceram na Flórida
Gabriel Reis
Na ânsia de ter um espaço de alto padrão para aposentados, os americanos criaram não um condomínio, mas toda uma vila para pessoas com mais de 55 anos. Fundada em 1972, The Villages é hoje uma cidade com 120 mil habitantes. Em 2000, eram apenas 8.300. É também um forte reduto republicano, com apoio declarado a Donald Trump. A média de preço de uma casa vai de R$ 800 mil a R$ 3 milhões. O custo mensal, que inclui manutenção de piscinas, quadras de tênis e campos de golfe, além de atividades recreativas e serviços básicos como água e TV a cabo, é de R$ 3 mil. O empreendimento é um dos pioneiros no mundo no setor de moradias para idosos que dispõem de serviços variados e se afastam da ideia de asilo. Hoje há vários outros modelos parecidos ao redor do mundo. Em Londres, o Battersea Place conta com uma ala de enfermagem de luxo. Na Nova Zelândia, uma casa na vila Settlers Albany sai por R$ 4 milhões. Na Holanda, a vila de Hogeweyk foi projetada para idosos com demência e Alzheimer e tem uma estrutura específica para ajudar os moradores.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Prevenção pode diminuir em 90% casos de cegueira

A conscientização é essencial no tratamento de doenças oculares, ocasionadas por outras enfermidades
O encontro, considerado um dos três maiores relacionados à oftalmologia em todo o mundo, prossegue até este sábado, no Centro de Eventos do Ceará ( JL Rosa )
por Patrício Lima - Repórter
Prevenção. Essa é a palavra de ordem para evitar o aumento do número de casos de cegueira no Brasil, durante o 61º Congresso Brasileiro de Oftalmologia - CBO 2017, realizado em Fortaleza de 6 a 9 de setembro, no Centro de Eventos do Ceará. Em dados divulgados no evento, cerca de 90% dos casos de cegueira em pessoas com diabetes, por exemplo, poderiam ser revertidos, com exames preventivos. No encontro, também foram discutidos outros temas em painéis, simpósios, cursos e entrevistas.
Para Silvana Vianello, médica oftalmologista de Juiz de Fora (MG), os cuidados nos procedimentos relacionados ao tratamento de cegueira têm evoluído nos últimos anos; porém, a atenção e a conscientização dos pacientes são essenciais para a diminuição dos casos. Outro assunto na pauta do Congresso foi a utilização do injeções intravitreas, que são injeções aplicadas diretamente no olho durante o tratamento da cegueira, ocasionada principalmente por diabetes, hipertensão e degeneração macular, que é o envelhecimento da retina, ocasionada em pessoas de mais idade.
Recomendações
"Dentro do evento, definimos algumas recomendações para médicos oftalmologistas que lidam com casos mais delicados de cegueira. Entre elas, a necessidade do tratamento em centro cirúrgico, acompanhamento pós procedimento. A única forma de evitar é prevenção. A educação física e nutricional é de suma importância também para impedir esses problemas", destaca.
Outro ponto discutido durante a programação foi a importância da manutenção da segurança da saúde ocular dos pacientes. "Em alguns centros, os médicos não têm a mínima condição necessária para realizar procedimentos delicados. Faltam recursos financeiros e temos que cobrar isso do poder de público. O Ceará é um bom exemplo dessa eficiência. Vocês têm aqui uma oftalmologia de ponta. A fila de transplante de córnea aqui é muito rápida. Nem todos os estados conseguem esses feitos", afirma Maurício Maia, oftalmologista e professor da Universidade Federal de São Paulo.
Já o médico oftalmologista André Jucá Machado, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que o Estado tem um bom nível de condição estrutural e profissional para atendimento de doenças relacionada aos olhos. "Temos um excelente nível. Estamos muito perto de tudo que acontece no Brasil e exterior. É um grande orgulho recebemos um evento desse porte, com os melhores profissionais do Brasil e do mundo", aponta André Jucá.
Público
Considerado um dos três maiores da área no mundo, o Congresso se realiza no Centro de Eventos do Ceará e contempla temas atuais relacionados às diversas subespecialidades. A expectativa é receber 5 mil profissionais até o próximo sábado, último dia de realização.
Discussões sobre os últimos avanços nas áreas de retina, glaucoma, tumores, catarata e lentes intra-oculares são destaques do CBO 2017, que tem participação de dois médicos brasileiros atuantes em universidades dos Estados Unidos (EUA). São eles a Dra Zélia Correia, uma das principais especialistas em tumores intra-oculares na atualidade e professora da Universidade de Cincinnati (Ohio); e o Dr Felipe Medeiros, professor da Universidade da Califórnia em San Diego (Califórnia) e um dos principais especialistas em glaucoma do mundo.
Para o médico David Lucena, presidente do Congresso, "contar com a presença de médicos oftalmologistas de todos os níveis de prática é importante para uma rica troca de experiências e exposição de trabalhos científicos, além de unir a classe médica em torno de uma programação social e técnica".

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A redenção da gordura

Um novo conjunto de estudos mostra que o consumo de ovos, laticínios e carnes não faz tão mal quanto se imaginava. E os médicos já começam a recomendá-lo, desde que seja com moderação


Duas novidades recentes pavimentam um caminho que parece sem volta em direção à redenção da gordura. Durante décadas, o nutriente, encontrado em queijos, ovos e óleos, por exemplo, foi demonizado por boa parte da ciência, médicos e nutricionistas. Seu consumo estava associado ao aumento do risco de morte, especialmente as provocadas pelo infarto e acidente vascular cerebral. Por via das dúvidas, era desaconselhado. Mas um conjunto cada vez mais robusto de evidências científicas mostra que a verdade aproxima-se do contrário. Incluir mais gordura no cardápio pode levar a uma vida longeva e saudável.
Na semana passada, a apresentação dos resultados de uma pesquisa sobre o assunto fortaleceu a teoria. Coordenado por cientistas da McMaster University, no Canadá, e publicado na periódico acadêmico The Lancet, o estudo revelou que quem ingere mais gordura e menos carboidrato tem risco menor de morte. É um dos maiores levantamentos na área. Foram seguidos cerca de 135 mil pacientes, de dezoito países, acompanhados por mais de sete anos. Nesse período, os indivíduos adeptos de dietas nas quais 35% das calorias ingeridas diariamente advinham de gordura manifestavam chance menor de morrer em comparação a aqueles em cujos cardápios 60% das calorias eram obtidas de carboidratos como pães, massas e pizzas. “Esses dados contrariam as diretrizes atuais limitando a 30% o total de gordura consumido por dia”, disse à ISTOÉ Mahshid Denghan, líder do estudo. ”Sugerimos a mudança nas orientações.”
O resultado foi recebido com um misto de surpresa e inquietação. Afinal, como mostra a jornalista americana Nina Teicholz em seu livro recém-lançado no Brasil, “Gordura sem Medo”, perdura em parte do meio científico a resistência em acreditar que a ingestão de alimentos gordurosos não faz tão mal quanto se acreditava. Defensores desse conceito, entre eles o cardiologista Robert Atkins, pai da famosa Dieta Atkins, penou entre seus pares por conta do preconceito em relação à proposta.
Nina, que também estudou biologia, pontua no livro as principais conclusões que inocentam a gordura – seu consumo moderado, registre-se. “Os primeiros estudos que condenaram a gordura saturada foram malfeitos; os dados epidemiológicos não evidenciam nenhum correlação negativa; o efeito da gordura saturada sobre o colesterol LDL (o ruim) é neutro; e um número significativo de estudos clínicos feitos nos últimos dez anos demonstra a ausência de quaisquer efeitos negativos da gordura saturada sobre as cardiopatias, a obesidade e a diabetes”, escreve. Entre os tipos de gordura, a saturada – presente em ovos e laticínios – era considerada a mais nociva.
CARDÁPIO Mahsid (no centro), do Canadá, defende mudança na quantidade ingerida do nutriente (Crédito:Divulgação)
PICO DE INSULINA

Uma das explicações para conclusões como essas é a de que, como apontam investigações recentes, a insistência em reduzir o consumo de gordura faz com que as pessoas aumentem a ingestão de carboidratos, esses sim envolvidos no desencadeamento de doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos que podem levar, por exemplo, à diabetes. “O alto consumo de carboidratos obriga a maior produção de insulina”, explica o médico Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia. Fabricado no pâncreas, o hormônio permite a entrada, nas células, da glicose circulante no sangue. Se deixar de ser produzido ou não funcionar adequadamente, o açúcar se acumula na corrente sanguínea, caracterizando a diabetes. “O problema é que, se for muito exigido, o pâncreas pode cansar”, diz. Massas, pães e doces também engordam, enquanto a gordura poderia ter o efeito contrário. “Ela eleva a saciedade”, afirma Rodrigo Polesso, especialista em nutrição. Na fórmula de Mahshid Denghan, do Canadá, o ideal é equilibrar as proporções de consumo dos nutrientes. “É o melhor a fazer.”

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Cirurgia plástica com inovação no SUS

Pós-bariátrica no Hospital do Andaraí reúne procedimentos em uma operação

Rio - Desenvolvida no Hospital Federal do Andaraí (HFA), técnica inovadora de cirurgia plástica pós-bariátrica já beneficiou mais de 700 pessoas no mundo. O método permite remodelar várias partes do corpo simultaneamente, retirando de abdômen, peito, braços, coxas e costas todo o excesso de pele resultante do processo de emagrecimento. Cada procedimento é feito em uma operação diferente.
Carlos Roxo, chefe do setor de cirurgia plástica do Hospital Federal do Andaraí, é o criador da técnica inovadora de cirurgia pós-bariátrica Divulgação
Principal responsável pela inovação, o cirurgião plástico Carlos Roxo, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica do HFA, trabalha no aprimoramento da técnica desde 2000. "Transformamos uma cirurgia complexa em algo mais simples e seguro, com ganhos estéticos melhores. Temos possibilidade de mais simetria e de colocar as cicatrizes em lugares escondidos", diz o médico, que apresentará sua criação em países como Líbano, Grécia, China e Inglaterra nos próximos meses.
A retirada do excesso de pele após a cirurgia bariátrica melhora aparência e qualidade de vida. Dobras exageradas provocam dificuldade ao andar e mais sudorese do que o habitual, elevando o risco de assaduras, micoses e proliferação de odores. Além disso, podem atrapalhar a micção e as relações sexuais. Para ser operado, é preciso obter encaminhamento para o HFA via Sistema Nacional de Regulação (Sisreg).
Reportagem de Camilla Muniz

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Surpresas para o câncer

Remédio que combate inflamação e terapia genética são as duas novas armas contra a doença

Surpresas para o câncer
A redução da inflamação diminui o risco de doença cardíaca. No domingo 27, no Congresso Europeu de Cardiologia, a constatação foi confirmada e trouxe implicações maiores: inibir processos inflamatórios pode derrubar também a incidência e a mortalidade por câncer de pulmão. O estudo Cantos, comandado por Paul M. Ridker, diretor de Centro de Prevenção de Doenças Cardiovasculares no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA), e Peter Libby, especialista em medicina cardiovascular do mesmo hospital, mostrou que a administração do anti-inflamatório canakinumabe em pacientes com taxas de colesterol moderadas, que tiveram anteriormente um ataque cardíaco e apresentavam elevados níveis de proteína C reativa, um marcador de inflamação, diminuiu em 15% o risco de um novo evento como o infarto e o acidente vascular cerebral e a chance de morte.
PROMESSA Ridker (à esq.) e Libby lideraram estudos sobre a droga. Estão animados (Crédito:Divulgação)
O estudo revelou ainda que o remédio reduziu em 77% as taxas de mortalidade por câncer, especialmente o de pulmão, assim como sua incidência (67%). Isso sugere que a mesma via inflamatória que é um fator de risco para doenças cardíacas também pode iniciar ou estimular o crescimento de tumores. “Os dados são emocionantes porque apontam para a possibilidade de retardar a progressão de certos tipos de câncer”, disse Ridker à ISTOÉ. Para Libby, o resultado abre uma nova porta no tratamento dessa doença. “É um resultado preliminar que tem que ser estudado mais profundamente, mas é uma nova era anti-inflamatória que pode ser muito eficaz.”
A outra boa novidade foi a liberação para a venda, pelo órgão regulador americano FDA, da primeira terapia genética contra o câncer. Conhecida como CAR-T, ela consiste na alteração de células do próprio paciente para que identifiquem e combatam com maior eficácia as células tumorais. “É uma nova fronteira na luta contra a doença”, disse Scott Gottlieb, diretor da FDA.
DUAS DOENÇAS, O MESMO ALVO
Como age o medicamento

• Ele reduz a inflamação
• Hoje se sabe que o processo está envolvido  em várias patologias, entre elas a depressão,  ou eventos como o infarto
• Estudos indicam que está relacionado  também ao câncer, em especial o de pulmão
• Por isso, a pesquisa sobre a droga  gerou a hipótese de que o tratamento  e a redução da inflamação pode reduzir  a incidência e a mortalidade desse tipo  de tumor

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Cigarro aumenta em três vezes o risco de câncer na bexiga

Pesquisa divulgada no Dia Nacional de Combate ao Fumo aponta o tabagismo como responsável por 65% dos casos desse tumor em homens e 25% em mulheres

Ninguém duvida que o cigarro faz mal à saúde – e um estudo realizado durante os últimos 12 meses traz mais um argumento para sustentar essa afirmação. Segundo o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), o tabagismo está relacionado a um risco três vezes maior de desenvolver câncer de bexiga.
Feita com pacientes atendidos pela equipe de urologia dessa instituição, a pesquisa demonstra um elo entre o cigarro e 65% dos casos desse tipo de tumor em homens, e 25% nas mulheres. O hábito é o maior fator de risco para essa versão da doença.
Apesar de o pulmão ser visto como a principal vítima do tabagismo, a bexiga também é fortemente afetada pelas substâncias químicas — muitas delas carcinogênicas — do cigarro. Depois de inaladas, elas entram na corrente sanguínea e são filtradas pelos rins. E, lá adiante, na bexiga, a urina ainda contém componentes do cigarro, o que pode danificar células da região.
Verdade que o câncer nesse órgão não é tão comum. Em contrapartida, tem uma taxa de mortalidade bastante alta — seis vezes maior do que a do tumor mais comum entre os homens, o de próstata. Dentre os voluntários analisados na pesquisa do Icesp, por exemplo, 30% já estavam com esse mal em estágio avançado, sendo necessária a retirada completa do órgão.
Os principais sintomas da doença envolvem, além de sangue e espuma na urina, dor e dificuldade para fazer xixi. Infecções urinárias frequentes também acusam o problema. E vale lembrar: mesmo que não indiquem um tumor, esses sinais podem levar à descoberta de outras chateações do trato urinário – portanto, sempre merecem atenção.
Fora o tabaco, o levantamento do Icesp aponta tinturas de cabelo e tintas em geral, tecidos, borracha e petróleo entre as substâncias de risco para o câncer na bexiga. Para quem trabalha com esses tipo de composto, o instituto alerta: use equipamentos de proteção, como luvas e máscaras.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

EUA aprovam terapia inédita que mudará o tratamento do câncer

Aprovação inaugura promissora era da medicina. O tratamento deverá custar 475 000 dólares -- o equivalente a 1,5 milhão de reais

A FDA, a agência americana que regula medicamentos, aprovou nesta quarta-feira um tratamento inovador capaz de combater o câncer. A terapia celular chamada comercialmente de Kymriah (tisagenlecleucel), da farmacêutica suíça Novartis, será indicada para casos de leucemia linfoide aguda, um tipo de câncer comum em crianças e adolescentes. Poderá ser uma opção para pacientes com até 25 anos que não melhoraram com nenhum outro tratamento.
“Estamos entrando em uma nova fronteira de inovação médica com a capacidade de reprogramar as células do próprio paciente para atacar um câncer mortal”, afirmou o diretor da agência Scott Gottlieb.

Como funciona

Conhecido como CAR-T, o método é totalmente personalizado e associa a imunoterapia à engenharia genética. Ao contrário dos medicamentos disponíveis atualmente, cada dose é customizada para o paciente e, para isso, há uma logística complexa.
A confecção do tisagenlecleucel consiste em retirar as células de defesa do sangue do próprio doente e modificá-las em laboratório.  Uma vez alteradas, as células, mais potentes, são reintroduzidas no paciente. Assim, elas se tornam capazes de reconhecer e destruir o tumor de forma mais eficaz.
O estudo conduzido com a terapia mostrou que uma dose única de Kymriah fez desaparecer por completo os tumores de 83% dos participantes. Os resultados foram considerados impressionantes pelos oncologistas e um grande avanço para aqueles que não tinham mais opções.

Efeitos colaterais

Apesar de promissora, a nova terapia pode ter efeitos colaterais graves. O mais frequente é a resposta exacerbada do sistema imunológico, que causa febre muito alta e queda súbita de pressão arterial, além de dificuldade para respirar e inchaço dos órgãos. Em alguns casos, essas reações graves em pacientes já debilitados podem ser fatais.
Em maio, a Kite Pharma revelou que uma pessoa havia morrido durante o ensaio clínico por causa de um edema cerebral. E, em julho de 2016, a Juno Therapeutics, outra companhia que testa o CAR-T informou que quatro pessoas morreram durante os estudos. Todas de edema cerebral. O procedimento só pode ser feito em ambiente hospitalar.

Outros tumores

O CAR-T tem mostrado resultados impressionantes no tratamento de leucemias e linfomas — que não melhoram com as terapias convencionais. A abordagem está sendo estudada também para outros quarenta tipos de câncer, entre eles o de pâncreas, intestino, ovário e pulmão. O tratamento deverá custar 475 000 dólares — o equivalente a 1,5 milhão de reais.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Sim, gordura faz bem para a saúde

Com o passar do tempo, as gorduras, inclusive a saturada, perderam o posto de vilãs da dieta abrindo espaço para outra questão importante: o equilíbrio

De acordo com um novo estudo, publicado nesta terça-feira no prestigiado periódico científico The Lancet, o consumo moderado de gorduras, equivalente a 35% das calorias diárias, incluindo a tão temida gordura saturada, está associado a uma longevidade maior.
Para os cientistas, com base nos resultados da pesquisa e ao contrário da crença popular, o consumo de gorduras em quantidade mais elevada do que os 30% de calorias diárias que as normas internacionais recomendavam desde a década de 1980 pode reduzir o risco de morte por doença cardiovascular em até 23%.
Por outro lado, uma ingestão elevada de carboidratos – equivalente a mais de 60% das calorias diárias – aumenta esse risco.

Gordura, sim

No recente estudo, os pesquisadores da Universidade McMaster e da Hamilton Health Sciences, ambas no Canadá, analisaram a alimentação de 135.000 pessoas nos cinco continentes. Em média, a dieta dos participantes era composta por 61% de carboidratos, 23% de gordura e 15% de proteína.
Os resultados mostraram que uma dieta que inclui até 35% de gorduras totais incluindo saturada, poli-insaturadamonoinsaturada – a mais saudável de todas – reduz o risco de morte prematura em até 23%. Altos níveis de ingestão de gordura saturada, normalmente considerada prejudicial à saúde, diminuiu esse risco em 13%.
Por outro lado, as pessoas que ingeriam altas quantidades de carboidratos, encontrados principalmente em pães e arroz, apresentaram um aumento de 30% no risco de morte, em comparação com aquelas que estavam em uma dieta “low carb”, ou seja, com baixo consumo da substância.
Os pesquisadores acreditam que esse efeito prejudicial do excesso de carboidrato esteja associado ao fato de que ele é facilmente armazenado como glicose no corpo, aumentando rapidamente seu nível no sangue, o que contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas como diabetes e obesidade – dois fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Gordura x carboidratos

Outra pesquisa, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que as gorduras e os carboidratos podem impactar a saúde do coração de maneiras completamente diferentes. Das 309 mulheres, com idade entre 48 e 79 anos, que apresentavam risco de aterosclerose – formação de placas de gorduras nas artérias -, as que consumiram 5% de gordura saturada acima da quantidade ideal, o que poderia aumentar consideravelmente o risco cardíaco, tiveram quase 6% de redução na progressão da doença. Em compensação, as que excederam o consumo de carboidrato em 10% mostraram um aumento de 2,8% na obstrução.
Como não é novidade para ninguém, tudo depende de uma dieta rica e variada somada a outros fatores determinantes, como a prática de atividade física e a genética de cada indivíduo. “Não é só o consumo de gordura que está relacionado a esse risco, mas muitas variáveis do estilo de vida”, disse Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração e do Hospital Dante Pazzanese de Cardiologia, ambos em São Paulo.
“Outros nutrientes, como proteínas e fibras, e fatores de risco, como fumo, obesidade e hipertensão, também são importantes.”

Excesso

Em excesso – quando ultrapassa 5% do padrão indicado pelos especialistas – a gordura saturada de fato está associada a uma taxa maior de problemas cardiovasculares e mortalidade, elevando o colesterol ruim (LDL) em até 10 miligramas por decilitro de sangue.
Segundo Magnoni, a gordura monoinsaturada eleva os níveis de colesterol HDL, seu tipo considerado bom, e reduz o LDL. A poli-insaturada, não altera o HDL e reduz o LDL. Já a gordura saturada, reduz o HDL e aumenta o LDL – o que em excesso pode ser bastante negativo.
“Ao longo da evolução da alimentação ocidental houve um aumento excessivo de gorduras e carboidratos no cardápio, desencadeando o aumento da obesidade e do sedentarismo.”, diz o especialista.

Alimentos e gorduras

Em 2013, a Sociedade Brasileira de Cardiologia divulgou, com base em estudos mais recentes sobre o assunto, novas recomendações sobre o consumo de gorduras – o que antes era limitado em até 30% das calorias diárias, hoje é em 35%. As gorduras poli-insaturadas caíram de 11% para 10% e as monoinsaturadas subiram de 12% para 15%.
Até mesmo a quantidade de gorduras saturadas, sempre tratadas como inimigas da boa alimentação, foram alteradas de 7% para 10%.
Os alimentos por si só possuem diferentes composições de gorduras. O alimento mais rico em gordura monoinsaturada mais presente na mesa é o azeite de oliva que tem 75,5% da substância em sua composição entre os 99,9% de gorduras totais.
Já a manteiga é a campeã em gorduras saturadas, representando 49,2% de 74,1%. No entanto, ao contrário do que diz a crença popular, a gordura não pode nem deve ser completamente eliminada da dieta.
“A gordura saturada é necessária para a produção hormonal, produção das células de defesa e a formação da membrana celular“, explicou Magnoni, um dos médicos que assinaram a atual diretriz.

Mudança constante

Os pesquisadores canadenses acreditam que as recomendações alimentares precisam ser sempre revistas no mundo todo, afinal, os hábitos alimentares sempre variam de região para região. Além disso, na opinião desses cientistas, o colesterol LDL não deve ser a única variável na previsão de eventos cardiovasculares, como o derrame.
Para Magnoni, isso é, em parte, correto. “As diretrizes têm que ter regionalidades com base nos dados econômicos e sociais de cada população. A alimentação de um asiático, por exemplo, é diferente de uma alimentação como a nossa.”

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Conheça a importância do café da manhã

Pesquisa britânica confirma que pular a primeira refeição do dia prejudica os ossos, o metabolismo e o funcionamento do cérebro

Rio - O que os pais cansam de repetir para os filhos agora foi provado pela ciência: o café da manhã é a refeição mais importante do dia. Uma pesquisa feita pelo King's College de Londres constatou que começar o dia sem o desjejum pode comprometer o desenvolvimento das crianças, sobretudo a saúde dos ossos e as funções do cérebro. O mais grave é que algumas das consequências podem ser levadas para a vida adulta.
Pequenos devem ingerir alimentos nutritivos no desjejum: leite e cereais são boas opções Divulgação
Pequenos que permanecem de estômago vazio após acordarem tendem a sofrer de insuficiência de ferro, folatos, cálcio e iodo, causando falta de energia. A conclusão foi obtida após uma pesquisa feita por cientistas durante quatro anos. Eles analisaram os hábitos alimentares diários de crianças e adolescentes entre 4 e 18 anos.
"Esse estudo fornece evidências científicas que comprovam que o café da manhã é a chave para os pais se certificarem que os filhos estão obtendo os nutrientes necessários", afirma a pesquisadora Gerda Pot. O trabalho foi publicado no British Journal of Nutrition.
Sem quantidades suficientes de ferro, o organismo não consegue produzir hemácias (células vermelhas do sangue) saudáveis em níveis satisfatórios. Isso prejudica a distribuição de oxigênio pelo corpo, o que deixa a pessoa mais cansada, afeta o desempenho do cérebro e debilita o sistema imunológico.
Já a deficiência de cálcio enfraquece ossos e dentes, provocando problemas na liberação de hormônios e na contração muscular. A baixa ingestão de iodo é ruim para a saúde da glândula tireoide e torna o desenvolvimento mental mais lento. A falta de folatos atrapalha o metabolismo e a absorção adequada de nutrientes pelo intestino.
Os alimentos
Boas fontes de cálcio: Leite, queijo e ameixa seca
Boas fontes de ferro: Aveia, castanhas e chocolate amargo
Boas fontes de folatos: Abacate, amendoim e espinafre
Boas fontes de iodo: Atum, ovos e iogurte natural

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Passionalismo, a nova doença urbana

Ao menor sinal de rejeição ou diante de um mero descontentamento, homens estão matando suas mulheres como nunca se viu no Brasil — e, em alguns casos, assassinam também os filhos e se suicidam

Crédito: Divulgação
TIROS NA MADRUGADAO casal Cláudia e Cristian: ela insistia para que o marido tomasse a medicação necessária; ele a matou a tiros e se suicidou (Crédito: Divulgação)
“Diz que eu não sou homem, diz agora que eu não sou homem, quem aqui não é homem?”, berrou diversas vezes André Luis Santos para Mizaelly Mirelly da Silva, uma jovem de vinte e dois anos. “Vo… cê não… é… ho… mem”, balbuciou Mizaelly com a frase entrecortada pela dificuldade de respirar ao estar sendo estrangulada. Seriam as suas últimas palavras. Morreu. O algoz foi seu namorado. Ao constatar que o corpo da parceira já estava inerte, André matou também o filho de sete meses. Fugiu. Foi preso pela polícia de São Paulo, onde o crime aconteceu. E confessou: “estrangulei porque eu não queria esse filho e ela não abortou”. O caso se deu no bairro do Jaguaré, predominantemente de classe média.
Um sofisticado condomínio no elegante bairro paulistano de Perdizes se transformou em palco de outro trágico e desesperador espetáculo de passionalismo na fria e garoenta madrugada do último domingo. O delegado de polícia Cristian Sant’Ana Lanfredi, em licença médica de seu cargo na Assembleia Legislativa de São Paulo devido a um severo quadro de depressão, saiu de seu apartamento com a filhinha de seis anos no colo e foi ao apartamento vizinho onde mora o padrinho da menina. Pediu então para que cuidasse da garota, alegando que sua mulher, a juíza do Trabalho Cláudia Zerati, acabara de abandonar o casamento, saíra do prédio e ele precisava localizá-la. A afilhada, assim que se viu em segurança, relatou outra história: sua mãe e seu pai haviam discutido muito porque ele se recusava a tomar a medicação antidepressiva prescrita pelo médico. Era tal o nervosismo da criança, que o padrinho pressentiu o pior. Desceu à garagem para conferir se os dois carros do casal estavam lá — e estavam. Chamou então o zelador, foram ao apartamento de Cristian e, coração na garganta, abriram a porta que estava destrancada: horror, sangue, morte. Segundo a polícia, Cristian matou a esposa com um tiro na testa e, na sequência, suicidou-se também com um tiro, disparado no lado direito da cabeça. Um dos relógios do apartamento marcava seis horas da manhã.
ESTÚPIDA EPIDEMIA
PURA PERVERSÃO O parceiro de Mizaelly a mandava falar “diga que não sou homem” enquanto a estrangulava. Ao vê-la inerte, matou o filho de sete meses
A cidade de São Paulo, a casa do Jaguaré e o condomínio das Perdizes são apenas um fechar de foco sobre um Brasil no qual se instaura e se espalha uma nova, estúpida, triste e psicótica epidemia — a epidemia da passionalidade. Em todo o País, nos últimos doze meses, estatísticas do Ministério da Justiça apontam que duas mil e oitocentas mulheres foram assassinadas por seus companheiros, numa questão de gênero, o chamado feminicídio. De volta a São Paulo, onde quatro mortes de mulheres aconteceram enquanto a polícia dava os primeiros passos na investigação do crime do condomínio já citado, estima-se que um feminicídio ocorra a cada quatro dias — setenta concentrados nos últimos meses, entre eles o que vitimou a auxiliar de enfermagem Nathalia dos Santos Silva. O criminoso fugiu.
Crimes passionais sempre aconteceram, e uma de suas motivações prevalentes é o ciúme — ou seja, o tolo ditado de que “o ciúme é o perfume do amor” pode até ser verdadeiro, mas desde que tal sentimento se mantenha num contorno de racionalidade. Fora disso não há fragrância, há cheiro de pólvora, vela e caixão. O que ocorre nos dias atuais, no entanto, é que o assassino mata a mulher, mata os filhos e, algumas vezes, se suicida, extinguindo da face da Terra o seu núcleo familiar — deixando-se claro que a maioria ainda prefere fugir. Mergulhando na mente dos que se matam após o crime, é como se fossem absurdas Medeias pelo avesso: na tragédia grega, a clássica personagem assassina os filhos para punir Jasão (que pretende abandoná-la), deixando nele a dor da perda das crianças. Quanto aos homens-Medeia do presente, eles punem a mulher, matando-a; punem os filhos, matando-os; e, paradoxalmente punem a si próprios, suicidando-se.
É inevitável que se indague a interlocutores e aos botões da nossa própria alma o que leva uma pessoa bem sucedida profissionalmente, família consolidada e situação financeira estável, a cometer homicídio seguido de suícidio. O que move as mãos para o gesto extremo e criminoso de matar? E a naturalidade da indagação vem do vício em considerar, numa imaginária escala de risco para esse tipo de comportamento, que a probabilidade de sua ocorrência esteja mais ligada a indivíduos em condições de vida simples e que não escalaram sequer a metade da pirâmide social. A resposta, quem nos dá, é a dura realidade, na medida em que apresenta aos nossos olhos tantos cadáveres de mulheres — e, eventualmente, de suas crianças. Tudo isso se deve à passionalidade que anda à flor da pele, à passionalidade que cega e vê numa rosa vermelha, por exemplo, não uma rosa vermelha, mas, sim, uma hemorragia. Vê no corpo da mulher que trai ou que parte não mais um corpo animado, mas, sim, um aboslutamentente nada.
No Rio de Janeiro, amigos e familiares do engenheiro Nabor Coutinho de Oliveira Júnior podiam esperar tudo na vida, menos que ele matasse a sua mulher, Lais Khouri. Pois ele a matou, e matou os dois filhos e se suicidou. A esposa morreu com facadas; as crianças a golpes de martelo; ele saltou do décimo oitavo andar do condomínio de altíssimo luxo em que a família morava na Barra da Tijuca. Faca, martelo, mergulho no ar, isso é mais que violência, é mais que a suprema irritabilidade a vazar pelos poros, é mais… não sei que nome dar. A sociedade está psicótica. E, caso após caso, a surpresa vem incomodar. O empresário Oscar Augusto Ferrão Filho, um dos sócios dos estacionamentos da Rede Park, atendeu mecanicamente o telefone que tocava, porque é assim que todos nós, acostumados a falar ao telefone, o atendemos. Veio a voz de seu irmão João Alberto. Veio a bomba atômica do terror e do macabro: “acabei de matar a minha mulher, a Renata, e agora vou me matar”. Um assessor da empresa correu à cobertura em que João Alberto morava no bairro paulistano do Itaim. Com certeza, gostaria de jamais ter visto o que viu: Renata estava tombada no closet com um tiro na cabeça; no andar de cima, na piscina, boiava, também já sem vida, o corpo do empresário. Em Recife, no bairro do Rosarinho (classe média alta), um namorado não aceitou na semana passada a separação amorosa e matou com crueldade a companheira (nomes preservados pela polícia). A não aceitação do final da vida a dois, aliás, vem sendo também motivo de crime, ao lado do ciúme, pagamento de pensão alimentícia e disputa pela guarda de filhos.
A MORTE PELO TELEFONE João Alberto telefonou para o irmão: “Acabei de matar a Renata (no detalhe), e agora vou me suicidar.”
Na cobertura em que moravam, um corpo tombou no closet, o outro, na piscina
País do feminicídio
Foi esse último fator, por exemplo, que disparou a ira e o revolver com que o PM Maurício Gama fulminou a ex-mulher Celina Mascarenha, na presença do filho. Quando o garoto lhe perguntou o porquê, ele respondeu com ironia e sarcasmo: “é para a mamãe descansar um pouco”. Há, no passado, dois episódios de passionalismo e irracionalidade que alimentaram até a mídia internacional: Doca Street matou a modelo Angela Diniz porque ela o traiu com outra mulher, e o cantor Lindomar Castilho assassinou a sua esposa Eliane de Grammont, porque ela já não o queria como marido. Existe, no entanto, um traço comum envolvendo esses delitos, independentemente de época ou gerações. Em todos eles, o homem feminicista é extremamente narcisista, coisifica a parceira e a transforma em sua propriedade. Não é incomum esse homem não estar nem aí para a mulher, enquanto ela permanece ao seu lado, mas desesperar-se e tornar-se violento se surgir uma ameaça de rompimento. Quando essa mulher, antes dominada e transformada em coisa (espelho narcísico do companheiro, pela psicanálise), cogita despedir-se da relação, o homem portador de tal transtorno vê sua “cristaleira de narcisismo” virar cacos. Não suporta isso, não crê que esses cacos se colarão novamente. E então mata na esperança de conseguir voltar a ser, ele mesmo, o seu espelho. O que está em jogo é prepotência e arrogância. Há no País uma estatística de tirar o ar: cerca de trinta por cento das mulheres assassinadas morreram nas frias mãos de seus parceiros.
Qual a solução para isso tudo? É difícil. Desensandecer uma sociedade e desarraigar essa espécie de comportamento não é o mesmo que tocar meia dúzia de malucos que tomam banho nus em um chafariz público. Mas, pelo menos, sabe-se qual não é a solução — e isso já é muita coisa. No Brasil, decretos e leis brotam do nada e não resolvem, igualmente, nada. A Lei Maria da Penha e a criação do termo feminicídio, por si só, não mudaram e nem mudarão o quadro de passionalidade. Demagogicamente Dilma Roussef criou essa expressão, e daí? O número de mulheres agredidas e mortas só fez aumentar exponencialmente, chegando ao seu auge nas últimas semanas e, infelizmente, sinalizando que seguirá crescendo. O temperamento humano (um dos fatores genéticos que compõem a personalidade) não muda por decreto. Homens portadores de transtorno da personalidade narcísica não deixarão de ter baixíssimo limiar de tolerância ao verem negado, por uma mulher, o menor de seus carpichos. Com certeza, é hora de reabrir o clássico Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda. Ele definiu e explicou porque a “cordialidade brasileira” é passional, e, assim sendo, pode explodir para o bem ou para o mal. Loucamente estamos vivendo na segunda alternativa. Que o diga a dor eterna dos parentes das mulheres assassinadas, dos parentes dos filhos assassinados, e dos parentes dos assassinos suicidas.
TRAGÉDIA NA BARRA DA TIJUCA O engenheiro Nabor e seus dois filhos: ele assassinou as crianças a golpes de martelo, matou a esposa a facadas e saltou do décimo oitavo andar do prédio onde moravam
Dentro dos contornos da violência a massacrar o gênero feminino pelo único fato de ele ser feminino, embora no caso a seguir não se possa falar direitamente em passionalismo porque isso implica idade adulta, é estarrecedor o que se viu em Goiânia na semana passada. Um garoto de treze anos matou a facadas uma adolescente de catorze, sua vizinha e colega de escola. É influência dos tantos episódios de crimes passionais? O menino fez o que fez porque psiquiatricamente é portador de transtorno de conduta (indicativo de psicopatia na vida adulta)? É de tudo um pouco. À polícia ele disse que assassinou Tamires Paula de Almeida e carregava a mórbida intenção de “acabar com mais duas”. Disse ainda: “foi para ver de luto a sala de aula”. Agora prepare a cabeça, o coração e o estômago: “matei Tamires porque mulheres são mais fracas”. Brasil, é muita dor.
Com reportagem de Thais Skodowski

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Estudo francês revela que doces contém nanopartículas não informadas em embalagens

  Adriano Queiroz
Aditivo dióxido de titânio se apresentava em forma partículas 50 mil vezes menores que um fio de cabelo e gerou questionamentos sobre os efeitos na saúde dos consumidores do país Foto: Doctissimo
Alguns doces industrializados contêm aditivos em forma de nanopartículas sem que esta condição seja especificada nas embalagens, segundo um estudo francês, que questiona os efeitos para a saúde e lamenta a falta de transparência das empresas.
O estudo realizado pela revista francesa “60 millions de consommateurs” analisou a presença do aditivo E171 (dióxido de titânio), composto em parte de nanopartículas e utilizado frequentemente na indústria agroalimentar e cosmética para embranquecer doces, pratos preparados e pasta de dente.
Para a revista, publicada pelo Instituto Nacional do Consumo, o fato de que o aditivo se apresente em forma de nanopartículas – 50.000 vezes menores que um fio de cabelo -, gera questionamentos sobre os efeitos na saúde porque estas traspassam com mais facilidade as barreiras fisiológicas.
“Quando uma substância estranha se mete em uma célula, podemos supor que pode haver danos ou uma desregulação de algumas destas células”, explicou à AFP Patricia Chairopoulos, coautora do estudo, que critica as indústrias por uma “falta de vigilância” e de “rigor”.
O E171 na forma de nanopartículas foi encontrado sistematicamente nos 18 produtos doces testados pela revista, em proporções diversas: representou 12% desse aditivo nos biscoitos Napolitain de Lu, 20% nos chocolates M&M’s e 100% nos bolos da marca francesa Monoprix Gourmet. A presença do E171 está indicada nas etiquetas, mas sem a menção “nanopartículas”.
Chairopoulos destacou que um estudo publicado em janeiro por um instituto francês levantou suspeitas sobre este aditivo na forma nano, ao concluir que uma exposição crônica ao E171 favorecia o crescimento de lesões pré-cancerosas em ratos, sem que os pesquisadores extrapolassem, porém, esse risco para os humanos.
Em junho de 2016, a ONG Agir pour l’environnement alertou sobre a presença de nanopartículas, entre elas de dióxido de titânio, em uma série de produtos alimentícios.
Com informações: AFP

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O que é bronquite, dos sintomas ao tratamento

Essa doença, seja na versão aguda ou crônica, exige bastante cuidado. Mas tem como prevenir... e usar os remédios da melhor forma possível

  A bronquite é a inflamação dos brônquios, tubos que levam o oxigênio até os pulmões. Existe na forma aguda, quando sintomas como tosse, chiado no peito e dificuldade para respirar permanecem por no máximo algumas semanas, e na forma crônica, quando o problema acompanha o indivíduo pela vida toda.
A versão aguda atinge especialmente crianças e idosos, que estão mais suscetíveis ao ataque de vírus e bactérias — em algumas situações, ela é consequência de uma gripe, por exemplo. Pessoas alérgicas também estão no grupo de risco quando entram em contato com substâncias irritantes, como ácaro, pólen, poeira doméstica e fumaça.
No quadro crônico enquadram-se alguns portadores de asma e indivíduos com a doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC, fortemente associada ao cigarro. Ela seria a união entre a bronquite e o chamado enfisema pulmonar.
Seja agudo, seja crônico, o problema dá as caras quando os brônquios se inflamam, incham e ficam mais contraídos, além de produzir maior quantidade de muco na tentativa de limpar a área. Tudo isso dificulta ou emperra o trânsito de oxigênio até os pulmões. Os cílios, minúsculos pelos responsáveis por varrer a secreção para fora, também passam a não funcionar direito. E eis que a passagem de ar corre risco de ficar entupida.

Sinais e sintomas

– Falta de ar
– Irritação na garganta
– Pigarro constante
– Tosse com secreção
– Chiado no peito
– Dor no peito
– Febre

Fatores de risco

– Tabagismo
– Ambientes poluídos
– Locais fechados, que favorecem a contaminação por micróbios
– Ar condicionado, que resseca as vias aéreas
– Refluxo gastroesofágico
– Contato com pessoas gripadas ou resfriadas
– Contato com substâncias que despertam reações alérgcias

A prevenção

Como o tabagismo é um dos principais responsáveis pela bronquite, seja ela aguda ou crônica, largar o cigarro de vez (ou evitar contato com a fumaceira) é condição indispensável para escapar do problema.
Lavar as mãos com frequência, por sua vez, diminui o risco de levar vírus e bactérias para as vias respiratórias. Para os alérgicos, além de manter distância das substâncias que servem de gatilho às complicações respiratórias, aconselha-se caprichar na hidratação nos meses mais secos. E isso pode ser feito com inalação e soro fisiológico.
Ficar longe de inseticidas, spray de cabelo e outros itens livra as vias aéreas de outros fatores irritantes. Quem trabalha em ambiente infestado de partículas nocivas, poeira, fumaça e gases não pode abrir mão da proteção de máscara de proteção.
Tomar a vacina contra gripe fortalece as defesas e, não por acaso, a medida é oferecida todo ano prioritariamente a quem já tem uma doença crônica nos pulmões.

O diagnóstico

Na consulta, o médico vai perguntar sobre os sintomas, especialmente a frequência e duração dos períodos de tosse, falta de ar e dor ou chiado no peito. Ele precisa ser informado sobre hábitos como fumar e trabalhar exposto a fumaça, pó de madeira, cimento, fiapos minúsculos de algodão, entre outros poluentes.
O profissional vai auscultar os pulmões com o estetoscópio para detectar ruídos respiratórios anormais. Ele poderá também solicitar uma radiografia do tórax, que mostra as condições das estruturas do pulmão e ajuda a excluir outras doenças, como a pneumonia. Exames de sangue apontam se há infecção. Outro recurso é a oximetria, usada para medir o nível de oxigenação no sangue por meio de um aparelho similar a um pregador de roupa colocado no pulso ou na orelha.
Para completar a análise, é possível lançar mão de um teste específico para avaliar a quantas anda a função pulmonar: a espirometria. O paciente inspira e expira em um tubo ligado a um equipamento, o espirômetro, que indica a velocidade e o volume de ar produzido pelo sopro.

O tratamento

Para dar fim aos episódios de bronquite aguda, a recomendação é hidratar as vias respiratórias com inalação e soro fisiológico. O uso de umidificadores de ar ou vaporizadores ajuda a soltar o muco e facilita a respiração.
Para os períodos críticos, os especialistas receitam anti-inflamatórios, broncodilatadores e, nas infecções por bactéria, antibióticos. Lembrando que essa medicação não é útil quando a contaminação é viral e usá-la indiscriminadamente atrapalha sua eficácia quando ela é de fato necessária.
Já a bronquite crônica exige um tratamento de longo prazo. Para começar, o paciente precisa permanecer longe dos fatores irritantes, incluindo aí a fumaça do cigarro dos outros, porque o fumante passivo também está propenso a encarar a doença.
Medicamentos à base de corticoides, em doses controladas pelo médico, são receitados para conter a inflamação e dar alívio aos sintomas. E sessões de exercícios respiratórios orientados por um fisioterapeuta são de grande valia para promover a melhora no desempenho do pulmão.
Nos estágios mais avançados da bronquite crônica, particularmente na DPOC, pode ser necessário recorrer à oxigenoterapia, o uso de oxigênio em casa.