segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Câncer de próstata, diagnóstico precoce é o caminho para a cura

No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, especialista explica o que você precisa saber sobre uma das doenças mais comuns na ala masculina

Em novembro de 2003, surgia na Austrália o movimento Movember — união das palavras em inglês Moustache (bigode) e November (novembro) —, quando homens deixaram crescer o bigode para chamar atenção à saúde masculina e fazer um alerta sobre o câncer de próstata. A campanha expandiu-se pelo mundo e inspirou o Novembro Azul, criado em 2011 pelo Instituto Lado a Lado pela Vida para promover ações de esclarecimento sobre a doença no Brasil.
Quando excluímos os tumores de pele, o câncer de próstata figura como aquele mais comum em homens acima dos 50 anos. É também a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos. No Brasil, está por trás de 62 mil novos casos e 13 mil óbitos por ano.
A doença, em geral, evolui lentamente, mas existem casos agressivos. Sabe-se que um em cada seis homens terá o problema, mais frequente em negros e naqueles que possuem parentes de primeiro grau que tiveram o câncer. Quando acomete homens com menos de 50 anos, pode estar associado a mutações genéticas hereditárias do gene BRCA 1 e/ou 2, o mesmo relacionado aos cânceres de mama e ovário hereditários nas mulheres.
Devemos ficar atentos à condição porque, na fase inicial, não costuma apresentar sintomas. Eles aparecem mais nos estágios avançados — dores nas costas, nas pernas e nos quadris podem surgir em função da disseminação da doença para os ossos, por exemplo. É comum, no entanto, a presença de sinais de hiperplasia (aumento) da próstata, situação benigna que pode coexistir com o câncer e provocar diminuição na força do jato miccional, aumento na frequência das idas ao banheiro e esvaziamento incompleto da bexiga.
Estudos já tentaram demonstrar se alguns alimentos, vitaminas, suplementos antioxidantes ou mesmo fármacos seriam capazes de prevenir o câncer de próstata, mas, até o momento, não há evidências contundentes de que seja possível evitá-lo. As pesquisas indicam o envelhecimento como principal fator de risco. Dieta com alto teor de gordura animal, obesidade e sedentarismo também podem estar associados à maior probabilidade de desenvolvê-lo.

O impacto do diagnóstico precoce

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia e da Associação Europeia de Urologia recomendam o rastreamento do câncer de próstata em homens a partir dos 50 anos ou a partir dos 45 no caso de negros e homens com histórico familiar da doença.
Dois exames são essenciais para o diagnóstico: a dosagem no sangue do PSA e o toque retal.
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína que pode ser encontrada no tecido prostático, no sêmen e na corrente sanguínea. Pode estar alterado em diferentes contextos, caso de prostatites (infecções da próstata), hiperplasia e do próprio câncer. Um resultado normal no PSA, isoladamente, não exclui a possibilidade de haver um tumor maligno. Daí a necessidade do toque retal.
Embora ainda visto com certo preconceito, não há atualmente outro exame com a mesma eficiência. Quando realizado por um médico bem treinado, o toque dura segundos, é indolor e permite avaliar características fundamentais para o diagnóstico de doenças prostáticas. Se, após esses exames houver suspeita da doença, pode ser necessária uma biópsia para confirmar o diagnóstico.
O câncer de próstata tem comportamento variável. Pode ser de baixa, intermediária ou alta agressividade, estar localizado apenas na próstata, avançado localmente ou já espalhado em outros órgãos.
O tratamento é baseado nesses fatores e em características individuais do paciente. Cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia e vigilância ativa (quando o urologista segue acompanhando, mas não é feita uma intervenção direta no problema) são as estratégias que podem ser tomadas isoladamente ou em associação. O tratamento ideal é personalizado e busca a melhor forma de combater o câncer com menor grau de agressão ao paciente.
Felizmente, quando a doença é detectada em fase inicial, a chance de cura ultrapassa os 90%. Por isso, ajude a propagar essa mensagem em mais um Novembro Azul. Além de salvar vidas, a detecção precoce permite recuperar a alegria e a autoestima dos homens, assim como o bem-estar da família.
* Prof. Dr. Hamilton de Campos Zampolli é urologista, doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo e membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida 

sábado, 18 de novembro de 2017

Os tratamentos que os seguros terão de oferecer em 2018

A lista da ANS de procedimentos a serem cobertos pelos planos de saúde foi atualizada. Entre eles, estão remédios para câncer e esclerose múltipla

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde no país, divulgou os 18 procedimentos que as prestadoras serão obrigadas a fornecer a partir de janeiro de 2018. São exames, operações e remédios mais modernos disponibilizados para um universo de 42 milhões de usuários.
“A revisão é feita de dois em dois anos, com a ajuda também de consulta pública. Esse ano, recebemos mais de 5 mil sugestões, sendo que metade vem dos próprios consumidores”, aponta Karla Coelho, médica e diretora de Normas e Habilitação de Produtos da ANS.
SAÚDE destrinchou a lista, trazendo os principais destaques para você:

Para o tratamento do câncer

São oito novos quimioterápicos orais, que combatem tumores no pulmão, melanomas, leucemia e outros. Desde 2014, os convênios fornecem opções dentro dessa linha da quimioterapia, que permite que ela seja feita até em casa em algumas situações.
A novidade é a chegada de fármacos com menos efeitos colaterais. “Eles combatem moléculas específicas e, assim, são menos tóxicos”, explica Arthur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
A incorporação é comemorada, mas com ressalvas. “Vejo essa liberação como um pouco tardia. Alguns deles já estão disponíveis há três anos nos Estados Unidos e, desde então, estamos brigando para ter por aqui. Se a Anvisa já autorizou a comercialização desses medicamentos, por que passar por uma segunda análise? ”, pondera Malzyner.

Para a saúde dos olhos

O principal avanço é para os indivíduos com diabetes. “Incluímos a tomografia de coerência óptica, que é um exame que identifica o impacto da retinopatia diabética”, conta Karla. “E também disponibilizamos uma injeção contra esse quadro que melhora a acuidade visual”, completa. A condição é uma das principais causas de cegueira no mundo em pessoas com idade produtiva.

Para quem tem esclerose múltipla

Os convênios passam a oferecer o natalizumabe. “É o primeiro tratamento específico para a doença, que melhora muito a qualidade de vida do paciente”, aponta Karla.
Basicamente, o imunobiológico trabalha para impedir que algumas células de defesa entrem no cérebro e na medula espinhal do sujeito com o distúrbio. Suspeita-se que essa invasão esteja por trás de parte dos estragos provocados pela esclerose múltipla.

Para crianças

Agora, há uma cirurgia mais simples e menos invasiva, feita por endoscopia, para corrigir o refluxo vesicoureteral, uma malformação que provoca infecções urinárias nos bebês. Além disso, os planos de saúde terão que colocar à disposição o tratamento preventivo contra o vírus sincicial respiratório (VSR).
“O medicamento aumenta a imunidade da criança e reduz o risco de pneumonia e outras complicações, especialmente nos prematuros, que estão mais suscetíveis a infecções respiratórias repetidas provocadas por esse agente”, explica Carla.

Para mulheres que precisam fazer cirurgias

São quatro laparoscopias, um grupo de operações menos invasivas feitas por vídeo. Uma para tratar câncer de ovário, outra para restaurar suporte pélvico e duas direcionadas para mulheres com problemas nas trompas.
A lista completa de procedimentos pode ser conferida aqui.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Hospitais do Estado carecem de medicamentos e materiais -Ce

Profissionais do Hospital de Messejana denunciam a falta de insumos e o atraso de pagamentos
Funcionários do Hospital de Messejana bloquearam uma das faixas da Avenida Frei Cirilo, na manhã de ontem, em protesto pelas dificuldades enfrentadas na unidade de saúde, como o atraso no pagamento de salários ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )
por João Lima Neto - Repórter
O Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) afirma que a situação é semelhante em outras unidades, como o Hospital Geral ( FOTO: HELENE SANTOS )
Falta de medicamentos, materiais de cirurgia e até salários atrasados. Esse é o retrato de algumas unidades hospitalares do Estado. Pacientes transplantados no Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, o Hospital de Messejana, estão enfrentando dificuldades para ter acesso a medicamentos. Outro problema denunciado por profissionais da saúde é a ausência de materiais cirúrgicos, além no atraso de pagamentos de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Na manhã de ontem, funcionários da unidade de saúde bloquearam uma das faixas da Avenida Frei Cirilo em protesto pelas dificuldades enfrentadas no hospital.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec) afirma que a situação é semelhante em outras unidades do Estado. Em ofício enviado à Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública, o órgão cita problemas iguais no Hospital Geral de Fortaleza (HGF).
Paula Rodrigues, transplantada do coração, mora em Maranguape e segue, a cada 10 dias, ao Hospital de Messejana para pegar sua medicação. Nas últimas semanas, no entanto, ela esteve no local apenas para escutar o "não temos medicamento". A jovem chegou a se deslocar três vezes à unidade de saúde, sem sucesso. "Eu moro longe. Tenho dificuldades de respiração. Enfrento o sol. Gasto dinheiro que não tenho. Minha família que ajuda. É triste".
Em defesa de enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Ceará (Sindisaúde) conta que o pagamento dos funcionários do Hospital de Messejana está atrasado desde outubro. "Nossa intenção é chamar atenção da Secretaria da Saúde do Estado. O problema é que, quando os cooperados procuram a direção do Hospital, eles não apresentam perspectivas de pagamento para o que está atrasado, além dos futuros", diz Marta Brandão, diretora do sindicato. Durante o ato na Avenida Frei Cirilo, os trabalhadores decidiram que, não havendo o pagamento dos salários até este sábado (18), na segunda-feira (20), haverá nova paralisação.
A situação atingiu também outras regiões do Estado. No mês passado, um memorando assinado por Carla Suelen Carneiro Soares, coordenadora Médica da Neonatologia do Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral, determinou o fechamento dos leitos neonatais. A crescente falta de insumos tais como cateteres, antibióticos, suplementos alimentares, entre outros itens, além da sobrecarga de trabalho e reajuste de plantões dos profissionais da saúde, geraram má condições de trabalho.
A coordenadora comunicou, pelo memorando, que o fechamento da regulação de pacientes para a neonatologia do HRN se daria até que houvesse a redução de pacientes. No informe, a gestora fecha, também, a regulação de gestantes.
Intervenções
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) informou, em nota, que recebeu ofício dos profissionais de saúde. Segundo o promotor Luciano Percicotti, as entidades serão convidadas na próxima segunda-feira (20) para o repasse de mais detalhes sobre a denúncia e, assim, substanciar futuras ações, como a notificação dos eventuais responsáveis para prestar esclarecimentos. Em seguida, será a vez dos secretários de saúde do Estado e da Prefeitura de Fortaleza.
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou, por nota, que a descontinuidade pontual de alguns insumos médico-hospitalares deve-se a fatores que envolvem o fornecimento, como realinhamentos de preços, atrasos de entrega, requerimentos de troca de marca por parte dos ganhadores das licitações, além de trâmites burocráticos necessários para dar mais segurança ao processo de aquisição.
Sobre o serviço da cooperativa Coosaúde no Hospital de Messejana, a Sesa esclarece que o pagamento reclamado pelos cooperados refere-se ao serviço prestado no período de 21 de setembro a 20 de outubro. "De acordo com o contrato firmado, a Cooperativa precisa prestar contas com o Estado logo após o período do serviço prestado e, a partir da data da prestação de contas, a Sesa tem 30 dias para efetivar o pagamento", diz a nota.

Entrevista com Huygens Garcia -  Médico especialista em transplantes

Rede deve prestar assistência contínua
Quais as consequências da falta de medicamentos para pessoas transplantadas?
Qualquer pessoa transplantada necessita de medicamentos contínuos para que o órgão não seja rejeitado. Caso isso não aconteça, este paciente muito provavelmente terá que fazer uma nova cirurgia ou até mesmo pode ir a óbito. Por isso, defendo que a falta desses medicamentos é algo inadmissível e deve ser uma prioridade do sistema de saúde público do Estado.
Como isso impacta na fila de transplantes?
Se as pessoas transplantadas não têm medicamento consequentemente a fila de espera não andará. Os transplantes nesses hospitais devem ser cancelados. Não faz sentido, já que não há medicamento para o pós-operatório. Isso seria antiético. O Ceará acaba pagando um preço por ser uma referência, já que muitos pacientes vêm de regiões como norte e nordeste do País.
Para classe médica, o quanto esse problema é prejudicial?
O médico, de maneira geral, já carrega muita responsabilidade. A partir do momento que ele não tem estrutura, insumos e medicamentos para trabalhar da maneira correta esse problema acarreta graves consequências. Quem acaba pagando é o paciente, que não é tratado da forma adequada.
Patrício Lima
Repórter
Enquete
O que está faltando para você?
"Eu moro longe. Gasto dinheiro que não tenho com passagens. Preciso pedir aos meus tios. É triste. Já foi tão difícil fazer a cirurgia. Já foi tão difícil entrar em uma fila e esperar. Um medicamento tão simples".
Camila Soares
Transplantada
Minha filha é transplantada há seis, do coração. Já faltou medicação e ela está internada. Tem criança que passa meses internada. Ela toma imunossupressores. Estão esperando pessoas morrerem para resolver o problema".
Ane Caroline Pereira
Dona de casa
Saiba mais
Material cirúrgico em falta no hospital de Messejana:
Cateter venoso central
Conjunto descartável de circulação
Dispositivo de infusão venosa
Dreno cirúrgico
Enxerto arterial
Equipo copo
Fio de sutura (marcapasso)
Kit Impermeável
Liga clip
Sensor bis
Sistema de aspiração
Sonda foley
PAS adesivas
Medicamentos ausentes:
Amiodarona
Dexmedetomidina AMP
Obutamina AMP
Dopamina AMP
Fibrinogênio humano
Milrinona AMP

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Arboviroses são confirmadas em 159 municípios do Ceará

ncidência acumulada de casos prováveis das doenças chega a 2.411,1 por grupo de 100 mil habitantes
por Nícolas Paulino - Repórter
Apesar das sucessivas campanhas educativas promovidas pelo poder público e das ações de vigilância e controle vetorial por parte da população cearense, a propagação das arboviroses - dengue, zika e chikungunya - revela um cenário epidêmico alarmante: 159 (86,4%) dos 184 municípios do Estado já confirmaram casos de pelo menos uma das doenças, conforme o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde (Sesa), divulgado em 10 de novembro.
A incidência acumulada de casos suspeitos das arboviroses é de 2.411,1 por 100 mil habitantes. Atualmente, oito municípios apresentam acima de 300 ocorrências notificadas por 100 mil habitantes, índice considerado como "alta incidência".
No entanto, segundo o boletim, a análise do cenário epidemiológico das três arboviroses, nas últimas cinco semanas, permite a observação de uma queda no registro de casos, associada, provavelmente, à sazonalidade das doenças (mais comuns no período chuvoso) e à redução do número de pessoas suscetíveis. Predominante se comparada às outras duas, a chikungunya já vitimou 136 pessoas no Estado, residentes em 17 municípios.
Óbitos
No levantamento anterior, publicado em outubro, eram 117 mortes. Hoje, a Capital lidera com 105 óbitos confirmados por chikungunya, seguida de Caucaia (5), Acopiara (3), Aracati (3), Maracanaú (3) e Maranguape (3). Beberibe, Itapajé e Senador Pompeu registraram dois óbitos cada, e Jaguaretama, Marco, Morada Nova, Pacajus, Piquet Carneiro, Trairi, Umirim e Viçosa, um óbito cada.
Os casos notificados da doença também subiram. Em outubro, foram 130.920 suspeitas de chikungunya, dos quais 92.752 tiveram confirmação. Um mês depois, são 134.223 notificações, com 96.299 confirmações. Dos 184 municípios cearenses, apenas quatro - Catunda, Pires Ferreira, Potengi e Tarrafas - não notificaram casos suspeitos de chikungunya. A taxa de incidência acumulada dos casos suspeitos é de 1.497,4 casos por 100 mil habitantes.
Dengue
Neste ano, foram notificados 78.591 casos de dengue no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), correspondendo a uma taxa de incidência acumulada de 876,7 casos por 100 mil habitantes. Apenas um município não registrou caso de dengue no Estado: Pires Ferreira. Ao todo, foram confirmados 30,2% (23.798) dos casos em 159 municípios.
Dos 24 casos de dengue grave (DG) registrados no Estado, 16 foram a óbito. Também foram confirmados 87 casos de dengue com sinais de alarme (DCSA). Em relação à zika, em 2017, foram registrados 3.307 casos suspeitos em 102 municípios do Estado. Destes, 489 foram confirmados, sendo 68 em gestantes.
Plano
Em junho, o Governo do Estado anunciou incentivo de R$10 milhões para investimentos em ações de combate ao Aedes aegypti. Para participarem do rateio, os municípios devem cumprir, até dezembro, critérios como a cobertura mínima da visita domiciliar de 80% dos imóveis do município e a apresentação do Plano Municipal de Ação de Vigilância e Controle das Arboviroses para 2018.
A Sesa orienta que o manejo clínico adequado do paciente e ações de controle vetorial sejam enfatizados e intensificados pelos profissionais de saúde e gestores dos municípios.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Quadro de Schumacher apresenta melhora e família se sente mais confiante

Ex-piloto de Fórmula-1 segue com tratamento em unidade médica em casa

Suíça - Desde que passou a viver em uma unidade médica adaptada em sua própria casa na Suíça, em setembro de 2014, o estado de saúde de Michael Schumacher teve raríssimas atualizações por parte dos médicos e da família. Porém, segundo o jornal alemão, Bunte, o ex-piloto de Fórmula-1 apresentou uma melhora recente. As informações deixaram os familiares do alemão com mais esperança.
"Tanto Corinna, a sua mulher, e os seus filhos ainda estão à espera de um milagre médico", disse um amigo da família ao periódico alemão.
Michael Schumacher sofreu grave acidente em 2013 Site Oficial do Michael Schumacher
A mesma fonte ainda afirmou que o ex-piloto tem "enviado sinais a partir do seu mundo distante" e que, apesar das circunstâncias, "está bem". revelou.
O diário britânico The Sun , porém, divulgou que a família do ex-piloto alemão estaria gastando cerca de 135 mil euros por semana com a sua recuperação do acidente de esqui sofrido em 29 de dezembro de 2013, nos Alpes Franceses. Ou seja, R$ 462 mil semanais.
Em 2013, pouco antes de sofrer o grave acidente de esqui, a fortuna do ex-piloto de Fórmula 1 estava avaliada em cerca de R$ 36,6 bilhões

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Avatar contra a obesidade

A realidade virtual ganha espaço na briga contra a balança. Ela ajuda os pacientes a mudarem hábitos na vida real

Crédito: Sean Prior / Alamy Stock Photo
O paciente é estimulado a associar o exercício a bem-estar (Crédito: Sean Prior / Alamy Stock Photo)
Mudar as emoções e o comportamento em relação à comida e à prática de exercícios físicos é passo chave para o sucesso de qualquer programa de emagrecimento. Duro é conseguir fazer isso. Para ajudar os pacientes nesta tarefa complicada, especialistas do mundo têm recorrido ao uso da realidade virtual. A ferramenta consiste em promover a inserção do paciente em cenários que o estimulem a adotar hábitos saudáveis, a se afastar de armadilhas, a controlar a ansiedade e a modificar a percepção que possuem do corpo. O recurso ganhou a aprovação científica por sua comprovada eficiência e conquista quem quer perder peso e sabe o quanto isso pode ser difícil.
No Brasil, uma das que utiliza a tecnologia é a psicóloga Vânia Calazans, de São Paulo. No sistema criado por ela, há algumas possibilidades. Em uma delas, o paciente é exposto a imagens que fazem parte de sua rotina verdadeira e gravadas por ele próprio. Uma situação comum é chegar em casa e exagerar na comida. Com a ajuda da terapeuta, a pessoa se imagina naquele mesmo contexto, porém escapando dos vícios. Em outra, quem detesta atividade física é exposto a cenas da prática de várias modalidades e incentivado a associar a elas sensação de bem-estar. A secretária paulista Eliane da Fonseca beneficiou-se com as estratégias. Perdeu mais de dez quilos sem muito sacrifício. “Incorporei as mudanças de verdade”, conta.
Vânia usa o recurso para auxiliar Eliane, que perdeu mais de dez quilos (Crédito:Emiliano Capozoli)
EFICÁCIA DE LONGO PRAZO
Giuseppe Riva, professor da Università Cattolica del Sacro Cuore, de Milão, é um dos principais investigadores do recurso. Um de seus estudos mostrou a eficácia para ajudar quem emagreceu a corrigir a imagem que tem do corpo. “É comum a pessoa perder peso mas continuar achando-se gorda”, explicou à ISTOÉ. “Usamos a realidade virtual para mostrar a ela a perspectiva real de seu corpo. Os resultados a longo prazo são muito melhores do que apenas dieta e terapia.” A experiência da psicóloga Vânia com o método é igualmente positiva. “As transformações de comportamento na vida real são gradativas, mas consistentes.”
Por que a tecnologia funciona
> Auxilia o paciente a mudar o comportamento e emoções em relação à comida, aos exercícios e ao corpo
> Corrige a imagem corporal ao expor o paciente a uma perspectiva real de seu corpo
> Ajuda o indivíduo a achar formas de controlar a ansiedade que o leva a comer demais
> Também cria associações negativas com alimentos prejudiciais à saúde. Aos poucos, a pessoa para de consumi-los
No cérebro
> Há forte atividade em áreas responsáveis pelo julgamento, emoções e processamento de informações multissensoriais

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Tireoide: os exames que avaliam a saúde da glândula

Em que situações os médicos solicitam a medição de TSH e T4, os hormônios que ajudam a flagrar o hipertireoidismo ou o hipotireoidismo

  Para descobrir como anda a tireoide, não há muito segredo. Dois exames de sangue dosam os hormônios associados a essa glândula, importante para o funcionamento de todo o organismo – em excesso, eles provocam o hipertireoidismo e, quando andam em baixa, estão associados ao hipotireoidismo.
Enquanto o TSH é produzido no cérebro para estimular o funcionamento da tireoide, o T4 é secretado por ela mesma. Hoje em dia, a análise do T4 total está caindo em desuso. É que os médicos preferem analisar o T4 livre, que é uma espécie de sobra do hormônio em circulação.

Para que servem os exames

O TSH é mais específico e, por isso, considerado padrão-ouro na avaliação da glândula. Os exames são usados no diagnóstico de disfunções como o hiper e o hipotireoidismo, quando a tireoide funciona rápido ou devagar demais, respectivamente.

Como são feitos

A pessoa fica em jejum por cerca de quatro horas no caso da medição do TSH e, no mínimo, por três horas para o T4. Depois, o técnico colhe uma amostra de sangue e envia para análise no laboratório.

Os resultados

O laboratório quantifica os hormônios presentes na amostra e, no laudo, o resultado vem junto com valores referência de normalidade para comparação. Os números variam de laboratório para laboratório. Esses são os do Fleury Medicina e Saúde:
TSH – 0,45 a 4,5 mUI/L
T4 Livre – 0,6 a 1,3 ng/dL
Valores abaixo ou acima desses podem indicar problemas.

Periodicidade

A dosagem do TSH é usualmente incorporada no checkup anual das mulheres a partir dos 35 anos e, depois dessa idade, repetido de cinco em cinco anos. Mas há controvérsias sobre a necessidade de pedir esses exames quando não há sintomas que indiquem panes na tireoide. Já o T4 livre só costuma ser indicado caso haja uma alteração nos valores de TSH.

Cuidados e contraindicações

Algumas situações podem interferir nos resultados, como a ingesta de hormônios tireoidianos sintéticos. Nesse caso, a coleta tem que ser feita antes de tomar o medicamento ou quatro horas depois.
Indivíduos que consomem suplementos com biotina devem suspender o uso três dias antes da coleta de sangue. Fatores como gravidez, idade fértil, presença de anemia e insuficiência cardíaca também precisam ser ponderados pelo médico na hora de interpretar os resultados.
Fonte: Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Uso da cirurgia bariátrica é ampliado entre diabéticos no Brasil

Decisão baixa o limite mínimo de peso para esses pacientes recorrerem à cirurgia, sob a alegação de que isso vai ajudar a controlar o diabetes

A cirurgia bariátrica não visa só o emagrecimento. Há algum tempo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou seu uso para pacientes que não conseguem controlar o diabetes tipo 2, desde que tenham um índice de massa corporal (IMC) acima de 35 – ensinamos a calcular o seu valor no fim da reportagem, mas estamos falando de casos de casos de obesidade severa.
A novidade? Um parecer da mesma entidade acaba de liberar a técnica para vítimas dessa doença com IMC entre 30 e 34,9, considerados obesos de grau 1. Ou seja, para diabéticos do tipo 2 menos cheinhos.
Antes de entrar na decisão em si e na polêmica por trás dela, convém dar magnitude à mudança com um exemplo. Um indivíduo com níveis de glicose descontrolados de 1,75 metro teria de pesar 107 quilos para chegar àquele limite de 35. Agora que o sarrafo mínimo do IMC baixou para 30, esse mesmo enfermo poderia ir para a faca a partir dos 92 quilos.
“Estimamos que 70 a 80% dos diabéticos do tipo 2 têm menos do que 35 no IMC. Nem todos são candidatos para o procedimento, mas o acesso ao tratamento foi ampliado”, defende o cirurgião Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Para justificar a mudança, o relatório do CFM reitera que essa operação ajuda, sim, a reduzir as taxas de glicose. Primeiro porque, claro, ela contribui para a perda de peso, uma medida fundamental no manejo do diabetes tipo 2. Segundo porque estimula a produção de substâncias corporais que, no fim das contas, reduzem a resistência à insulina e preservam o pâncreas, o órgão que produz esse hormônio.
Em um parecer que serviu de base para o documento do CFM, membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica – assim como de outras instituições – escrevem que, segundo trabalhos científicos, o tratamento cirúrgico normaliza a glicemia de diabéticos em 81% das vezes em um período de três anos. Outro artigo associa o procedimento a níveis glicêmicos normais durante ao menos dez anos em 36% dos casos.
Além disso, outros países que já aderiram a essa alteração foram usados de exemplo. A Inglaterra e os Estados Unidos estão entre eles.
Mas calma! A decisão não agradou a todos – e ainda é cheia de restrições, como você verá agora.

O outro lado da história

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) também haviam enviado uma nota ao CFM sobre o assunto. No entanto, essas instituições eram contrárias à redução do limite no IMC de 35 para 30.
No comunicado, critica-se alguns dos estudos levantados para ampliar a recomendação da cirurgia bariátrica aos diabéticos. Eles, por exemplo, avaliariam um número pequeno de pacientes com IMC entre 30 e 34,9.
Mais: faltam dados sólidos sobre a mortalidade dos indivíduos com diabetes tipo 2 submetidos à técnica, assim como na redução de encrencas como infarto e AVC – o próprio comunicado do CFM admite isso. Assim, não daria pra ter certeza se essa operação fará enfermos viverem mais e sofrerem menos com as consequências mais danosas da doença em questão.
O cirurgião Ricardo Cohen não vê dessa maneira. “A decisão de diminuir o limite do IMC para 30 veio até atrasada. Temos evidências fortes dos benefícios da cirurgia metabólica para o controle do diabetes”, assegura.

Liberou geral?!

Pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri demonstra preocupação com o parecer do CFM. Isso porque poderia incentivar o atropelamento de etapas imprescindíveis antes da operação.
“O documento pede que a doença esteja descontrolada há mais de dois anos antes de optar pela cirurgia. Mas o texto é subjetivo em alguns momentos”, opina. Em resumo: haveria um risco de pacientes sem necessidade acabarem indo para a faca.
Segundo Couri, quem tem condições de pagar pode ir direto ao cirurgião e solicitar a bariátrica. “Mas, para ela ser eficaz, deve ser indicada por um endocrinologista de confiança, com o aval de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista e psicólogo”, arremata.
Em comunicado à imprensa, o médico Cid Pitombo, recordista em cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde, também pediu cautela. “Em obesos mórbidos, o método é indiscutivelmente benéfico, mas me preocupa a ideia de que isso seja aberto de uma forma mais ampla”, afirma. “Se você é portador de diabetes, está com o IMC entre 30 e 35, antes de ser operado, tenha certeza que tanto seu cirurgião quanto o grupo de endocrinologistas são especializados no assunto. Não se arrisque”, conclui.
Por outro lado, cabe ressaltar que o parecer do CFM afirma, com todas as letras, que a cirurgia bariátrica só deve ser realizada após a autorização de dois endocrinologistas. Ela também exige o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar antes e depois do procedimento. E define, como idade mínima, os 30 anos – a máxima é de 70.
No mais, os pacientes só devem recorrer ao método se o diabetes foi diagnosticado há menos de dez anos, quando o pâncreas está mais preservado e, portanto, a cirurgia confere mais benefícios. Dependentes químicos ou indivíduos com histórico de doença mental precisam passar por uma avaliação do psiquiatra antes de receberem autorização. Entre outras coisas.
“Não há como ser mais restritivo do que isso. Se algumas pessoas ou profissionais não seguem as regras, a culpa não é do parecer do CRM”, argumenta Cohen. “Temos de monitorar os casos e nos certificar de que todas as medidas de segurança serão tomadas”, diz.
Se fosse para resumir tudo isso em algumas poucas linhas: independentemente do IMC e do controle do diabetes, a cirurgia bariátrica trará mais resultados benéficos – e menos efeitos colaterais, que não são poucos – quando entra em cena em casos muito bem selecionados, nos quais o paciente passa por um acompanhamento antes, durante e depois da operação.

O tal IMC

Para saber o seu IMC, basta dividir o seu peso (quilos) pela altura (metros) ao quadrado. Se o número ficar entre 20 e 25, você está em forma.
Se estiver entre 25 e 30, é sinal de sobrepeso. Pessoas com IMC acima de 30 são consideradas obesas de grau I; acima de 35, de grau 2. E, quando estouram o patamar de 40, possuem obesidade de grau 3 (também chamada de obesidade mórbida).

terça-feira, 7 de novembro de 2017

É melhor comer mamão com ou sem sementes? E a casca?

Dessa fruta, tudo se aproveita. Saiba como garantir seus benefícios à saúde

  Muito se ouve sobre os atributos da polpa do mamão. Mas desta vez foram as sementes que despertaram a curiosidade do leitor João Luiz Nicolao: será que perdemos nutrientes importantes ao deixá-las de lado?
Para a nutricionista Natália Rodrigues, da ONG Banco de Alimentos, em São Paulo, faltam pesquisas relacionadas a essa parte específica da fruta. “No entanto, acredita-se seja uma ótima fonte de fibras, ampliando a saciedade e auxiliando no funcionamento do intestino”, diz.
O ponto é que a mastigação seria essencial na absorção dessas fibras. “Uma boa dica é assá-las e consumi-las como petisco”, ensina Natália. Se o gosto amargo for um problema, experimente triturá-las e incrementar iogurtes e saladas de frutas, por exemplo.
A casca, por sua vez, merece ainda mais destaque. “Ela reúne uma quantidade maior de proteínas, fibras, potássio e fósforo do que a polpa“, explica Natália. Se quiser sair do óbvio na cozinha, vale inclui-la em sucos, vitaminas e receitas de bolo.

E a polpa do mamão?

Além das fibras, ela é rica em papaína. Essa substância ajuda a digerir as proteínas, melhorando o seu aproveitamento e facilitando ainda mais o trânsito intestinal. A polpa ainda carrega doses de vitamina C. É, realmente vale a pena aproveitar tudo dessa fruta.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Operação fará 30 cirurgias gratuitas de fissura labial


A iniciativa mudou a vida do pequeno Jonas Nunes Pequiar, que aparece na foto ao lado da mãe Jessica Brenda Nunes da Silva Pequiar ( Foto: Reinaldo Jorge )
Olhares preconceituosos e curiosidade invasiva. É o que Jessica Brenda Nunes da Silva Pequiar vivenciava quando saía com seu filho, Jonas Nunes Pequiar, que nasceu com lábio bilateral, um tipo de fissura labiopalatal. Em 29 de outubro de 2016, dia em que completou 1 ano de idade, Jonas passou por sua primeira cirurgia de reconstrução através da Operação Sorriso.
A iniciativa chegou à Fortaleza há 20 anos, e comemorará esse marco no sábado (28). A partir das 8h, serão selecionados 30 pacientes para receberem cirurgias gratuitas que serão realizadas entre 30 de outubro e 2 de novembro, no Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS).
Os procedimentos incluem operações regulares de lábio e palato, mas trazem uma novidade em relação aos anos anteriores: o enxerto ósseo. É um procedimento padrão para casos em que há falta de estrutura óssea próxima à gengiva, em pacientes com idade a partir de sete anos que possuem dentição mista, e será realizado pela Operação Sorriso na capital cearense pela primeira vez.
A ação reúne 60 voluntários profissionais, do Brasil e de outros países, incluindo cirurgiões, anestesistas, pediatras, enfermeiros, dentistas, fonoaudiólogos e psicólogos. Será "um coro multidisciplinar", como descreve Ana Stabel, diretora executiva da Operação Sorriso.
Para participar, basta comparecer à seleção no dia 28, levando documentos de identificação do paciente e também do responsável, caso o paciente seja menor de idade. No mesmo dia, os 70 pacientes operados no ano passado poderão retornar para a consulta pós-operatória de 1 ano.
Amparo
A iniciativa mudou a vida de Jonas Nunes Pequiar logo no começo. "Ano passado, ele foi agraciado com uma das vagas para fazer a cirurgia. Ele fechou os dois lados do lábio e levantou um pouco o nariz", explica Jessica Brenda Nunes da Silva Pequiar, mãe do bebê. Com quase 2 anos de idade, Jonas ainda precisa passar por outras cirurgias, dentre elas, a de enxerto ósseo, que só poderá realizar mais tarde.
Até os 18 anos, ele continuará a ser acompanhado por um dentista e um fonoaudiólogo do Hospital Infantil Albert Sabin. Apesar do longo processo, Jessica descreve a experiência da primeira cirurgia como "algo lindo".
"A equipe da Operação Sorriso é esplêndida. Eles estiveram comigo em todos os momentos, foi incrível. Eles me deram suporte da hora em que eu entrei no hospital até hoje. Eles ligam perguntando como está o Jonas, como eu estou. Eu me senti muito amparada", relata Jessica.
A Operação é uma organização médica voluntária global que, neste ano, junto ao Hospital Infantil Albert Sabin, zerou a fila de espera para cirurgia de correção de fissura labial. "Com isso, podemos criar outros polos de cirurgia dentro do Estado", diz a diretora executiva Ana Stabel. (Colaborou Barbara Câmara)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Câncer infantil: desafios em busca da cura

Conheça as particularidades do tratamento de tumores em crianças

Poucas pessoas sabem, mas o câncer infantil é mais agressivo e invasivo quando comparado aos tumores que acometem os adultos. Na maioria dos casos, os sintomas são difíceis de ser reconhecidos e facilmente confundidos com os de outras condições, o que provoca atraso no diagnóstico. Logo, não é incomum se fazer a detecção quando a doença já está disseminada.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tumores representam a primeira causa de morte por doença entre crianças e jovens de 1 a 19 anos. Só em 2017 estima-se que ocorrerão 12,6 mil novos casos no Brasil.
O cenário pode soar desanimador, mas existe um lado positivo: pelo mesmo motivo que o câncer infantil é agressivo, as chances de cura também são altas. Isso acontece porque as doenças da infância, caso da leucemia linfoide aguda (LLA), têm uma característica que as torna mais responsivas a certos tratamentos. A LLA ataca os glóbulos brancos e faz com que tais células se multipliquem mais rápido. Ora, são justamente as células em constante proliferação que respondem melhor à quimioterapia.
O diagnóstico precoce também é importante, mas demanda que sejam trabalhados outros fatores essenciais para alcançarmos um modelo de saúde qualificado e favorável à cura do câncer. É o que mostrou um estudo recente e do qual fiz parte publicado na revista científica The Lancet Oncology. Do que falamos? De educação da comunidade, aumento no número de profissionais capacitados, pesquisas relevantes no setor, uma rede de conexão entre hospitais regionais, colaboração internacional e acesso a diagnóstico e tratamentos precisos.
No Hospital Santa Marcelina, onde atuo em São Paulo, já foram atendidos, em parceria com a TUCCA, mais de 2 900 crianças e adolescentes de todo o país desde 1998. Dos 286 casos de câncer diagnosticados na oncopediatria do hospital em 2016, o tipo mais comum foi a LLA, representando 28,4% dos episódios.
Na sequência aparecem o retinoblastoma (um tumor ocular), ocupando 13,7%, e os tumores do sistema nervoso central, com 10,2%. Os linfomas configuram 9% dos casos e, em números menores, vêm os tumores renais, ósseos, sarcomas e o neuroblastoma.
Somente com a união de políticas e estratégias em prol do diagnóstico precoce, do tratamento efetivo e da cura é que vamos prosperar na luta contra o câncer infantil.
*Sidnei Epelman é oncologista pediatra, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital Santa Marcelina (SP) e presidente da TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer)

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Trombose e a síndrome da classe econômica: risco negligenciado

Médica que pesquisa e dá aulas sobre o tema relata uma experiência pessoal que teve com a doença

Conhecer novos lugares, culturas diferentes… Enfim, enriquecer social e culturalmente. Viajar é uma maravilha. Mas, como em quase tudo na vida, o turismo também exige cuidados específicos para que as coisas corram conforme o planejado, inclusive em relação à saúde.
Senti um dos efeitos colaterais de uma viagem longa de avião na própria pele. Logo eu, que sou médica hematologista e trabalho na conscientização de pacientes e estudantes de medicina sobre os perigos da trombose, fui vítima de uma embolia pulmonar grave ao voltar de Lisboa. Mal desembarquei da aeronave e tive de ser socorrida pela equipe do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A embolia pulmonar é uma das manifestações da trombose venosa que mais trazem risco à vida. Ela ocorre quando um coágulo, geralmente formado nas veias dos membros inferiores, se desprende e se aloja nos vasos pulmonares, obstruindo-os.
A imobilização prolongada das pernas, a posição sentada e o aperto provocado pelos assentos de avião fazem o sangue nas veias dos membros inferiores estagnarem. E essa alteração no fluxo sanguíneo é tida como a principal causa da trombose venosa. Aliás, a tal trombose venosa, quando relacionada à viagem, é conhecida como “síndrome da classe econômica”.
Esse quadro é pouco falado no Brasil – e aí que reside o perigo. Um estudo prospectivo observacional publicado em 2008 calculou que o risco de embolia pulmonar grave imediatamente após um voo aumenta com a duração da viagem e varia de zero em voos com duração inferior a três horas a 4,8 eventos por milhão em viagens com duração acima de 12 horas.
O 13 de outubro é o Dia Mundial da Trombose e temos que aproveitar a data para falar sobre os problemas decorrentes da doença e conscientizar a população. Especificamente no caso da síndrome da classe econômica, a maioria das companhias aéreas internacionais inclui, em sua revista de bordo ou em vídeo, orientações a respeito da prevenção da trombose venosa. Estou falando de recomendações de exercícios que devem ser feitos durante a viagem, do estímulo à ingestão de líquidos. Só não vale bebidas alcoólicas, que causam justamente o efeito contrário.
Infelizmente, no Brasil nenhuma das companhias aéreas nacionais com trajetos acima de quatro horas apresentam em qualquer local informação similar. Além disso, ao menos em minha experiência pessoal, a equipe médica de atendimento do aeroporto não se mostrou preparada para considerar o diagnóstico e muito menos para conduzir um tratamento adequado.
Foi meu conhecimento médico que me permitiu analisar o quadro e organizar a minha própria remoção para um hospital local, onde foi confirmado o diagnóstico e iniciado o tratamento. Aqui é importante lembrar que o serviço médico da operadora aeroportuária estatal está incluso na taxa de embarque, que é paga por todos os passageiros.
Esta é uma situação particularmente preocupante, tendo em vista o incremento do número de passageiros em viagens aéreas internacionais. De acordo com dados do Ministério do Turismo, mais de 10 milhões de passageiros desembarcaram de voos internacionais no Brasil em 2016. Baseados nessa informação, temos uma dimensão de quantas pessoas podem ter desenvolvido trombose venosa sintomática, embolia pulmonar grave e embolia pulmonar fatal imediatamente após o voo.
É fundamental que, no Dia Mundial da Trombose, disseminemos ao máximo essas informações para que os nossos representantes na esfera legislativa atentem para a situação e trabalhem em um projeto de lei que torne obrigatória a inclusão das informações de prevenção e tratamento desse problema em voos de duração superior a quatro horas.
Também é urgente a necessidade de capacitação das equipes médicas dos aeroportos para o pronto atendimento e diagnóstico das diversas manifestações da trombose venosa, em especial da embolia pulmonar. De novo, estamos falando de uma condição potencialmente fatal.
Dessa maneira, todos teremos a garantia de que as únicas recordações de nossas viagens serão as felizes.
*Médica hematologista, PhD em Hematologia pelo Imperial College London, Universidade de Londres e pós-doutora em Epidemiologia Clínica pela Universidade de Leiden, Países Baixos.
Professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.
Membro do Conselho Diretor da International Society of Thrombosis and Haemostasis (ISTH) e coordenadora do ISTH Regional Training Center em Belo Horizonte. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Febre amarela na cidade de São Paulo: o que é importante saber

Um macaco encontrado morto com o vírus dessa doença iniciou um plano emergencial de vacinação na capital. Fique por dentro

  A febre amarela voltou a ganhar os holofotes graças a confirmação de que um macaco encontrado morto no parque do Horto Florestal, na zona norte de São Paulo, tinha o vírus. De lá para cá, milhares de paulistas que moram na região foram vacinados – e o governo estadual pretende imunizar pelo menos 1 milhão de habitantes dessa parte da cidade.
Por medidas de segurança, tanto o Horto Florestal quanto o parque da Cantareira foram fechados. Outros macacos mortos estão sendo investigados pelas autoridades.
Alguns postos das redondezas já estão disponibilizando vacinas contra a febre amarela. Aí é uma questão de os moradores irem a esses estabelecimentos e tomarem a dose.
O secretário estadual da saúde, David Uip, reitera que não há motivo para pânico. Segundo ele, as autoridades estão agindo rapidamente para minimizar qualquer risco de espalhamento da doença e dificilmente o problema atingirá a capital como um todo.
Vale ressaltar que o estado inteiro de São Paulo contabiliza 22 casos e 10 mortes por febre amarela. E nenhum representa um “caso urbano” – ou seja, transmitido dentro de grandes centros urbanos. Não há episódio desses no estado desde 1942.

Eu devo me vacinar?

No momento, a recomendação é que as pessoas da região que nunca se vacinaram busquem os postos de saúde para se proteger. E, claro, sempre é bom adotar medidas contra os mosquitos transmissores da febre amarela.
Que bichos são esses? Eminentemente, o Haemagogus e Sabethes, comuns em regiões rurais. Via de regra, eles picam um macaco infectado e, aí, podem repassar a doença para os seres humanos que estão nos arredores.
O famigerado Aedes aegypti, endêmico nas cidades grandes, também é capaz de espalhar a doença, mas isso é menos comum. De qualquer forma, evitar o acúmulo de água parada é, sim, uma ótima medida nesse momento. Até porque também afasta dengue, zika e chikunungya.
E um recado: a vacina da febre amarela pode gerar efeitos colaterais, embora isso seja raro. Até por isso, não é indicada para gestantes, mulheres que estão amamentando, crianças com menos de 6 meses e pessoas imunodeprimidas.
O ideal é conversar com um médico para ver se você se beneficiaria da vacina. A orientação geral é a de que não há necessidade de tomá-la, a não ser que você vá para uma região com risco de infecção. E um adendo: a Organização Mundial da Saúde defende que apenas uma vacinação ao longo da vida já garante proteção. E o governo brasileiro incorporou essa regra este ano.
Em fevereiro, essa mudança ainda não havia acontecido por aqui. E foi nessa época que a SAÚDE gravou uma entrevista com o infectologista Jessé Alves, da Sociedade Brasileira de Infectologia, sobre os sintomas da febre amarela e o que fazer para se proteger. Claro que, de lá para cá, a situação mudou. Mas vale a pena rever para se resguardar:

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Cachorros podem ter Alzheimer?

Bichos mais velhos também estão sujeitos ao declínio cerebral. Nosso colunista explica essa história e no que ficar atento em casa

 
O aumento da longevidade dos cães observado nas últimas décadas fez com que algumas doenças típicas de animais idosos se tornassem mais prevalentes na medicina veterinária. A exemplo do que acontece em nós, humanos, problemas como diabetes, insuficiência cardíaca e insuficiência renal são cada vez mais frequentes nos velhinhos de quatro patas. Mas e o Alzheimer, que tanto nos preocupa em função do envelhecimento da população? Será que algo similar existe no mundo animal?
Pois saiba que cachorros podem sofrer com uma condição chamada Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC), popularmente conhecida como Alzheimer canino. Estudos recentes mostram que a incidência vem aumentando, e sabemos que o envelhecimento constitui fator determinante para o aparecimento e progressão da doença.
Uma pesquisa com 189 cães demonstrou há pouco que 28% dos animais entre 11 e 12 anos de idade apresentavam algum sinal da síndrome. Entre os cães com idades entre 15 e 16 anos o número de acometidos saltou para 68%!
E como reconhecer essa doença? Como identificar seus sinais? No mundo animal, de fato, fica mais complicado detectar alterações já que nossos amigos não se expressam falando. No entanto, os donos de cães idosos podem ficar alertas para indícios importantes de mudança comportamental, como urinar ou defecar em locais não habituais, portar-se de maneira não usual ao interagir com outros bichos ou pessoas, tornar-se muito agressivo ou, por outro lado, apático.
A qualidade do sono também pode ser afetada e o animal não raro apresenta períodos mais prolongados de vigília ou sono. A desorientação espacial, por sua vez, costuma vir acompanhada de dificuldade para percorrer rotas conhecidas, distinguir a saída da casa ou prever a hora da alimentação. Perda auditiva, redução da acuidade visual, olhar fixo e diminuição da resposta a comandos aprendidos são outros sinais de alteração neurológica correlacionados à síndrome.
Diante de suspeitas, a recomendação é procurar um especialista. O diagnóstico é realizado por um neurologista veterinário, que descartará outras condições por meio do exame clínico, testes de sangue, tomografia e ressonância magnética, além da resposta ao tratamento instituído.
Algumas medicações podem ser usadas para melhorar o impulso da transmissão entre os neurônios, outras atuam aumentando a vasodilatação cerebral (isto é, o aporte de sangue e nutrientes ao cérebro). Costuma-se associar aos remédios uma dieta especial para retardar a progressão do declínio neurológico. Alimentos ricos em antioxidantes, como vitaminas E, C e do complexo B, a gordura ômega-3 e o aminoácido L-carnitina tendem a ingressar no cardápio.
Inclusive, pensando nesse nicho, a multinacional suíça Nestlé lançou recentemente no Brasil uma ração específica para cães com alterações neurológicas, a Proplan Neurologic Care, primeiro produto com essa indicação no mercado pet mundial. Enriquecida com ácidos graxos de cadeia média, oferecem uma fonte alternativa de energia para melhorar a função cerebral. Segundo o fabricante, resultados de melhora de sintomas neurológicos podem ser observados em até 90 dias do início da nova dieta.
Nesse meio tempo, diante do crescimento das doenças neurodegenerativas entre os bichos mais idosos, estudos têm sido realizados com o objetivo de incrementar o diagnóstico e o tratamento. Tudo para ampliar a qualidade de vida dos pets que entram ou entrarão na terceira idade.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

“Fonte da juventude” é achada no intestino de idosos saudáveis

Estudo foi atrás do que pessoas mais velhas e cheias de saúde têm em comum com gente de 30 anos ou menos para descobrir as bases da longevidade

Como envelhecer com saúde? Essa pergunta é tão importante quanto difícil de ser respondida. Sabemos que estilo de vida é tão crucial quanto a genética, mas não o quê, exatamente, faz a diferença entre uma velhice difícil e uma velhice saudável.
Foi exatamente isso que um estudo sino-canadense se propôs a investigar. Eles reuniram mais de mil voluntários chineses, de 3 a 100 anos. Todos eles tinha uma coisa em comum: eram muito saudáveis para sua faixa etária.
O que os cientistas queriam entender, especificamente, era o que os idosos com a saúde acima da média tinham em comum com os voluntários mais jovens que também eram supersaudáveis. E encontraram semelhanças enormes no intestino deles: os quase centenários tinham a flora intestinal (ou microbiota) quase idêntica a dos voluntários de 30 anos.
Vale lembrar que, no nosso intestino, carregamos a maior concentração de micro-organismos encontrada no corpo humano. Esse conjunto de bactérias é altamente personalizado e pode ter uma baita influência no metabolismo e no bem-estar em geral
O que acontece é que, conforme envelhecemos, a diversidade da microbiota diminui. Se há um desequilíbrio, bactérias oportunistas podem ganhar espaço excessivo e provocar estragos.
O que o novo estudo descobriu é que essa queda na biodiversidade do intestino não é obrigatória – e que a microbiota que se mantém tão diversa quanto a de um corpo 60 anos mais jovem está fortemente associada a uma saúde melhor para o corpo inteiro.
Como sempre, ainda falta entender se é uma questão de causa ou consequência. Será que os idosos com um estilo de vida saudável vivem melhor e, portanto, tem uma microbiota mais diversa? Ou então seria ao contrário: as bactérias do intestino (que são tão essenciais) ajudam a manter o corpo todo em melhor estado?
A resposta dessa pergunta é essencial para entender quão longe se deve ir para alcançar as mesmas condições intestinais do idosos supersaudáveis.
A opção mais simples, é claro, são mudanças na alimentação e probióticos, mas tem médicos apostando tanto na importância do intestino para o organismo que testam transplantes fecais para “reviver” a flora intestinal de pessoas com problema de saúde. E você, aceitaria um supercocô para melhorar seu organismo?

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Quase um pâncreas: nova tecnologia promete ajudar os diabéticos

O dispositivo, apelidado de "pâncreas artificial", dá conforto aos pacientes afasta o risco de complicações, como hipoglicemia

  A empresa de tecnologia Medtronic acaba de lançar no Brasil o Sistema MiniMed 640G, uma espécie de pâncreas artificial concebido para pessoas com diabetes tipo 1. Ele faz a monitorização constante do organismo e libera doses de insulina, responsável por colocar o açúcar dentro das células — os portadores da condição não produzem esse hormônio.
Caso o aparelho perceba uma diminuição da glicemia, interrompe automaticamente o funcionamento da bomba. Assim, evita que episódios de hipoglicemia deem as caras e causem encrencas sérias. “O sistema está mais indicado para crianças, gestantes, pessoas com grande variação nas taxas ou quedas muito severas da glicose e aquelas com problemas nas terminações nervosas”, lista o endocrinologista Marcio Krakauer, da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Pâncreas artificial para diabetes
(Ilustração: Rodrigo Damati/SAÚDE é Vital)

Altos e baixos

Confira as taxas-limite de glicemia para se manter em segurança
Hipoglicemia
Abaixo de 70 mg/dl
Faixa normal
Entre 70 e 140 mg/dl
Hiperglicemia
Acima de 140 mg/dl

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Suor excessivo nas axilas pode ser doença

Solução vai de remédio até operação

Rio - Aquele cheirinho indesejado nas axilas pode ser um sinal de doença de pele. A bromidrose se instala no corpo quando há umidade gerada pelo suor excessivo, causando condições favoráveis à proliferação de fungos e bactérias. O problema, que atinge homens e mulheres, gera constrangimento e deixa até marca nas roupas, mas a boa notícia é que tem solução. Para eliminar de vez o mau cheiro há desde intervenções cirúrgicas até aplicação de produtos farmacêuticos e dermatológicos.
Suor excessivo Arte O Dia
Segundo o médico cirurgião Ricardo Rocha, algumas pessoas têm um desequilíbrio no sistema nervoso autônomo que provoca o descontrole das glândulas sudoríparas, responsáveis pela produção do suor. Embora o fluído seja inodoro, a persistência dessa condição favorece a formação de colônias bacterianas nas áreas do corpo afetadas, o que torna o mau odor um problema crônico, agravado muitas vezes por fatores psicológicos, como a ansiedade.
"É uma daquelas questões para a qual a ciência e a medicina têm solução, mas não descobriram a causa. O problema é desencadeado por um gatilho, que não se sabe exatamente o que é. O nervosismo não faz a pessoa começar a suar acima do normal, mas faz ela não parar mais. É um ciclo vicioso", explicou.
Para resolver o distúrbio, alguns pacientes recorrem à injeção da toxina botulínica conhecida como Botox nas partes do corpo onde mais se transpira. O tratamento custa entre R$ 2,5 mil a R$ 3 mil e precisa ser feito repetido após um ano aproximadamente, pois perde o efeito à medida em que o tempo passa.
"A substância inibe a ação das glândulas e o paciente quase não transpira no lugar que fez a aplicação por mais ou menos um ano", disse o médico.
Estudante de Publicidade e Propaganda, David Mufarrej, 19 anos, sofria com o suor excessivo nas axilas e optou por fazer o tratamento com Botox há cerca de um ano. Hoje se prepara para fazer novamente o procedimento. "O que mais me incomodava era a marca nas camisas. Tudo piorava em situações que eu ficava nervoso ou ansioso. Mas o tratamento deu certo. Agora só passo desodorante dermatológico", declarou David.
O uso de talco antitranspirante, antibióticos, sabonetes e cremes antibacterianos também ajuda a solucionar o problema. Ricardo Rocha ainda recomenda banhos, reaplicação do desodorante e troca de roupa no meio do dia, para evitar que fungos e bactérias se espalhem. "Em geral, não há efeitos colaterais decorrentes desses tratamento mais convencionais, mas se houver alguma reação alérgica pontual, é possível contê-la com produtos diferenciados".
CUIDADOS NA PUBERDADE
Integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sílvia Rodrigues destaca a incidência do mau cheiro em jovens, principalmente os que iniciam a puberdade, fase em que há alta produção de hormônios. "O problema é mais comum do que se imagina. Mas muitas vezes não é nem por causa do suor ou do estágio da vida, e sim por conta de hábitos de higiene inadequados. Tem gente que deixa de se secar bem depois do banho, por exemplo. Os fungos se aproveitam disso". Os tratamentos para adolescentes são os mesmos usados em adultos, de acordo com Sílvia.
"Pessoas que têm familiares com esse problema são propensas a desenvolvê-lo, mas nada impede que ele surja sem que haja histórico familiar", afirmou Rocha.
Os pelos podem ser os vilões no combate ao mau cheiro, pois acumulam a umidade do suor e da água do banho. Desta forma, eles se tornam um ambiente fértil para fungos e bactérias se reproduzirem. Por isso, a depilação é necessária como parte do tratamento nos casos de pessoas com grande volume de pelos no corpo. O cuidado deve ser redobrado ainda mais em regiões onde o clima combina calor e umidade, pois o ambiente favorece ainda mais o suor.
Ao contrário do que muitos pensam, a bromidrose é transmissível, pois os agentes causadores bactérias e fungospodem aderir à superfícies dos tecidos que entram em contato com a pessoa infectada.
"É importante detectar e tratar o mau cheiro porque ele pode ser passado de pessoa para pessoa, quando ocorre compartilhamento de peças de roupa, por exemplo. Se isso acontecer, a pessoa que pega também precisa se tratar com um profissional", esclareceu o médico Ricardo.
O estudante David Mufarej sofria com o suor e optou pelo botox Divulgação
Cirurgia impede transpiração, mas existe efeito colateral 
Aquele cheirinho indesejado nas axilas pode ser um sinal de doença de pele. A bromidrose se instala no corpo quando há umidade gerada pelo suor excessivo, causando condições favoráveis à proliferação de fungos e bactérias. O problema, que atinge homens e mulheres, gera constrangimento e deixa até marca nas roupas, mas a boa notícia é que tem solução. Para eliminar de vez o mau cheiro há desde intervenções cirúrgicas até aplicação de produtos farmacêuticos e dermatológicos.
Segundo o médico cirurgião Ricardo Rocha, algumas pessoas têm um desequilíbrio no sistema nervoso autônomo que provoca o descontrole das glândulas sudoríparas, responsáveis pela produção do suor. Embora o fluído seja inodoro, a persistência dessa condição favorece a formação de colônias bacterianas nas áreas do corpo afetadas, o que torna o mau odor um problema crônico, agravado muitas vezes por fatores psicológicos, como a ansiedade.
"É uma daquelas questões para a qual a ciência e a medicina têm solução, mas não descobriram a causa. O problema é desencadeado por um gatilho, que não se sabe exatamente o que é. O nervosismo não faz a pessoa começar a suar acima do normal, mas faz ela não parar mais. É um ciclo vicioso", explicou.
Para resolver o distúrbio, alguns pacientes recorrem à injeção da toxina botulínica conhecida como Botox nas partes do corpo onde mais se transpira. O tratamento custa entre R$ 2,5 mil a R$ 3 mil e precisa ser feito repetido após um ano aproximadamente, pois perde o efeito à medida em que o tempo passa.
"A substância inibe a ação das glândulas e o paciente quase não transpira no lugar que fez a aplicação por mais ou menos um ano", disse o médico.
Estudante de Publicidade e Propaganda, David Mufarrej, 19 anos, sofria com o suor excessivo nas axilas e optou por fazer o tratamento com Botox há cerca de um ano. Hoje se prepara para fazer novamente o procedimento. "O que mais me incomodava era a marca nas camisas. Tudo piorava em situações que eu ficava nervoso ou ansioso. Mas o tratamento deu certo. Agora só passo desodorante dermatológico", declarou David.
O uso de talco antitranspirante, antibióticos, sabonetes e cremes antibacterianos também ajuda a solucionar o problema. Ricardo Rocha ainda recomenda banhos, reaplicação do desodorante e troca de roupa no meio do dia, para evitar que fungos e bactérias se espalhem. "Em geral, não há efeitos colaterais decorrentes desses tratamento mais convencionais, mas se houver alguma reação alérgica pontual, é possível contê-la com produtos diferenciados".

*Reportagem do estagiário Gustavo Côrtes, sob supervisão de Angélica Fernandes

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Aprovado novo tratamento contra dois tipos agressivos de câncer

Medicamento recém-liberado pela Anvisa reforça o arsenal de recursos para combater tumores no pulmão e na bexiga

Considerada pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica como o maior avanço contra o câncer em 2017, a imunoterapia é a aposta da farmacêutica Roche no controle de casos em que a doença acomete o sistema respiratório ou o urinário. Seu novo lançamento no Brasil – o remédio atezolizumabe – segue os princípios dessa nova forma de combater a doença, ajudando o próprio organismo a detectar e agredir as células cancerosas em vez de tentar atacar o tumor diretamente.
Aprovada esta semana pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a molécula da vez é indicada para os seguintes cânceres: carcinoma urotelial, que afeta a região da bexiga, e o CPNPC, que se desenvolve a partir de células específicas do pulmão. Em ambos os quadros, a droga – aplicada na veia – só entra em cena se o paciente não responder bem a alternativas como a quimioterapia.
Em um dos estudos que justificaram sua liberação, o tratamento foi colocado à prova em 1 225 pacientes de várias partes do mundo. O aumento da média de sobrevida entre esses voluntários foi de aproximadamente 13,8 meses – o equivalente a 4,2 meses a mais do que o registrado com a quimioterapia.
Tal eficiência foi comprovada frente a tumores avançados, que se espalharam para outras áreas. É algo digno de nota, em especial se considerarmos que o subtipo de câncer de pulmão tratável com o atezolizumabe representa até 85% dos diagnósticos de sua categoria.
Mais: é difícil de identificar o tal CPNPC precocemente. Afinal, ele ganha espaço lentamente e, via de regra, seus sintomas demoram a se manifestar. Fora que tosse, dor no peito, rouquidão e por aí vai são comumente negligenciados.
A questão, agora, é discutir o acesso desse e de outros imunoterápicos para a população como um todo. Hoje, nenhum deles está disponível na rede pública.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

7 pontos mais importantes para a saúde de crianças e adolescentes

Manifesto reúne as principais medidas que devem ser adotadas a fim de garantir o bem-estar dos mais de 60 milhões de brasileiros com até 19 anos

  Crise econômica. Poucas vezes se falou tanto sobre esse assunto quanto agora. E é com base nesses debates acalorados que a Sociedade Brasileira de Pediatria acaba de divulgar tópicos que seus membros consideram fundamentais para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
O posicionamento alerta para o impacto do cenário atual no bem-estar dos brasileirinhos, além de sugerir melhorias em campos como direitos humanos, segurança pública e relações familiares. Abaixo, listamos as que estão diretamente ligadas à saúde. Confira:
1. Na rede pública, a quantidade de leitos de internação deve ser suficiente para atender à demanda de crianças e adolescentes.
2. Medicamentos e outros insumos essenciais para um bom atendimento em hospitais, postos de saúde e afins precisam estar à disposição.
3. Pais ou responsáveis têm de manter o calendário de vacinação dos filhos em dia.
4. Pediatras são os protagonistas da assistência a crianças e adolescentes.
5. Amamentação, alimentação saudável, atividade física e outros bons hábitos devem ser incentivados por meio de campanhas de conscientização, criação de espaços e suporte profissional.
6. Questões de segurança infantojuvenil precisam estar entre as prioridades para evitar mortes, acidentes, traumas e exploração.
7. Ao ver televisão ou navegar na internet, crianças e adolescentes devem ser protegidos de conteúdos sexuais, violentos ou impróprios.
O que achou desses tópicos? Dê sua opinião!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A quantidade de exercício físico que afasta a depressão

Até 12% dos casos desse problema psiquiátrico poderiam ser prevenidos com um pouco de atividade física por semana

 
Pesquisadores do Reino Unido, Austrália e Noruega concluíram que uma hora de exercício por semana é o mínimo necessário para evitar que você desenvolva depressão.
O estudo analisou dados da população norueguesa de um amplo levantamento conduzido entre os anos de 1984 e 1997. O objetivo era avaliar a relação entre a atividade física e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.
Antes desse trabalho, já se sabia que o exercício minimizava os efeitos negativos da depressão. Mas esse estudo liga a atividade à prevenção dessa condição. E, de quebra, oferece uma estimativa do mínimo necessário para colher esses frutos.

Segundo o levantamento, 12% dos casos de melancolia profunda poderiam ser evitados se todas os voluntários suassem a camisa por ao menos uma hora na semana. E outra coisa bacana: pelo visto, mesmo intensidades leves já dão conta do recado.
Para conduzir o estudo, foram analisados dados de 33 908 mil pessoas sem registros prévios de problemas de saúde mental. Elas foram observadas, em média, por 11 anos.
Este conteúdo foi publicado originalmente no site da Exame.com

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O mal que mais mata nas UTIs brasileiras

Metade dos internados em instituições públicas e privadas com infecção generalizada morre. Por que o Brasil não consegue controlar a sepse?

RAFAEL CISCATI
Quando Tancredo Neves morreu, em abril de 1985, os jornais informaram que o presidente sofrera “um processo infeccioso abdominal”. Por 38 dias, o país acompanhou apreensivo a trajetória de deterioração da saúde do presidente, que nem sequer chegara a tomar posse – de como suas dores abdominais evoluíram para um quadro de insuficiência renal e cardíaca. Tancredo morreu no dia 21. Ele foi uma das muitas vítimas ilustres da sepse, antigamente chamada septicemia e popularmente conhecida como infecção generalizada. Mais de 30 anos depois, o mal que matou Tancredo ainda é o que mais mata nas UTIs brasileiras. Segundo uma nova pesquisa feita em todo o país, o problema afeta, de maneira similar, instituições públicas e particulares – e mais de 20% delas não contam com estrutura mínima para tratar adequadamente dos doentes.
Pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI): metade dos pacientes com sepse morrem nos hospitais brasileiros (Foto: Thinkstok)
A sepse ocorre quando o organismo reage de maneira exagerada a uma infecção que não consegue combater. Há casos em que o problema inicial parece banal – como uma infecção urinária. Na tentativa de expulsar o invasor – ou quando a pessoa não recebe o tratamento adequado –, o corpo dá início a um processo inflamatório violento que acaba por comprometer seu próprio funcionamento. Se diagnosticada ainda nos estágios iniciais, a sepse pode ser controlada. Mas não é esse o destino da maioria das pessoas que, no Brasil, sofre com a doença.
Segundo um levantamento organizado por pesquisadores da Universidade  Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas), ao menos 30% dos leitos de UTIs no país são ocupados por pacientes com a doença. Desses, 56% acabam morrendo. Dos 420 mil casos tratados por ano, 230 mil terminam em morte. É muito: nos Estados Unidos, por exemplo, 29% dos doentes com sepse morrem. “É um problema mais fatal que infarto do miocárdio”, diz Flávia Machado, professora da Unifesp e uma das coordenadoras do novo estudo.
Fatal e, até agora, pouco compreendido. O levantamento organizado por Flávia, publicado na revista científica The Lancet, foi o primeiro a apontar, de maneira acurada, qual o alcance da sepse no Brasil.  Para fazer isso, os pesquisadores dividiram o país em 40 regiões. Coletaram os dados de 15% das UTIs em cada uma dessas regiões até chegar ao número de 230 instituições participantes. Eram UTIs públicas e privadas, com perfis econômicos variados. O esforço resultou na amostra mais representativa já examinada sobre o assunto no país: “Nos trabalhamos anteriores, acabavam participando somente as melhores unidades”, diz Flávia. Esses estudos com instituições-modelo criavam um retrato enganoso e apontavam que cerca de 40% dos pacientes com sepse morriam – e não os 56% descobertos. Flávia constatou, ainda, que o problema afeta, igualmente, instituições públicas e privadas. Nas públicas, 56% dos pacientes morrem. Nas privadas, 55%.
Os números ruins do Brasil são resultado de uma combinação infeliz de fatores que, dentro e fora das UTIs, atrasam o início do tratamento e comprometem seus resultados. Dentro das UTIs, pesa contra os pacientes a infraestrutura inadequada de muitas instituições. Os dados coletados por Flávia demonstram que elas estão mal preparadas para oferecer aos doentes cuidados básicos – como acesso aos antibióticos adequados e a outros itens simples, como soro fisiológico. A equipe de pesquisadores elaborou uma lista com oito desses itens e práticas importantes para o tratamento de sepse para avaliar a qualidade da infraestrutura oferecida pelas UTIs. Em 23% delas, faltavam dois ou mais dos itens essenciais. Eram instituições de “baixo recurso”, na classificação dos pesquisadores. “E estar internado em uma UTI de baixo recurso aumenta as chances de o paciente morrer”, diz Flávia. É esse o destino de 66% dos pacientes internados com sepse nesse tipo de UTI.
Mal sem distinções (Foto: Época )
Fora das UTIs, a falta de informação sobre a doença aumenta a letalidade do problema. De acordo com uma pesquisa Datafolha feita em parceria com o Ilas em março deste ano, 86% dos brasileiros jamais ouviram falar sobre sepse e não são capazes de reconhecer os sintomas da doença. São sinais como confusão mental, tontura, febre e sonolência, acompanhados por uma infecção. O resultado é que as pessoas demoram a procurar ajuda. Educar a população é importante porque, ao contrário do que comumente se pensa, quase metade dos casos de sepse começa fora do ambiente hospitalar: 40% dos pacientes desenvolvem o problema em casa.
Dos outros 60%, mais da metade desenvolve durante o atendimento de emergência ou durante a internação no hospital. Daí, vão para a UTI. “São casos que derivam de infecções por bactérias resistentes, presentes nesses ambientes”, diz Jorge Salluh, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, do Instituto D’Or e especialista em medicina intensiva, que não participou da pesquisa. “A sepse é um problema que chama a atenção na UTI, porque é onde as pessoas morrem. Mas ele começa fora.” Nessas situações, é importante que a equipe do hospital esteja pronta para agir com presteza. O problema é que também lhe falta preparo: uma pesquisa feita pelo Ilas em 2010, com 917 médicos, concluiu que somente 27,3% deles eram capazes de diagnosticar a sepse. E que 44% não estavam preparados para diagnosticar a sepse grave, uma evolução do problema. Isso retarda o início do tratamento – e reduz as chances de sobrevivência. Do grupo acompanhado pelos pesquisadores da Unifesp, somente 53% dos pacientes receberam o antibiótico adequado já na primeira hora de manifestação da doença – uma prática considerada básica. Sinal de que o diagnóstico demorou a ser feito: “Em média, os hospitais levam seis horas para reconhecer que aquele paciente internado desenvolveu sepse”, diz Flávia.
Quando falta o básico  (Foto: Época )
Há maneiras de reverter esse quadro: “Nós temos bons exemplos, no Brasil, de hospitais que foram capazes de reduzir a mortalidade. E que podem servir de modelo”, diz Flávia. Outro estudo organizado por ela, e publicado ainda neste ano, mostrou que, por vezes, bastam intervenções simples. Flávia acompanhou um conjunto de 63 UTIs (25 públicas e 38 privadas) por quatro anos, enquanto elas implementavam programas de melhoria de qualidade. Ao fim desse período, 58% das instituições particulares tinham se tornado capazes de oferecer os antibióticos essenciais ao tratamento dos pacientes – e haviam reduzido a mortalidade de 47,6% para 27,2%. Nas instituições públicas, o resultado não foi tão bom – somente 15,7% delas, ao final dos quatro anos, eram capazes de oferecer esses antibióticos. Não houve redução significativa da mortalidade.
A percepção política do problema também parece mudar. No começo deste ano, a  Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a sepse como um problema global. Foi um passo importante: esse reconhecimento significa que a entidade passará a cobrar de seus países-membros políticas públicas específicas para a sepse para tratar do problema e informar melhor suas populações. “É preciso que se crie, para a sepse, a mesma cultura que se criou em torno do infarto do miocárdio”, diz Salluh. “Todo mundo sabe que as chances de uma pessoa que sofreu um infarto sobreviver aumentam se ela for atendida precocemente. O mesmo vale para a sepse.”
Para saber, alguns dos estudos citados:
* The epidemiology of sepsis in Brazilian intensive care units (the Sepsis PREvalence Assessment Database, SPREAD): an observational study
* Two decades of mortality trends among patients with severe sepsis: a comparative meta-analysis
* Survey on physicians’ knowledge of sepsis: do they recognize it promptly?

* Quality improvement initiatives in sepsis in an emerging country: does the institution’s main source of Income Influence the results? An analysis of 21,103 patients