sexta-feira, 21 de julho de 2017

Alterações na visão podem sinalizar Parkinson precocemente

Os tremores, sintomas mais conhecidos da doença, viriam só anos depois

 
Esqueça as mãos trêmulas. Segundo cientistas da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, modificações na visão seriam importantes marcadores para uma detecção precoce da doença de Parkinson.
Dificuldade para diferenciar cores, mudanças na acuidade visual e redução das piscadas poderiam aparecer mais de uma década antes dos famosos problemas motores. E se as pessoas não tiverem consciência disso, é bem provável que o distúrbio demore a ser flagrado.

No trabalho, publicado na revista científica Radiology, foram avaliados 20 pacientes recém-diagnosticados com Parkinson e também 20 voluntários saudáveis, da mesma idade e do mesmo gênero. Todo mundo passou por uma ressonância magnética e exames oftalmológicos. Foi aí que os pesquisadores notaram diferenças significativas nas estruturas cerebrais responsáveis pelo sistema visual entre os indivíduos com a doença.
Os cientistas reconhecem que são necessários mais estudos para entender direito o momento da degeneração visual. De qualquer maneira, o oftalmologista Alessandro Arrigo, líder da investigação, frisou, em um comunicado, que a análise profunda dos sintomas visuais é capaz de fornecer indícios sensíveis de Parkinson. Além disso, ficar atento à capacidade visual ajudaria a acompanhar a progressão da doença, assim como a monitorar sua reposta ao tratamento medicamentoso.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Além da dor, herpes-zóster é ligada a risco de infarto e AVC

Essa doença, responsável por causar incômodos intensos, foi associada a abalos na saúde cardiovascular

Com o envelhecimento, as células de defesa em geral deixam de proteger o corpo com eficiência máxima. Essa queda na imunidade é um prato cheio para o herpes-zóster, condição causada pela reativação do vírus da catapora e que provoca dores intensas. Agora, um estudo da Universidade de Ulsan, na Coreia do Sul, aponta que a doença está relacionada a um aumento no risco de ataques cardíacos e derrames.
Ao total, 519 880 participantes foram acompanhados durante dez anos, sendo que 23 233 apresentaram o problema. Segundo os pesquisadores, o risco de esse grupo sofrer uma parada no coração ou ter um AVC foi 35 e 41% maior, respectivamente. Esses números perduram por até um ano depois do aparecimento da infecção — os índices vão diminuindo com o tempo.

 Os resultados, como explicam os especialistas, são intrigantes. Ainda não se sabe ao certo o que está por trás da relação, porém algumas observações indicam um caminho. Por exemplo: os integrantes infectados pelo vírus também possuíam uma maior propensão a diabetes, hipertensão e colesterol alto, fatores que ameaçam a saúde cardiovascular.
Ou seja, talvez seja o quadro geral do indivíduo que influi tanto no desenvolvimento do herpes-zóster como nas panes cardíacas. Por outro lado, os portadores da disfunção se exercitavam mais, faziam parte de uma classe socioeconômica mais elevada e tinham inclinação menor ao tabagismo e ao consumo de álcool.
Enquanto os cientistas não desvendam esse mistério, Sung-Han Kim, coordenador do trabalho, faz um alerta: “É importante que os médicos conscientizem os pacientes sobre esse perigo”. Vale a pena ressaltar que existe uma vacina específica contra o herpes-zóster. Ela está disponível nas clínicas particulares do país e é recomendada especialmente para os maiores de 50 anos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Limão: benefícios, com o que ele combina… e muito mais!


Montamos a ficha técnica dessa fruta, uma das mais versáteis dentro da culinária mundial

 
Origem: o limão é mais uma das preciosidades que os árabes levaram para a Europa a partir do século 9. Os primeiros registros do consumo dessa fruta vêm do sudeste da Ásia. Lá, era usada como tempero e conservante de alimentos — ela é rica em vitamina C, um poderoso antioxidante que evita o escurecimento de vegetais. Hoje, o plantio das suas variedades (tahiti, siciliano, galego…) está consolidado no mundo todo.
Forma de uso: combinado com azeites e ervas, o suco da fruta tempera os mais diversos pratos salgados e doces. E, claro, é base de refrescos e drinques.
Até sua casca pode ser aproveitada. Aromática e repleta de óleos essenciais, é empregada na confeitaria e para finalizar pratos.
Com o que combina: para dar frescor às receitas, aposte no toque ácido do limão. Seu sumo é base para marinadas de todos os tipos de carnes e pescados. Também vai bem em molhos de saladas, queijos frescos, sucos, bolos e sobremesas em geral.
Com o que não combina: difícil apontar um grupo de receitas que não entrose com ele. O limão tem passe livre em quase toda a culinária. É uma questão de gosto.
Benefícios nutricionais: a fruta carrega minerais como potássio, magnésio, cálcio e fósforo, além de auxiliar na digestão de gordura. Mas ele realmente se destaca pela alta quantidade de vitamina C. Esse ativo, segundo estudo da Universidade do Estado do Oregon, nos Estados Unidos, estimula a produção de células brancas do sangue, reforçando o sistema imunológico.
Como plantar: a árvore pode ser cultivada em jardins, porém é bastante sujeita a doenças. Melhorar procurar ajuda especializada se quiser ir adiante com essa empreitada.
Fontes entrevistadas: Vanderli Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta de São Paulo, e Rosângela Carvalho, nutricionista e fitoterapeuta do Rio de Janeiro

terça-feira, 18 de julho de 2017

Teste rápido, mas polêmico

Chega ao mercado o exame que promete entregar em minutos resultados sobre condições como as taxas de colesterol ou de vitamina D. Porém, a novidade é recebida com cautela por especialistas

CONFORTO Figueredo diz que o Hilab muda a experiência do paciente (Crédito:Marcos Haddad)
Uma das marcas da medicina do futuro será a rapidez de respostas. Por essa razão, observa-se desde já a expansão da oferta de testes laboratoriais cujo diferencial tem sido a entrega de resultados em tempo cada vez mais curto. No Brasil, a última novidade nesta linha foi o lançamento do Hilab, um sistema por meio do qual, segundo os fabricantes, é possível ir da coleta de amostras a um laudo em minutos, com paciente e médico checando os dados para decidirem a conduta ali mesmo, na hora.
O Hilab propõe-se a analisar amostras de sangue, saliva, fezes e urina e fornecer dados sobre condições diversas, entre elas glicemia, colesterol, vitamina D, HIV, zika e até marcadores tumorais e de infarto. Primeiro, a amostra, que varia de acordo com o que se pretende medir, é colocada dentro de cápsulas, em seguida inseridas no aparelho. Ela é processada por reagentes e as informações obtidas são transmitidas via internet para uma central, em Curitiba. Lá, passam pela análise de especialistas, que emitem o laudo. O documento é finalmente enviado ao médico. O resultado chega em vinte minutos. “O sistema muda a experiência do usuário em relação aos exames”, diz Marcus Figueredo, CEO da Hi Techonologies, empresa criadora do aparelho.
Se soa atraente aos olhos de quem busca rapidez e praticidade nos diagnósticos, a novidade ainda não convenceu parte dos especialistas. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial – entidade que representa os profissionais que lidam diariamente com exames laboratoriais – posicionou-se de forma cautelosa. “Não temos informações suficientes que nos assegurem a acurácia do teste”, afirma o médico Alex Galoro, presidente da organização.
A moderação faz sentido, especialmente porque erros em resultados não são raros, e isso nos testes tradicionais, de uso já consolidado. Não há números sobre o problema no Brasil, mas não é difícil encontrar pessoas que passaram pela experiência de receber dados equivocados. “Todo exame traz uma dose de incerteza no resultado que será maior ou menor a depender do método usado”, diz Galoro. O médico está em busca de mais dados sobre o Hilab. A Hi Technologies, por sua vez, diz que se coloca à disposição para detalhar o funcionamento de seu sistema e provar sua eficácia.
DÚVIDA Para Galoro, não há dados suficientes que atestem a eficácia do novo sistema (Crédito:Divulgação)
INFORMAÇÃO NA NUVEM
Como é feito o exame
1. Amostras de sangue, urina, fezes ou saliva são recolhidas no consultório ou hospital e colocadas em cápsulas
2. Elas contêm reagentes específicos para o teste a ser realizado. As cápsulas são inseridas no aparelho
3. Um sensor analisa os dados e os envia, pela internet, a uma equipe de especialistas lotada em Curitiba
4. O laudo é emitido e transmitido para o médico onde ele estiver
5. O resultado chega em até 20 minutos

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Acredite: a melatonina pode fazer emagrecer, revela estudo

O composto, conhecido como o hormônio do sono, poderá fazer parte do arsenal de combate à obesidade

Sentir o chamado “sono reparador” só acontece quando a glândula pineal, localizada no cérebro, produz de forma satisfatória a melatonina: o conhecido hormônio do sono. Secretado à noite, quando há inibição de luz, este hormônio é responsável não apenas pela indução do descanso, mas também é conhecido por ser a chave do relógio biológico. E não à toa. Estudado há anos por médicos e pesquisadores do mundo inteiro, hoje já se sabe que a substância também tem influência na regulação do apetite, enxaqueca, melhora da pele, controle da glicemia, entre outras funções.
Mas, acredite, não é só isso. Entre as descobertas mais recentes está um estudo publicado pelo Departamento de Ciências Biomédicas da Universidade de Sassari, na Itália, em parceria com outras universidades: a melatonina inibiu as células precursoras de gordura do corpo humano – um tipo de célula tronco presente em diversos tecidos como cordão umbilical, medula óssea e também no tecido adiposo (de gordura). “Esse hormônio vem sendo cada vez mais estudado em vista dos seus diversos benefícios e, certamente, em breve, fará parte do arsenal disponível para combater a obesidade”, acredita Renato Lobo, médico pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização em nutrologia e emagrecimento.
A obesidade também vem sendo estudada como, entre outros fatores, uma disfunção de células de gordura, já que estas entendem com maior frequência que a acumulação é importante. O tamanho e o número dessas células é um processo que ocorreu por conta da diferenciação das chamadas precursoras – que podem, ou não, virar tecido de gordura. E a melatonina impediu que isso acontecesse. Logo, foi avaliado o impacto da melatonina como uma espécie de modulador no destino destas células, ou seja, como o hormônio do sono ajudaria a orquestrar sua função correta.
Entre os genes estudados, também estava o que produz o PPAR-γ: receptor responsável pela regulação da glicose e dos lipídeos no sangue – quando alterados, podem levar pessoas a serem diagnosticados com diabetes e adquirirem placas de gordura nas artérias.
A atuação do hormônio, no que diz respeito a glicose e lipídios, comprova evidências de, pelo menos, seis anos atrás, quando um estudo clínico realizado nos Estados Unidos e publicado na revista Diabetes, Metabolic Syndrome and Obesity: Targets and Therapy  indicou que, em pacientes com diabetes tipo 2 e insônia, a melatonina melhorou o sono após três semanas, e auxiliou o controle glicêmico após cinco meses. Outro teste clínico, descrito no Journal of Pineal Research, também demonstrou que, após dois meses de tratamento com melatonina, pessoas com distúrbios metabólicos apresentaram redução na pressão sanguínea e nos níveis de colesterol.
Como se não bastasse, o hormônio do sono também tem sido reconhecido por sua potente atividade antioxidante: ou seja, é capaz de se ligar aos reagentes oxidativos das células e os estabilizar. Com esse suposto papel ativo na proteção do DNA e outros compostos biológicos de agentes oxidativos, o hormônio do sono vem sendo estudado como potencial protetor contra danos causados ​​pelos radicais livres. Por isso, também tem sido associado a possível terapia complementar no tratamento de doenças em que o estresse oxidativo desempenha papel importante, como transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, doença de Alzheimer, entre outras.
Uma das explicações para tantas funções é que, pelo fato de ser secretado no sangue e líquido cefalorraquidiano, protetor de diversas células do cérebro, tem transporte fácil no organismo – o que possibilita com que o hormônio do sono tenha ação em diferentes tecidos do corpo.
Apesar de tantos benefícios, principalmente ao que se refere a gordura, vale ressaltar que são estudos iniciais e, portanto, novas pesquisas são necessárias para mostrar os resultados (evidências)  na prática clínica.
Melatonina no Brasil

Com indicação, em geral, de até 5 mg diários de melatonina, diversos estudos avaliaram a segurança do uso da substância, encontrando poucos efeitos colaterais, como fadiga e letargia, apenas em doses elevadas. Facilmente metabolizada no fígado, por ser considerado natural, tem degradação rápida e, por isso, raramente há acúmulo nos tecidos. “Tal característica também o torna um dos hormônios mais seguros”, observa Paulo Rosenbaum, endocrinologista do Hospital Albert Einstein.
A boa notícia é que, em novembro do ano passado, a Active Pharmaceutica (distribuidora de insumos farmacêuticos), ganhou o direito de comercializar a melatonina em farmácias de manipulação em todo o país, mediante receita médica. Na prática, a decisão facilita o acesso ao hormônio natural para fins terapêuticos, uma vez que, até então, o paciente precisava importá-lo –  prática também já autorizada no Brasil.
História do hormônio
A melatonina foi descoberta primeiramente por pesquisas sobre alteração da coloração da pele de anfíbios e repteis. Em 1958, um dermatologista americano da Universidade de Yale investigou essa substância na esperança de encontrar um uso para o tratamento de doenças de pele. Apesar das investigações, a melatonina só ficou mais conhecida na década de 90 com a descoberta do seu uso para pacientes com dificuldade para dormir, por um professor de Neurofarmacologia da Universidade de Harvard.
Após revisar a literatura cientifica da época sobre a glândula pineal, com o tempo, observou que a noite, na escuridão, produzíamos este hormônio, e que a administração de melatonina provocava o sono.

sábado, 15 de julho de 2017

Cearense com tipo de sangue raro salva bebê colombiana

Apenas 11 famílias no Brasil têm o raríssimo fenótipo Bombaim que salvou a menina de 15 meses

O sangue de tipo raríssimo de um jovem cearense salvou a vida de um bebê de 15 meses na Colômbia nesta semana. Desde a criação do Cadastro Nacional de Sangue Raro, em 2014, foi a primeira vez que o país exportou material para outra nação, segundo o Ministério da Saúde brasileiro.
A transfusão foi feita anteontem, em Medellín. As autoridades locais não haviam conseguido encontrar um colombiano com o mesmo tipo de sangue da criança, conhecido como fenótipo Bombaim e fizeram um alerta à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
Essa história começou na terça-feira da semana passada, quando a menina chegou ao hospital com vômitos e falta de ar. A equipe médica descobriu que ela tinha baixo peso, anemia e hemorragia no trato digestivo superior. A transfusão era urgente.
Os testes iniciais concluíram que o tipo de sangue necessário era O negativo, mas nenhuma amostra era compatível. Os exames especializados concluíram que a criança não tinha sangue A ou B, ou AB, mas o fenótipo Bombaim. No Brasil, só há 11 famílias com esse tipo de sangue.
O corpo da menina não reconhecia nenhum dos tipos de sangue mais tradicionais e transfusão com o tipo errado poderia causar danos nos rins e até mesmo a morte, explica María Isabel Bermúdez, coordenadora da Rede Nacional de Bancos de Sangue da Colômbia.
Mas, diz ela, o fenótipo Bombaim não foi a causa da doença. “As pessoas com este tipo de sangue são geralmente saudáveis e, portanto, não necessariamente são identificadas.” O governo colombiano não informou quem era a família ou deu detalhes sobre o caso, como prevê a legislação local.
Após o alerta, a rede de bancos de sangue no Brasil foi a única a identificar doador. Era um morador de Fortaleza, de 23 anos, que não teve o nome divulgado. No último sábado, ele doou 370 mililitros de seu sangue – quase o equivalente a uma lata de refrigerante.
Isso só foi possível pelo método refinado de análise de sangue do centro hematológico de onde veio a doação, que pesquisa anticorpos irregulares. “Há quase quatro anos, o Hemoce (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará) adotou novo método na busca de doadores raros que permite detectar diferentes tipos sanguíneos, até raríssimos”, explica Denise Brunetta, coordenadora do laboratório de Imuno-hematologia do Hemoce.
Percurso longo. Depois do desafio de encontrar o doador, as autoridades ainda batalharam para obter licenças de autoridades competentes – como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – para exportar o sangue e garantir que chegasse em bom estado ao destino.
“Saí para trabalhar na segunda-feira achando que seria um dia normal e no entanto acabei o dia embarcando com uma maleta de sangue para a Colômbia”, conta Natalícia Azevedo Silva, enfermeira do Hemoce, que protegeu o saco de sangue durante as mais de 20 horas de voo – contando o tempo de espera em aeroportos.
Para transportá-lo, foram seguidas as recomendações de transporte das legislações brasileiras e internacionais, explica Natalícia, que há 18 anos trabalha com o Hemoce.
“Colocamos a bolsa em recipiente rígido, envolta em material absorvente, com substância para refrigerar e controle de temperatura. A caixa foi lacrada e identificada como material biológico de risco mínimo. Não se pode passar a caixa no raio X nem transportar no compartimento de mala de bordo, pelo risco de danificar o conteúdo da bolsa”, descreve ela.
O trajeto do sangue não foi fácil: saiu de Fortaleza, passou por São Paulo, Panamá, Bogotá e Medellín, superando 4 mil quilômetros. Confirmada a compatibilidade, o material biológico foi fragmentado: 80 centímetros cúbicos foram destinados para transfusão do bebê, e o restante foi conservado caso haja nova necessidade.
“Esta história, sem precedentes para os dois países, confirma que a rede de colaboração que foi criada pelas autoridades de saúde na região está funcionando de maneira permanente, eficaz e solidária”, disse ao Estado o ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria. “É emocionante saber que os brasileiros tomaram como sua própria causa a vida da menina de Medellín”, acrescentou o ministro.
Histórico
A Coordenação-Geral de Sangue Hemoderivado (CGSH) oferece consulta ao Cadastro Nacional de Sangue Raro. Essa atividade é feita pelo Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que centraliza as informações dos doadores de sangue considerados raros de todo o país.
Entre 2015 e este mês, a CGSH recebeu 25 solicitações de consulta ao cadastro. Em 2017, até agora, foram nove pedidos, com 100% de atendimento.
(com Estadão Conteúdo)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Implante que devolve audição já está disponível no país

Realizada gratuitamente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e São Paulo, a prótese é implantada no osso do crânio de forma minimamente invasiva

O implante que devolve a audição a pacientes com surdez parcial, conhecido como prótese auditiva ancorada no osso, chegou ao Brasil e já foi realizado com sucesso em cinco pacientes no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e, recentemente, no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Desenvolvida na Dinamarca e disponível em outros 25 países, a prótese de titânio transmite o som diretamente para o ouvido interno, sem precisar atravessar o canal auditivo, muitas vezes já comprometido pela surdez, diferente dos aparelhos auditivos convencionais.
“Outra vantagem deste tipo de prótese é que o paciente pode testá-la antes mesmo da cirurgia e avaliar seu real benefício”, disse Ricardo Bento, médico otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Pequena prótese

A prótese, mede de três a quatro milímetros e é fixada no osso do crânio do paciente, logo atrás da orelha. Lá, ela irá transformar as ondas sonoras captadas pelo processador externo, localizado na orelha como um fone de ouvido sem fio, em vibrações.
Segundo a Oticon Medical, empresa dinamarquesa que desenvolveu a técnica, o processador tem uma alta qualidade de som e pode ser removido quando houver a necessidade, para dormir e tomar banho, por exemplo.

Procedimento simples

No Brasil, a cirurgia pode ser realizada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em regime ambulatorial, sem a necessidade de anestesia geral e internação prolongada. “Isso minimiza os riscos potenciais de um procedimento cirúrgico e permite ao paciente uma recuperação rápida, podendo usufruir dos benefícios da prótese auditiva ancorada já em duas semanas”, Miguel Hyppolito, especialista do Hospital das Clínicas de Ribeirão, o primeiro a realizar a cirurgia no Brasil.

O procedimento é indicado apenas para pessoas com perda auditiva condutiva, com graus mais leves e moderados, ou mista, causadas por danos de células, e surdez unilateral, em apenas um dos ouvidos. A boa notícia é que pode ser realizada em crianças a partir dos cinco anos de idade.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A um passo da aprovação, terapia mudará o tratamento do câncer

Um painel da FDA acaba de recomendar a aprovação de uma terapia que altera as células de pacientes com leucemia para combater o câncer

Um painel da FDA, agência americana que regulamenta alimentos e medicamentos, recomendou nesta quarta-feira a aprovação da primeira terapia 100% individual contra câncer no país. O tratamento em questão, fabricado pela Novartis e chamado CTL019, altera as próprias células do paciente, transformando-as no que os cientistas chamam de “droga viva”, de acordo com informações do jornal americano The New York Times, “programada” para combater a leucemia. O aval inédito deixa o medicamento um passo mais próximo da aprovação pela agência e abre caminho para uma nova era na medicina.
Em decisão unânime (10 a 0) o comitê da FDA afirmou que os benefícios da terapia superam seus riscos e recomendou sua aprovação para o tratamento de leucemia linfoblástica aguda de células B resistente ao tratamento ou com recidiva em crianças e jovens com idade entre 3 e 25 anos. Esse é o câncer mais comum diagnosticado em crianças, que representa aproximadamente 25% dos diagnósticos da doença em pacientes com menos de 15 anos. No entanto, o tratamento beneficiaria apenas os 15% dos casos nos quais a doença não responde ou volta.

Como funciona?

A terapia, desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e posteriormente licenciada à Novartis, envolve a remoção de milhares de células T, um tipo de glóbulo branco, do paciente, por um centro médico aprovado. Em seguida, essas células são congeladas e enviadas a uma fábrica da farmacêutica onde o processo de modificação é realizado por meio de uma técnica de engenharia genética que emprega uma forma inativa de HIV, o vírus causador da aids, para levar o novo material genético às células e reprograma-las.
Esse processo “turbina” as células T para que elas se liguem à proteína CD-19, presente na superfície de quase todas as células B – componente natural do sistema imunológico que se torna maligno na leucemia – e as ataquem.  As células T geneticamente modificadas, chamadas receptoras de antígeno quimérico, são aplicadas na corrente sanguínea dos pacientes, onde se multiplicam e começam a combater o câncer. Uma única célula é capaz de destruir até 100.000 células cancerígenas. Essa capacidade deu a elas o apelido de “serial killers”.
Em estudos, a re-engenharia dessas células demorava cerca de quatro meses e muitos pacientes faleceram antes do tratamento ficar pronto. Mas, durante a reunião do painel, a Novartis afirmou que esse período foi reduzido para apenas 22 dias.
No entanto, como toda abordagem que usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, seus efeitos colaterais são graves. Alguns pacientes apresentaram febre desenfreada, pressão sanguínea no limite e congestionamento pulmonar. Outra ressalva dos especialistas foi em relação a possíveis danos futuros, ainda desconhecidos nesse tipo de terapia.
Por outro lado, uma única dose da nova terapia mostrou resultados surpreendentes: longas remissões e possíveis curas para pacientes que tinham suas esperanças esgotadas após todos os tratamentos disponíveis terem falhado.

Disponibilidade e preço

Como os efeitos colaterais demandam cuidados específicos, a Novartis afirmou que, se aprovado, o tratamento será inicialmente disponibilizado em cerca de 30 centros treinados nos Estados Unidos. A companhia afirmou também que planeja submete-lo em outros mercados, como na União Europeia, até o final deste ano. No Brasil, a aprovação deverá demorar mais tempo.
Embora a companhia não tenha mencionado o preço, analistas ouvidos pelo The New York Times estimam que um tratamento assim possa custar mais de 300.000 dólares (cerca de 960.000 reais
A Novartis não é a única a desenvolver terapias 100% individuais, mas está prestes a ser a primeira a ter seu tratamento aprovado. A empresa já está desenvolvendo técnicas similares para o tratamento de outros tipos de leucemia, mieloma múltiplo e tumor cerebral agressivo.  Em entrevista à VEJA no ano passado, Joerg Reinhardt, CEO da Novartis, afirmou sobre as terapias 100% individuais: “as primeiras serão lançadas na área da oncologia, mas logo haverá para diabetes e doenças do coração”.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Novo alívio para o bruxismo

Aparelho criado por dentista brasileiro atenua fortemente a dor de cabeça provocada pela contração constante de músculos faciais associados à mastigação e à deglutição

Crédito: Divulgação
LIVRE Depois de usar o dispositivo por seis meses, o pediatra paulista Daniel parou de ter cefaleia com frequência (Crédito: Divulgação)
“Foi uma pequena grande maravilha na minha vida”. A frase, dita pelo pediatra paulista Daniel Jarovsky, pode parecer exagerada. Mas para quem, como ele, sofreu com dores de cabeça quase que diariamente durante anos, ela tem o tamanho certo. Daniel refere-se a um novo aparelho responsável por poupá-lo do uso dos analgésicos e pelo acréscimo de mais qualidade à rotina. Ao longo de seis meses, o médico usou o Diva® (dispositivo interoclusal de vigília) e conseguiu fazer sumir o bruxismo que estava por trás da cefaleia recorrente.
Tensão de dia

O bruxismo é uma das principais causas da dor de cabeça tensional, registrada na região das têmporas e normalmente mais acentuada no final do dia. Ele é caracterizado pela contração irregular dos músculos temporal e masseter, fundamentais na sustentação da mandíbula. Além dessa função, ambos também foram projetados para serem acionados no fechamento e na abertura da boca, permitindo a mastigação e a deglutição da saliva. Nesses momentos, realizam contrações de alta intensidade que duram apenas o tempo dos movimentos. O problema é que a tensão e o estresse podem levar as pessoas a mantê-los contraídos boa parte do tempo, e, o pior, sem perceber. Neste caso, embora constante, a contração é fraca.
Durante muito tempo acreditou-se que a contração feita ao longo do sono fosse a responsável pela dor do dia seguinte. Hoje, sabe-se que a culpa, na verdade, é do bruxismo de vigília. “Em média, em oito horas de sono há apenas oito minutos de musculatura contraída”, afirma o dentista Alain Haggiag, pesquisador do time de Dor Orofacial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/SP). “É pouco e não justifica a dor.”
Baseado nessa constatação, Haggiag criou um tratamento que previne as contrações fora de hora ocorridas de dia. Seu princípio é o de ensinar o paciente a identificar quando elas estão ocorrendo e evitar que prossigam. Para isso, primeiro é feita uma avaliação por meio da qual a pessoa enxerga em uma tela quando está contraindo os músculos e a respectiva altura dos dentes. O correto é que exista um espaçamento entre as arcadas superior e inferior. Se os dentes se tocam é porque a musculatura está contraída. “O exercício é um aprendizado. O indivíduo passa a perceber a contração que levará à dor”, explica Haggiag. A análise ainda informa o espaço ideal entre as arcadas. O Diva® é confeccionado na medida, colocado entre os dentes e ajuda a manter o espaçamento. O dispositivo também serve de alerta: toda vez que a pessoa contrai o músculo quando não deveria, aciona o aparelho e, voluntariamente, relaxa a musculatura. Assim, reverte-se o hábito responsável pela dor.
O dispositivo já teve patente requerida e foi testado durante três meses em 62 pacientes. Todos tinham queixa de dor moderada quando começaram a usá-lo. Uma semana depois, relataram melhora de cerca de 60% na sua intensidade. Ao final dos noventa dias, a redução relatada era de 85%. “A reeducação promovida pelo aparelho é o que melhor funciona”, diz Haggiag. Além de servir de alerta, o aparelho ajuda a promover uma reconfiguração no sistema de envio dos sinais dolorosos ao cérebro. Aos poucos, ocorre uma diminuição da sensibilização central à dor.
Há uma questão que ainda precisa ser observada. Não se sabe se e em quanto tempo o paciente se habituaria ao estímulo causado pelo aparelho, tornando-o ineficaz. É isso o que ocorre muitas vezes com as placas usadas à noite. Depois de um tempo, há uma conformação do sistema nervoso central ao novo elemento e ele perde sua função de relaxamento muscular. No caso do Diva®, uma das estratégias para evitar que isso aconteça é mudá-lo de lado periodicamente. E o objetivo é que a pessoa o use apenas por tempo suficiente para que evite as contrações sem precisar dele. Haggiag prepara-se para testá-lo em mais pacientes. O dentista José Tadeu Siqueira, coordenador da equipe de dor orofacial do HC/SP, acredita no potencial da novidade. “Hoje o bruxismo do dia está sendo melhor compreendido. O aparelho é um caminho viável de tratamento.”
PERCEPÇÃO Na terapia desenvolvida por Alain, o paciente identifica quando a musculatura está contraída (Crédito:Marco Ankosqui)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Acne nas costas? A causa pode estar na forma como você toma banho

Segundo a especialista, mudar certos hábitos de higiene pode reduzir o problema

Pode ser complicado se livrar da acne nas costas por ser um local de difícil acesso. De acordo com a dermatologista norte-americana Christie Kidd, conhecida por tratar celebridades, mudar alguns hábitos de higiene na hora de tomar banho pode ser um método fácil de eliminar o problema.

Etapas

“Muitos de nós, quando aplicamos o condicionador no cabelo, deixamos ele agir enquanto lavamos o resto do corpo”, disse Christie ao site da modelo Kendall Jenner, que teve problemas com acne na adolescência. No entanto, quando enxaguamos, as costas ficam com os resíduos do produto e esquecemos de retirar.
Uma técnica que pode ajudar a evitar a oleosidade na região é deixar a limpeza da pele como última etapa do banho. A dermatologista recomenda que enxaguar o cabelo completamente e prendê-lo para, finalmente, utilizar um sabonete específico nas costas e em outras áreas mais sensíveis.

A acne

A acne é produzida, principalmente, por hormônios que aumentam a produção natural das glândulas sebáceas. Dessa forma os folículos capilares ficam obstruídos por óleo e células mortas. A situação pode piorar quando bactérias P. acnes, geralmente inofensivas, entram em ação e inflamam a região. Por isso, é preciso ter cautela ao espremer as espinhas.
No Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, 80% dos adolescentes são afetados pela acne. Já as maiores causas em pessoas de até 30 anos são o stress, a genética e a gravidez, de acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Recomendações

Os especialistas recomendam lavar a área da pele oleosa ou acneica com um sabonete neutro e água morna. Também  é aconselhável evitar espremer cravos e espinhas sem preparo, pois isso pode piorar a condição e tornar as cicatrizes permanentes.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Tabaco mata mais de 7 milhões por ano, diz OMS

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, eliminar propagandas e apostar em políticas tributárias seriam formas de frear o consumo

O tabaco mata, por ano, mais de sete milhões de pessoas no mundo, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta terça-feira, em razão do Dia Mundial Sem Tabaco. No documento, a instituição avaliou o impacto do consumo da substância na saúde, na economia e no meio ambiente e defendeu a proibição da propaganda e o aumento dos preços e impostos sobre o produto, como forma de reduzir seus males.
“O tabaco é uma ameaça para todos. Agrava a pobreza, reduz a produtividade econômica, afeta negativamente a escolha dos alimentos consumidos nas residências e polui o ar em ambientes fechados”, afirmou Margaret Chan, diretora geral da OMS, em um comunicado.
No início do século, o tabagismo beirava um índice de mortalidade de quatro milhões. Hoje, ele atinge mais de sete milhões de pessoas, matando metade dos fumantes e custando aos governos e populações cerca de 1,4 trilhão de dólares anuais em gastos com saúde e perda de produtividade.
Segundo a OMS, o cigarro e as doenças relacionadas afetam principalmente pessoas pobres. Até o final do século, a agência da ONU estima que o tabaco irá contabilizar mais de um bilhão de mortes no mundo.

Sustentabilidade

Este é o primeiro relatório da OMS que considera os efeitos do tabaco na natureza e revela dados alarmantes. Os resíduos de tabaco contêm mais de 7.000 substâncias químicas tóxicas. Só a fumaça do cigarro, por exemplo, libera milhares de toneladas de substâncias tóxicas cancerígenas e gases do efeito estufa para o meio ambiente.
Além da poluição pela fumaça, os resíduos das bitucas de cigarro são o tipo de lixo mais numeroso. Quase 10 bilhões dos 15 bilhões de cigarros vendidos diariamente pelo mundo não são devidamente descartados. De acordo com o relatório, as bitucas representam entre 30% e 40% dos objetos recolhidos pelos serviços de limpeza urbana.

Publicidade

O comunicado levanta a importância da proibição da propaganda, da venda e uso em locais fechados e ambientes de trabalho; e defende o aumento de preços e impostos sobre os produtos.
“Ao adotar medidas firmes de luta antitabagismo, os governos protegem o futuro de seus países porque protegem toda a população. Além disso, geram recursos para financiar os serviços de saúde e outros serviços de sociais e evitam os estragos que o tabaco provoca no meio ambiente”, disse Margaret.
Brasil Recentemente, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) sugeriu novas propostas de alteração das embalagens de maços de cigarro com mensagens mais incisivas sobre os efeitos do tabaco.
“Muitos governos estão tomando medidas contra o tabaco, desde a proibição da publicidade e comercialização até a adoção do pacote neutro e a proibição de fumar nos espaços públicos e locais de trabalho. No entanto, uma medida de luta antitabagismo menos utilizada que resulta muito eficaz é a aplicação de políticas tributárias e de preços, que os países podem aplicar para satisfazer suas necessidades de desenvolvimento.”, explicou Oleg Chestnov, médico subdiretor da OMS para doenças não-transmissíveis e saúde mental.
(Com AFP)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estatina reduz risco de infarto, derrame e insuficiência cardíaca

Um novo estudo mostrou que pessoas que tomam estatinas são menos propensas a terem corações anormalmente grandes

Um novo estudo acaba de comprovar mais um benefício das estatinas para a saúde cardíaca. Além de ter o colesterol controlado, pessoas que tomam estatinas têm menor probabilidade de terem o músculo do coração espesso, condição conhecida como hipertrofia ventricular esquerda, que aumenta o risco de infarto, insuficiência cardíaca e derrame no futuro.

Menor volume e espessura

No estudo, apresentado durante o EuroCMR 2017, conferência sobre exames de imagem cardíaca realizada em Praga, na República Tcheca, pesquisadores da Universidade de Londres analisaram, por meio de exames de ressonância magnética, o coração de 4.622 pessoas na Inglaterra, das quais 17% tomavam estatinas. Os resultados mostraram que, em comparação com quem não fazia tratamento com o medicamento, aqueles que faziam tinham câmaras ventriculares esquerdas com uma porcentagem de massa muscular 2,4% menor. Seu volume de massa ventricular esquerda e direita também eram menores.
Mas, na prática, o que isso significa? De acordo com Nay Aung, autor do estudo, essas características correspondem a uma redução no risco de desfechos adversos associados a um coração grande e espesso, como infarto, insuficiência cardíaca e derrame, em pacientes que, teoricamente já estavam em risco mais alto de desenvolver problemas cardíacos, em comparação com aquelas que não usam o medicamento.
Os resultados foram confirmados mesmo após os cientistas contabilizaram outros fatores que podem afetar o coração, como etnia, gênero, idade e índice de massa corporal (IMC).

Possível explicação

Segundo informações do jornal britânico The Guardian, outros benefícios já comprovados das estatinas incluem melhoria da função dos vasos sanguíneos, redução da inflamação e estabilização dos depósitos de gordura nas paredes das artérias.
Embora o estudo atual não tenha analisado o porquê desse efeito benéfico das estatinas na estrutura e função cardíaca, pesquisas anteriores já haviam mostrado que o medicamento reduz o stress oxidativo e a produção de fatores de crescimento, químicos naturais que estimulam o crescimento celular. Essas características podem ter influência em seu efeito sobre a estrutura cardíaca. As estatinas também ajudam a dilatar as veias sanguíneas, levando a uma melhora no fluxo e redução do stress do coração.

Medicina personalizada Apesar dos resultados, Aung ressaltou que isso não significa que todas as pessoas acima dos 40 anos devem tomar estatinas.”As recomendações sobre quem deve ou não tomar estatinas são claras. Há um debate sobre se deveríamos reduzir o ‘corte’ e, o que nós descobrimos é que para pacienteis que já estão tomando o medicamento, existem efeitos benéficos que vão além da redução do colesterol, e isso é bom. Mas, em vez de liberar a prescrição, precisamos identificar as pessoas que mais se beneficiaram desse tratamento, algo conhecido como medicina personalizada“, finalizou.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Rio tem sexta morte por febre amarela confirmada, diz Secretaria de Saúde

Óbito aconteceu em Santa Madalena, no Noroeste do estado. No total, RJ registrou 15 casos da doença

Rio - A Secretaria de Estado de Saúde (Ses) confirmou, no fim da tarde desta segunda-feira, a sexta morte causada por febre amarela no Rio de Janeiro. O óbito aconteceu em Santa Madalena, no Noroeste do estado, e foi atestado por exames laboratoriais feitos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No total, o Rio já registrou 15 casos da doença.
De acordo com a secretaria, foram distruibuídas 4.975.425 de doses de vacina contra febre amarela para os 92 municípios, com prioridade para a lista que inclui 65 municípios considerados mais vulneráveis, de acordo com a análise da subsecretaria de Vigilância em Saúde.
Secretaria de Saúde do Estado já distribuiu quase 5 milhões de doses da vacina contra a doença para 92 municípios Maíra Coelho / Agência O Dia
Entre os 65 municípios considerados estratégicos pela subsecretaria, 55 já tiveram disponibilizadas doses em quantidade suficiente para imunizar seus habitantes. São elas: Aperibé, Araruama, Areal, Armação dos Búzios, Bom Jardim, Bom Jesus do Itabapoana, Cachoeiras do Macacu, Cambuci, Cantagalo, Carapebus, Cardoso Moreira, Carmo, Casimiro de Abreu, Comendador Levy Gasparian, Conceição de Macabu, Cordeiro, Duas Barras, Engenheiro Paulo de Frontin, Guapimirim, Iguaba Grande, Italva, Itaocara, Itaperuna, Itatiaia, Laje do Muriaé, Macaé, Macuco, Maricá, Miguel Pereira, Miracema, Natividade, Nova Friburgo, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Porciúncula, Quatis, Quissamã, Rio Bonito, Rio das Flores, Rio das Ostras, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis, São João da Barra, São José de Ubá, São José do Vale do Rio Preto, São Sebastião do Alto, Sapucaia, Silva Jardim, Sumidouro, Tanguá, Trajano de Moraes, Valença e Varre-Sai.
Além destes, outros 10 municípios são considerados prioritários e também receberão novas remessas de vacinas, de acordo com a entrega a ser feita pelo Ministério da Saúde. São eles: Arraial do Cabo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Magé, Petrópolis, Resende, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Teresópolis e Três Rios.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Pele de tilápia: a nova promessa no tratamento de queimaduras

Desenvolvido no Ceará, o curativo já foi testado em mais de 60 pacientes e promete ser uma alternativa mais barata e eficaz do que o método tradicional

A pele de tilápia é a nova promessa no tratamento de queimaduras. Desenvolvida no Ceará, a alternativa promete ser  melhor e mais barata em relação à terapia tradicional utilizada no Brasil.
O tratamento das queimaduras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na maioria dos serviços de queimados, é feito com pomada e curativos feitos com gaze, que são trocados a cada dois ou três dias, conforme a gravidade da ferida. Segundo Fábio Carramaschi, cirurgião plástico do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, a forma tradicional utilizada atualmente envolve o uso de pomada de sulfadiazina de prata, que possui função antimicrobiana.
Enquanto isso, em países como Argentina, Chile e Uruguai, o tratamento é feito com pele humana ou pele animal.
Segundo o cirurgião plástico Marcelo Borges, coordenador do SOS Queimaduras e Feridas do Hospital São Marcos, em Recife, idealizador do projeto, o tratamento tradicional é relativamente caro, justamente por conta da quantidade de material utilizado e das frequentes trocas de curativos, que também causam dor e desconforto ao paciente, o que gera a necessidade de administrar analgésicos e anestésicos, aumenta o trabalho da equipe e, consequentemente, os custos.
“Uma das coisas mais importantes do curativo com tilápia é que na queimadura superficial, a de segundo grau, ela fica até o final da cicatrização, algo em torno de dez dias, sem precisar trocar diariamente”, explica o coordenador.

Como funciona: aplicação do curativo

As tilápias são retiradas do açude Castanhão, em Jaguaribara, maior reservatório de água doce do Ceará, localizado a 260 quilômetros de Fortaleza. “As peles são lavadas no local de retirada com água corrente pela própria equipe, colocadas em caixas isotérmicas e levadas para o Banco de Pele na Universidade Federal do Ceará”, explica Edmar Maciel, cirurgião plástico coordenador da fase clínica em andamento no Instituto José Frota (IJF).
Depois de passarem pela esterilização inicial, são enviadas para São Paulo, ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) da Universidade de São Paulo (USP), onde passam por uma radioesterilização, procedimento que elimina possíveis vírus e garante a segurança do produto. Quando voltam para o banco de pele do estudo, após cerca de 20 dias, as peles são refrigeradas, e podem ser utilizadas em até dois anos. “A pele da tilápia, quando colocada, adere-se à pele ‘tamponando’ a ferida. Ela causa um verdadeiro ‘plastrão’”, explica Maciel. Com isso ela evita a contaminação do meio externo e que o paciente perca líquido e proteínas, causando desidratação e prejudicando a cicatrização.
De acordo com o médico, o resultado tem sido bastante positivo. “Até o momento não observamos nenhuma contraindicação. O que estamos estudando são ajustes de pele, formas de colocação, melhor maneira de dar maior conforto ao paciente”, salienta.
Atualmente, o tratamento está disponível apenas para feridos por queimaduras do Instituto José Frota (IJF), em Fortaleza e  já foi testado em mais de 60 pacientes.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Vítima da Síndrome de Asperger, Messi derrota a doença para vencer na vida

Craque argentino tem gestos repetidos em campo por conta da doença

Espanha - Craque, superdotado, menino prodígio e... autista. Diagnosticado aos 8 anos de idade como portador da Síndrome de Asperger, também conhecida como “fábrica de gênios” — os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o naturalista Charles Darwin e o pintor renascentista Michelangelo, entre outros, seriam portadores — Messi é a prova viva de que a doença, uma forma branda de autismo, não impede ninguém de brilhar e, no caso do argentino, ser eleito o melhor jogador do mundo quatro vezes seguidas.
Messi teve grande atuação na vitória do Barcelona Efe
Embora o diagnóstico do autismo de Messi, que na infância também sofreu de nanismo e foi tratado no Barcelona, tenha sido pouco divulgado para protegê-lo de qualquer discriminação, seus inúmeros fãs não devem se assustar. A Síndrome de Asperger, diferentemente do autismo clássico, não acarreta em nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo — a doença afeta geralmente pessoas do sexo masculino com dificuldades de socialização, gestos repetitivos e estranhos interesses.
Messi em 1997, quando cursava quinto ano Reprodução Internet
A fixação de Messi pela bola explicaria um pouco sobre o assunto. Apesar de seu talento inegável, o comportamento do camisa 10 argentino dentro de campo é revelador sobre o aspecto de sua doença. “Autistas estão sempre procurando adotar um padrão e repeti-lo exaustivamente. Messi sempre faz os mesmos movimentos, quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele”, afirma Nilton Vitulli, no site Poucas Palavras, do jornalista Roberto Amado.
Vitulli, que é pai de um portador da síndrome de Asperger e membro da ONG Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde (reúne pais e familiares de ‘aspergianos’), acrescenta que como a maioria dos autistas tem memória descomunal, Messi provavelmente conhece muito bem todos os movimentos que precisa executar na hora de balançar a rede.
“É como se ele previsse os movimentos do goleiro. Ele apenas repete um padrão conhecido. Quando entra na área, já sabe que vai fazer o gol. E comemora, com aquela sorriso típico de autista, de quem cumpriu sua missão e está aliviado”, diz Nilton, que enaltece a qualidade do chute de Messi, a sua habilidade com a bola grudada no pé, mesmo em alta velocidade, mas ressalta se tratar “apenas” de padrões de repetição comuns aos portadores da Síndrome de Asperger. Mesmo no caso do gênio Messi.
Messi é um exemplo de superação. Ele passou por cima de tudo e conquistou cinco Bolas de Ouro da Fifa (2009, 2010, 2011, 2012 e 2015), quatro Champions Leagues (2005–06, 2008–09, 2010–11, 2014–15) e três Copas do Mundo de Clubes da FIFA (2009, 2011 e 2015).
Personalidade pouco sociável fora de campo
Messi sofre com os sintomas da Síndrome de Asperger. Principalmente fora de campo — a dificuldade de interação social é o maior adversário. É o que garante Giselle Zambiazzi, ex-presidente da Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Santa Catarina.
“O gestual, o olhar e o comportamento do Messi são típicos. Na premiação da Bola de Ouro ele ficou incomodado, pois não sabe lidar com o bombardeio de informações do mundo externo”, diz.
Ela leu a biografia de Messi e detectou traços marcantes da doença. “Na infância ele só saía de casa com uma bola de futebol. Mesmo que fosse ao médico”, diz Giselle, que espera que o craque não seja discriminado: “Acham que o autista é um débil mental. Não é isso. Messi é um exemplo de superação”.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mutação no vírus pode ter acelerado epidemia de zika

Mutação no vírus pode ter acelerado epidemia de zika
Cientistas chineses identificaram uma mutação no vírus da zika que pode ter sido responsável pelo rápido alastramento da doença nas epidemias da Polinésia Francesa (2013/2014) e da América do Sul (2015/2016).
De acordo com os autores da pesquisa, a mutação identificada no zika aumenta a secreção da proteína NS1. Estudos anteriores já haviam mostrado que essa proteína está associada ao processo de aquisição de flavivírus – grupo ao qual pertencem os vírus da zika e da dengue – pelos mosquitos.
No novo estudo, publicado hoje na revista Nature, os cientistas comprovaram que o mesmo mecanismo ligado à proteína NS1 também promove a aquisição do vírus zika no Aedes aegypti, o mosquito que transmite a doença para humanos. A pesquisa foi liderada por Gong Cheng, da Universidade Tsinghua, em Pequim (China).
Ao ser lançada no organismo do Aedes aegypti, a proteína ajuda o vírus a superar as proteções imunológicas do mosquito, possibilitando a infecção. Com maior facilidade para infectar o Aedes aegypti, que está inserido em ambientes urbanos, o vírus conseguiu se espalhar rapidamente.
Segundo os autores, a mutação que causa o aumento da secreção de NS1 ocorreu apenas a partir de 2013. Isso explicaria o rápido alastramento do vírus a partir dessa data, quando começaram as epidemias que atingiram primeiro a Polinésia Francesa e depois chegou às Américas.
O vírus da zika surgiu na África em meados do século 20 e migrou para a Ásia. Até aí, ele não causava nenhum problema em humanos e infectava principalmente macacos. A linhagem asiática do vírus, no entanto, chegou à Micronésia, no Oceano Pacífico, no início do século 21 e causou o primeiro grande surto em humanos em 2007.
Em 2013, o vírus causou um surto na Polinésia Francesa e em fevereiro de 2014 chegou à Ilha de Páscoa, também no Oceano Pacífico, a 3.700 km da costa do Chile. A partir daí, os casos de zika se espalharam em grande parte dos países das Américas. No Brasil, onde ocorreram as primeiras mortes, o vírus motivou um alerta mundial da Organização Mundial da Saúde em 2015.
“Humanização”
Em 2015, um grupo coordenado por Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, em colaboração com o Instituto Pasteur de Dacar (Senegal), já indicava que o vírus da zika havia passado por adaptações genéticas que o tornaram cada vez mais eficiente para infectar humanos. O estudo desse grupo mostrou que, em seu longo caminho entre a África e as Américas, o vírus adquiriu características genéticas que aumentaram sua capacidade de se replicar nas células humanas.
Segundo Zanotto, se a linhagem africana do vírus infectava principalmente macacos e mosquitos, ao longo de sua jornada até o Pacífico, as novas linhagens passaram a “imitar” os genes que o corpo humano mais expressa, a fim de produzir em grande quantidade proteínas que esses genes codificam.
Com esse processo, apelidado pelos cientistas de “humanização do vírus”, a infecção ficou mais eficiente – especialmente a partir de 2007. Um dos genes mais “imitados” pelo vírus da zika era justamente o da proteína NS1, que também tem o papel de modular a interação entre o vírus e o sistema imunológico dos humanos.
De acordo com os cientistas, a produção dessa proteína funciona como uma camuflagem para o vírus, desorientando completamente o sistema imunológico e facilitando a infecção.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Hipertensão: a importância de conhecer, evitar e controlar

A hipertensão é uma condição multifatorial que pode resultar em complicações em órgãos vitais e alterações metabólicas, muitas vezes fatais

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). A hipertensão resulta em complicações em órgãos vitais como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares, muitas vezes fatais.

Hipertensão é fator de risco modificável

A HAS é muito comum na população e é considerada um dos principais fatores de risco (FR) modificáveis e um dos mais importantes problemas de saúde pública. A mortalidade por doença cardiovascular (DCV) aumenta progressivamente com a elevação da PA a partir de 115/75 mmHg.
Atualmente, cerca de 10 milhões de mortes no mundo são atribuídas à elevação da PA (secundárias a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e hemorrágicos e a doença coronária), sendo mais da metade em indivíduos entre 45 e 69 anos.
Em nosso país, as DCV têm sido a principal causa de morte nos últimos anos, e estratégias para detecção da HAS, de controle e de prevenção são fundamentais para a redução de mortes cardiovasculares.
A HAS resulta na ocorrência de acidente vascular (derrame cerebral), doença coronária (angina e infarto), cardiomiopatia (doença do músculo cardíaco), retinopatia (podendo resultar em cegueira) e doença renal terminal, resultando em um número elevado de pacientes com necessidade de diálise. Inquéritos populacionais em cidades brasileiras nos últimos 20 anos apontaram uma prevalência de HAS acima de 30%, com mais de 50% entre 60 e 69 anos e 75% acima de 70 anos, com proporção semelhante entre homens e mulheres.

Tratamento e controle são fundamentais

Estudos clínicos demonstraram que a detecção, o tratamento e o controle da HAS são fundamentais para a redução dos eventos cardiovasculares. No Brasil, 14 estudos populacionais realizados nos últimos 15 anos com 14.783 indivíduos (PA < 140/90 mmHg) revelaram baixos níveis de controle da PA (19,6%). Os esforços concentrados dos profissionais de saúde, das sociedade científicas, das agências governamentais e da população são fundamentais para se atingir metas de tratamento e controle da HAS.

A importância da prevenção

A hipertensão arterial é uma doença grave que tem prevenção e tratamento eficazes. O excesso de peso, a ingestão excessiva de sódio, o sedentarismo, o estresse emocional e a ingestão excessiva de álcool são fatores associados a maior ocorrência de hipertensão arterial, à maior gravidade e a menor possibilidade de controle adequado.
Mudanças no estilo de vida são entusiasticamente recomendadas na prevenção primária da HAS. Hábitos saudáveis de vida devem ser adotados desde a infância e adolescência, respeitando-se as características regionais, culturais, sociais e econômicas dos indivíduos.
As principais recomendações não-medicamentosas para prevenção primária da HAS são: alimentação saudável, consumo controlado de sódio e álcool, ingestão de potássio, combate ao sedentarismo e ao tabagismo.
A medida correta da pressão arterial supervisionada pelo médico é fundamental, com aparelhos calibrados, validados estando o paciente em condições ideais. Uma vez detectada a hipertensão arterial, o paciente deve fazer seguimento médico regular, com o objetivo de adequar o tratamento, visando a redução das complicações cardiovasculares e renais da hipertensão que muitas vezes são fatais.
A prevenção, o controle e o tratamento da hipertensão arterial são essenciais para a saúde cardiovascular.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Vírus atual da febre amarela tem mutação inédita, diz Fiocruz

De acordo com pesquisadores, não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial

Rio - Os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) concluíram o sequenciamento do vírus da febre amarela, responsável pelo atual surto da doença no Brasil. De acordo com o instituto, após a análise da sequência completa do genoma foi possível constatar a presença de variações em sequências genéticas que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral. Ainda segundo a instituição, não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial.
Os pesquisadores reforçaram que os impactos para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontaram para a necessidade de se avaliar mais amostras, relativas a locais diferentes e incluindo casos em humanos, macacos e mosquitos.
Febre amarela: concluído sequenciamento do genoma completo de vírus associado ao surto atual Divulgação / Josué Damacena /IOC / Fiocruz
Os resultados das análises foram divulgados na revista científica ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’. Adicionalmente, dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco que veio a óbito no Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com a Fiocruz, o estudo partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço: a atual situação de febre amarela no país conta com lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão.
Para os pesquisadores, o surto é o mais severo das últimas décadas, e a doença tem se espalhado de forma rápida, com epizootias e casos humanos diagnosticados inclusive em locais considerados livres do agravo há quase 70 anos.
“Nesse momento, o compromisso de cada um de nós, pesquisadores, deve ser de gerar conhecimento na sua área de especialidade e compartilhar essas descobertas, de forma acelerada, para que possamos contribuir para preencher um mosaico de evidências que permita ajudar a explicar o cenário atual”, afirma a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, que coordenou o estudo com o pesquisador Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. 
Os pesquisadores enfatizam que o sequenciamento do genoma é fundamental para complementar as evidências obtidas na pesquisa. “Este é um resultado inicial. Não podemos generalizar, pois ainda não sabemos se esse vírus é predominante no atual surto”, afirma Ricardo Lourenço. 
Número de mortos no estado sobe para cinco
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro informou nesta segunda que subiu para cinco o número de mortes por febre amarela no estado. Exames laboratoriais feitos pela Fundação Oswaldo Cruz confirmam 14 casos da doença em todo o estado e mais duas mortes: uma em Macaé, norte fluminense, e uma em Silva Jardim, região da Baixada Litorânea.
Dos 65 municípios do Rio de Janeiros considerados mais vulneráveis ao contágio da febre amarela, 55 tiveram disponibilizadas doses em quantidade suficiente para imunização do público-alvo – entre elas, Macaé e Silva Jardim. São quase 5 milhões de doses da vacina disponibilizadas para os 92 municípios fluminenses.
Os municípios prioritários, de acordo com a avaliação do cenário epidemiológico, que ainda não receberam novas remessas de vacinas são: Arraial do Cabo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Magé, Petrópolis, Resende, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Teresópolis e Três Rios.
Desde janeiro, 7,7 milhões de doses foram distribuídas aos 92 municípios do estado, atendendo à estratégia de priorizar as cidades mais vulneráveis. O governo tem como meta imunizar toda a população elegível no estado até o fim do ano, cerca de 12 milhões de pessoas.
Ainda segundo a secretaria, a estratégia de vacinação em cada cidade deve ser definida por cada uma das 92 prefeituras, observando a disponibilidade de doses pelo Ministério da Saúde, a capacidade operacional - como número de postos e de pessoal capacitado para o trabalho -, além do armazenamento correto das doses, para que não haja perda de vacinas.
O público-alvo para receber as doses é formado por crianças a partir de 9 meses e adultos de até 59 anos.
Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Vitamina D reduz risco de menopausa precoce, revela estudo

Segundo pesquisa da Universidade Harvard, o consumo de vitamina D e leite de vaca pode contribuir para retardar o processo

Uma alimentação rica em peixes oleosos, como salmão, atum e sardinha, e ovos – ricos em vitamina D – pode evitar a menopausa precoce. De acordo com estudo publicado no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, o consumo de vitamina D através de alimentos e suplementos pode reduzir o risco da menopausa antes dos 45 anos em até 17%. Já os alimentos ricos em cálcio mostraram uma redução de 13%.
Estudos anteriores já haviam sugerido que a vitamina pode retardar o envelhecimento dos ovários. Cerca de uma a cada dez mulheres enfrenta a fase da menopausa precoce – antes dos 45 anos -, aumentando os riscos de osteoporose, doenças cardíacas e diminuindo a fertilidade.

O estudo

Pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, analisaram 116.430 mulheres que trabalharam na área da saúde durante duas décadas. Durante esse período, as participantes registraram sua dieta em cinco ocasiões e 2.041 mulheres entraram na menopausa.

Resultados

Os resultados, levando em conta peso e histórico de amamentação, revelaram que aquelas que consumiram maior quantidade de vitamina D apresentaram um risco 17% menor para a antecipação do período fisiológico do que as outras. Já o consumo de cálcio foi associado a uma redução de 13% na probabilidade de menopausa precoce.
Acredita-se que o consumo de cálcio relacionado a redução da menopausa precoce pode ser explicada pela quantidade de hormônios no leite de vaca, retardando as mudanças hormonais naturais da mulher.
Em relação à vitamina D, segundo os autores, existem boas evidências de que a substância acelere a produção de hormônios que retardam o envelhecimento ovariano e a idade em que a mulher perde a capacidade reprodutiva. Isso é importante pois a menopausa surge justamente quando a mulher não produz mais óvulos.
“Acreditamos que o cálcio poderia influenciar, também, a idade ovariana porque no leite está presente hormônios como a progesterona, que pode ajudar a reduzir esses riscos“, explicou Alexandra.
Nos Estados Unidos, leite e queijo são fortificados com vitamina D. Segundo os pesquisadores, foram os laticínios os principais alimentos que indicaram a redução do risco de menopausa precoce e o resultado poderia ser diferente em outros países. No entanto, mais pesquisas são necessárias para comprovar se a ingestão de suplementos de vitamina D realmente afeta o atraso da menopausa.

Menopausa precoce

“A menopausa precoce não só está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e Alzheimer, como pode afetar as chances de conceber anos antes do aparecimento dos sintomas”, disse Alexandra Purdue-Smithe, uma das autoras da pesquisa, ao Daily Mail.
Uma mulher que entra na fase da menopausa aos 43 anos, por exemplo, pode enfrentar problemas de fertilidade por volta dos 33 anos. “Estudos procuram por algo que possa reduzir esses riscos. E a dieta, que pode ser facilmente alterada, tem grande implicação na saúde da mulher.”

sábado, 13 de maio de 2017

CE tem cinco mortes por chikungunya neste ano

Outros quarenta óbitos estão em investigação, de acordo com a Sesa. Além disso, houve três mortes por dengue
 
Os dados do último boletim epidemiológico das arboviroses – dengue, chikungunya e zika – em circulação no Ceará, divulgados ontem pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), caracterizam um atual cenário epidêmico das doenças, indica a ocorrência de cinco óbitos em decorrência da chikungunya e três pela dengue. A incidência das três doenças é de 844 casos por 100 mil habitantes, detectados em 177 dos 184 municípios cearenses.
Desde janeiro, foram confirmados 7.170 casos de dengue, enquanto a chikungunya infectou quase o dobro, com 13.312 casos. A zika tem a menor taxa de infecção, com 125 confirmações. No total, o sistema de saúde notificou mais de 75 mil casos suspeitos das três doenças. Segundo o secretário da Saúde do Ceará, Henrique Javi, a explosão dos casos está relacionada a diversos fatores, como a proliferação de criadouros do mosquito Aedes aegypti,  na quadra chuvosa; a descontinuidade de ações de controle pela troca de gestão nos municípios cearenses e características específicas dos vírus.
“Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstram que o vírus da chikungunya se alastra duas vezes mais que o da dengue e quatro vezes mais que a zika. No mosquito, a chikungunya se replica em sete dias, enquanto na dengue esse período é de 14 dias”, explica o gestor. Além disso, segundo Javi, a população está suscetível à contaminação porque nunca esteve exposta à doença em períodos anteriores. Os primeiros casos da chikungunya no Ceará foram verificados em 2014, “importados” de outras localidades.
Conforme a Sesa, 130 dos 184 municípios cearenses receberam cartas de alerta sobre um possível risco de epidemia, com base nos dados levantados pela Pasta, e tiveram  recomendações para elaborarem um plano de controle do mosquito. Destes, apenas 17 não enviaram o documento, enquanto 86 já vêm sendo monitorados. O secretário também admitiu a possibilidade de subnotificação de casos, mas acredita que ela não deve ser alta porque os informes são necessários para que os municípios recebam apoio técnico.
Questionado se houve falha da Pasta em prever a disseminação da doença, Javi disse que a circulação do vírus é recente e mais agressiva que a dengue, impondo novos desafios à Saúde Pública. “Desde 2015, o alerta já estava dado. Tentamos nos preparar o máximo possível em 2016, mas, no fim do ano, houve desmobilização em algumas cidades por causa da troca de gestores. Esse trabalho já foi retomado e não pode parar”, disse.
Dentre as estratégias adotadas, estão o uso de 30 carros fumacê e 230 bombas costais, que permitem a pulverização de inseticidas; a distribuição de 10 mil rolos de tela para o revestimento de depósitos; formação de brigadas de combate ao mosquito e a capacitação de laboratoristas, agentes e médicos.
Entrevista com Caio Cavalcanti - Coordenador do Comitê Gestor de Enfrentamento às Arboviroses
Organização e empenho geral são necessários para dar respostas
Homem
Qual é a utilidade prática do boletim epidemiológico?
Esse documento garante, por meio das informações rápidas, uma decisão oportuna para o enfrentamento às arboviroses. Na hora em que percebemos um sinal de alerta, já organizamos uma resposta rápida, enviando força-tarefa da Secretaria da Saúde (Sesa) para o Município e organizando planos de contingência. O boletim nos dá essa tendência e nos permite direcionar as ações.
Que desafios a chikungunya cria para a saúde pública?
A chikungunya é uma doença relativamente recente no Estado do Ceará. Esse enfrentamento requer um exército ampliado e o envolvimento de toda a sociedade. Temos procurado mobilizar instituições públicas e privadas, obviamente com a liderança do governo para fortalecer nossas ações, e que a faxina semanal, por exemplo, passe a ser algo cultural.
Então, por que, mesmo com 30 anos de dengue no Ceará, o combate ao mosquito não se tornou cultural?
Por muito tempo, o enfrentamento ficou concentrado no setor da Saúde, com uma dependência muito forte do fumacê e de outras intervenções. Recentemente, nos últimos anos, é que a gente conseguiu trazer outros setores do governo e da sociedade para esse enfrentamento, porque tem espaços onde a Saúde não pode chegar. E isso requer tempo.
(Colaborou Nícolas Paulino)