segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Colesterol: o limite mudou

Duas novidades dão maior rigor à prevenção de doenças cardíacas: a taxa do LDL tem que ser ainda menor para pacientes de risco e a perda de peso é obrigatória para todos. Não existe obesidade saudável

Crédito: Divulgação
Duas novas medidas anunciadas na semana passada deixaram mais apertadas as metas a serem alcançadas para uma prevenção eficaz de doenças cardiovasculares. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) divulgou diretrizes segundo as quais os limites aceitáveis do colesterol ruim, o LDL, devem ser ainda mais baixos para pessoas de alto e altíssimo risco. O LDL é nocivo porque entope as artérias, contribuindo para a ocorrência de infarto ou de acidente vascular cerebral (AVC). De acordo com a entidade brasileira, indivíduos de alto risco são aqueles que apresentam mais de um fator de risco para essas doenças. Entre eles, hipertensão, diabetes e obesidade. Os pacientes de altíssimo risco já tiveram um desses eventos e/ou foram submetidos à colocação de pontes de safena ou de stents (artefato que mantém a artéria aberta).
Até agora, a taxa ideal de LDL para o primeiro grupo era de 100 mg/dL. O limite passou a ser de até 70 mg/dL. Nesses pacientes, o risco de morte por doença cardiovascular em dez anos supera os 20% (homens) e os 10% para mulheres. A nova recomendação para os indivíduos com maior chance de sofrerem algum problema é de LDL de no máximo 50 mg/dL. Antes, admitia-se uma concentração de até 70 mg/dL. Entre esse grupo, a probabilidade de morte nos próximos dez anos supera os 20% para ambos os sexos.
O rigor no controle do LDL nos casos de maior vulnerabilidade obedece a uma tendência mundial. “É preciso ser mais agressivo no trabalho de prevenção voltado para as pessoas de maior risco”, afirma o cardiologista Raul Dias dos Santos Filho, diretor científico da SBC e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Nos Estados Unidos, eles são ainda mais rigorosos.”
A mudança vem ancorada em evidências científicas recentes de que a redução nos níveis de LDL oferece benefícios importantes. Pacientes de altíssimo risco que chegam na marca dos 50 mg/dL manifestam uma diminuição de 15% na chance de serem vítimas de um novo evento cardiovascular ou de morrer.
TAXA O médico Raul Dias defende maior controle do LDL em doentes de risco (Crédito:Karime Xavier / AG. ISTOE)
A outra novidade na área da prevenção veio da Inglaterra. Um trabalho do Imperial College London e da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, derrubou o mito de que existe obesidade saudável. Segundo os cientistas, pessoas acima do peso com índices normais de colesterol, pressão arterial e de açúcar no sangue apresentam 28% mais chance de manifestar alguma doença cardíaca em comparação a um indivíduo no peso certo. Durante muito tempo, correu no meio científico a ideia de que era possível alguém ser obeso e, apesar disso, ser saudável. “Nossa pesquisa mostra que esse conceito não existe”, disse Ionna Tzoulaki, uma das coordenadoras do artigo, publicado na última edição do European Heart Journal.
VALE O ESFORÇO
O levantamento é o mais extenso feito até hoje sobre o tema. Os pesquisadores usaram os dados de 500 mil pessoas, de dez países europeus, acompanhados por doze anos. Após o período, 7,6 mil participantes tiveram algum problema cardíaco. A obesidade apareceu como uma ameaça importante, tendo elevado, sozinha, a chance de ocorrência dos eventos. “Se um paciente está com sobrepeso ou obeso, todos os esforços devem ser feitos para que ele volte ao peso saudável”, completou Camille Lassale, líder do trabalho. Isso é importante não só para minimizar os riscos cardíacos. “A obesidade eleva o risco para outras doenças, como o câncer e as dificuldades articulares”, explica a médica Maria Edna de Melo, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.
NOVAS METAS
As taxas de colesterol ruim (LDL) aceitáveis segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia agora são:
• Até 130 mg/dL para pessoas de BAIXO RISCO (não apresentam fator de risco para doenças cardíacas)
• Até 100 mg/dL para indivíduos com MÉDIO RISCO (manifestam apenas um fator de risco)
• Até 70mg/dL para pacientes de ALTO RISCO (têm mais de um fator de risco)
• Até 50 mg/dL para indivíduos com ALTÍSSIMO RISCO (já tiveram infarto, AVC, colocação de ponte de safena ou stent)
O PERIGO DA BALANÇA
Pessoas acima do peso têm 28% maior chance de sofrer um infarto mesmo se apresentarem índices normais de pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A rara doença que viajou de Portugal ao Brasil

Governo discute oferta, pelo SUS, do primeiro remédio contra a Paramiloidose. Pouco conhecida, a enfermidade causa perda progressiva de movimentos e pode atingir famílias inteiras

A rara doença que viajou de Portugal ao Brasil
PARTIDA Povoa do Varzim, em Portugal, é o centro da região onde se originou a doença
NOME Em Povoa, os moradores chamam a PAF de “doença dos pezinhos” (Crédito:Tiago Martins)
Em 2006, a família da dona de casa Tereza Moura reuniu-se em uma sala do Hospital Clementino Fraga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para ouvir um diagnóstico duro. Todos – ela, dois irmãos, dois filhos e quatro sobrinhos – eram portadores de uma doença genética hereditária rara. Progressiva, degenerativa e irreversível, ela causa atrofia muscular, perda progressiva dos movimentos e pode levar o doente à morte dez anos após os primeiros sintomas se não houver tratamento. A investigação da família descendente de portugueses começou após a morte do irmão de Tereza. Ele foi o primeiro dos Moura a ser diagnosticado com Polineuropatia Amiloidótica Familiar (PAF), ou paramiloidose, enfermidade pouco conhecida cujas raízes estão em Portugal e que, de lá, viajou ao Brasil. Aqui há cerca de cinco mil casos, a maioria não diagnosticados.
Na doença, a proteína transtirretina (TTR), produzida principalmente no fígado, apresenta uma alteração estrutural que a torna instável, fazendo com que se deposite em diferentes tecidos. O acúmulo interfere no funcionamento dos órgãos atingidos. A mudança é causada por um erro no gene que sintetiza a proteína. Há mais de cem mutações identificadas, mas a maioria dos pacientes brasileiros apresenta a mesma mutação que predomina entre os portugueses, a V30M. No país europeu, registros históricos apontam a cidade de Povoa do Varzim como possível ponto de origem da doença. Teria sido desta região ao norte de Portugal que ela foi trazida ao Brasil durante a colonização.
Diagnóstico difícil

REFERÊNCIA Tereza e o filho Rafael são pacientes do Ceparm, onde Débora (abaixo) faz pesquisa (Crédito:Lucas Ismael)

Os navios portugueses também trouxeram a alteração I122V, mais comum entre os afro-americanos. “Ela é prevalente em quase 4% dos afro-descendentes. E o Brasil recebeu cerca de cinco milhões de escravos”, diz a neurologista Márcia Cruz, diretora do Centro de Estudos em Paramiloidose (Ceparm), na UFRJ, único serviço de referência do País. No centro, uma equipe de médicos, geneticistas e biólogos presta atendimento do diagnóstico ao tratamento e desenvolve pesquisas. “Os diagnósticos genético e o da manifestação da doença são impactantes”, diz a bióloga Débora Foguela, coordenadora do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Méis, da UFRJ.
“Ela não é só uma neuropatia” Isabel Conceição, Lisboa (Crédito:Fernando Bento)
O primeiro caso no mundo foi identificado em Portugal, em 1939, pelo neurologista Corino de Andrade. Uma paciente de 37 anos, residente em Povoa do Varzim, disse em uma consulta que sofria da “doença dos pezinhos”. Assim como ela, alguns parentes haviam perdido a sensibilidade nos membros inferiores. Apesar de os sintomas serem parecidos com o da hanseníase, o médico desconfiou de uma síndrome neurológica ainda não descrita. “Um médico com poucos recursos viu um doente, achou estranho e começou um trabalho de formiguinha”, conta a médica Teresa Coelho, do Hospital de Santo António, em Porto. “Realizou biópsias, autópsias e percebeu que era uma forma peculiar de neuropatia”. Por aqui, os primeiros casos foram reportados também em 1939. Eram dois irmãos nascidos na mesma Póvoa do Varzim.

Exatamente por ter sintomas muito distintos, a PAF pode ser confundida com outras patologias. Por essa razão, o diagnóstico é difícil e, em geral, demora anos. “Muitos neurologistas experientes podem não identificá-la”, diz Isabel. Isso é um grande problema. Os dois únicos tratamentos disponíveis devem ser adotados nas fases iniciais: o transplante de fígado, que produz a TTR instável, ou o Tafamidis, primeira medicação que estabiliza a proteína, impedindo seu enovelamento nos tecidos. “Eles apenas atrasam a progressão da doença. Os pacientes vivem anos mais significativos com qualidade de vida”, afirma Isabel. Produzido pela Pfizer, o Tafamidis é um medicamento de alto custo. A caixa com trinta comprimidos custa cerca de R$ 21 mil. Neste mês, o Ministério da Saúde abriu consulta pública para avaliar sua incorporação pelo SUS. “Infelizmente, o tratamento ainda não é uma realidade para todos”, diz Márcia Cruz.A doença começa a se manifestar a partir de 30 anos. Em geral, os primeiros sintomas são formigamento e perda de sensibilidade nas pernas e nos pés. Depois, evolui para braços e mãos, levando à atrofia e à perda dos movimentos. Há outros prejuízos, como insuficiências renal e cardíaca e alterações gastrointestinais. “A doença não é só uma neuropatia. Há um envolvimento multi-sistêmico”, explica a médica Isabel Conceição, do Hospital Santa Maria, centro de referência da doença em Lisboa.

* A jornalista viajou a Portugal a convite da Pfizer

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Tratamentos e causas para a pele com acne

As espinhas, se não controladas, podem deixar manchas no rosto e em outras partes do corpo. Saiba o que é importante para prevenir e remediar o problema

  As espinhas são fruto de uma inflamação na pele e geralmente se concentram no rosto, no peito, nos ombros ou nas costas. Embora possa aparecer em qualquer idade, a acne é mais comum durante a adolescência, quando o aumento dos níveis hormonais estimula o trabalho das glândulas sebáceas.
Normalmente, essas glândulas fabricam uma espécie de gordura essencial à proteção da pele. Essa secreção oleosa, juntamente com células mortas, atravessa os folículos pilosos (orifícios de onde saem os pelos) e acaba eliminada. Mas, se a produção é excessiva, parte desse sebo fica retida, entupindo os poros. Quando isso acontece, o acúmulo oleoso atrai para o local bactérias, sobretudo a Proprionibacterium acnes.
Esse micro-organismo libera substâncias tóxicas que irritam a pele. Para barrá-lo, células de defesa são recrutadas e desencadeiam uma reação inflamatória. O resultado é visto no espelho: formam-se cravos, que podem aumentar de volume e ganhar coloração avermelhada — casos mais graves chegam virar abcessos com pus.

Sinais e sintomas

– Coceira e irritação na região afetada
– Pontos pretos (cravos marcam o estágio inicial ou o tipo mais ameno da acne)
– Espinhas (pontos brancos, arredondados, com uma área avermelhada em volta)
– Pústulas (num estágio mais avançado da doença, aparecem protuberâncias com pus)
– Abcessos (complicação mais grave das espinhas e pústulas)

Fatores de risco

– Puberdade (por causa do aumento dos níveis de hormônios sexuais)
– Período menstrual (também devido à variação hormonal)
– Pele oleosa
– Síndrome dos ovários policísticos
– Distúrbios de tireoide
– Estresse crônico
– Medicamentos como os corticoides
– Exposição exagerada ao sol
– Transpiração em excesso
– Uso de cremes faciais inadequados
– Predisposição genética

A prevenção

Como a acne está ligada ao excesso de produção de gordura na pele e à ação de bactérias, algumas medidas que contenham esse complô de fatores ajudam a prevenir o problema. Saber dosar o tempo de exposição ao sol é uma delas. Os raios ultravioleta até têm um efeito antibacteriano, então ficar um tempinho a céu aberto ajuda a secar as espinhas. Mas o exagero, por sua vez, estimula a oleosidade, atraindo micróbios. Por isso, indica-se cautela nos banhos de sol, e nada de usar protetores solares oleosos.
Manter a pele limpa, mandando embora o acúmulo de poluição e resíduos de cremes, evita a obstrução dos poros. O ideal é fazer a higienização com um sabonete facial pelo menos de manhã e à noite. Mas atenção: lavar demais pode provocar o chamado efeito rebote. O organismo entende que algum fator externo está acabando com a gordura protetora e por isso estimula uma superprodução de sebo, piorando cravos e espinhas.
As mulheres devem ficar atentas à maquiagem. Alguns cosméticos sobrecarregam a pele e contribuem para o aparecimento da acne. Vale optar pelos produtos oil free, livres de gordura. E remover tudo antes de dormir.
Alimentação equilibrada também entra nessa história. Embora não haja estudos comprovando que certos alimentos sejam responsáveis pelo aparecimento desses pontos indesejados na pele, observa-se que, em algumas pessoas, comidas muito calóricas e gordurosas se refletem em um aumento de oleosidade na pele.

O diagnóstico

Na consulta, o dermatologista avalia o estado geral da pele e faz o histórico do paciente, a fim de detectar o risco de outras doenças serem responsáveis pela presença de cravos e espinhas — como ovários policísticos e disfunções na tireoide, que quebram o balanço hormonal. É preciso, portanto, descartar possibilidades assim antes de orientar o tratamento.

O tratamento

Nas formas mais amenas da acne, em geral é suficiente lavar a área com sabonete suave, uma ou duas vezes por dia. Em seguida, usam-se cremes ou loções receitados pelo dermatologista, com substâncias como ácido retinoico, que ajudam a desobstruir os poros. Se o médico avaliar que é necessário, indicará também um antibiótico oral para conter a ação das bactérias.
Nos casos mais graves, com a presença de pus e inflamação e quando as alternativas anteriores falharam, é possível recorrer ao uso da isotretinoína, medicação que inibe a produção das glândulas sebáceas. Mas esse recurso, diga-se, provoca efeitos colaterais como ressecamento dos lábios e da pele em geral, dores musculares e até alteração no fígado.
Exige, portanto, acompanhamento médico. Sem contar que, durante o tratamento, ficam proibidos sol, bebidas alcoólicas e – mais importante ainda – gravidez, porque o remédio provoca malformação fetal. Para eliminar marcas na pele causadas pela acne, os dermatologistas podem empregar métodos como peeling, microdermoabrasão e laser.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Visão refeita

Tratamento do glaucoma ganha novo aliado com prótese minúscula que pode ser implantada no olho sem efeito colateral

Visão refeita
ESPERANÇA Alérgica ao colírio, Jeanete espera que a cirurgia reduza a pressão intraocular
Os pacientes brasileiros com glaucoma, considerada a principal causa de cegueira irreversível do mundo, acabam de ganhar mais uma opção no tratamento da doença: o implante de um microdispositivo dentro do olho, mais especificamente no canal de Schlemm, para estabilizar a pressão intraocular. A prótese funciona como um auxílio para o olho drenar o humor aquoso, um líquido transparente que tem como objetivo nutrir as estruturas internas do órgão. No caso das pessoas quem sofrem com glaucoma, essa drenagem não ocorre de maneira natural, o sistema entope, a pressão intraocular aumenta e com o tempo causa danos graves ao nervo óptico. Até então, os pacientes tinham três opções para o tratamento: colírios, que causam efeitos colaterais, cirurgias a laser, que não são de fácil acesso, ou a trabeculectomia, que, apesar de ter ótimo resultado, compromete a estrutura ocular.
Em compensação, o implante do microdispositivo, além de oferecer uma recuperação mais rápida, mantém a conjuntiva intacta para outros procedimentos. “É uma opção principalmente para pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), de leve a moderado”, diz a oftalmologista Regina Cele. Embora possa ocorrer em crianças, o GPAA é a forma mais comum da doença e costuma se manifestar depois dos 40 anos. “O ideal é que seja feita junto com a cirurgia de catarata ou após, porque o resultado é melhor quando você tem a cirurgia combinada”. De acordo com a médica, é possível que o paciente receba mais de uma prótese. “Estudos americanos e europeus mostram que no implante da segunda prótese você tem uma redução bem significativa da pressão intraocular”, afirma.
Gabriel Reis
Sem colírio

A nova técnica é a esperança de Jeanete Dias Marques, 71 anos, que está de cirurgia marcada para os próximos dias. Há trinta anos a aposentada faz tratamento com colírios, mas sem sucesso. Além de ser alérgica ao medicamento e, por isso, sofrer com o olho vermelho e dores de cabeça diárias, a pressão do olho dela não diminuiu. “Estou bem esperançosa para a cirurgia, para não precisar mais usar o colírio”, diz ela. Em um estudo de caso realizado em 27 hospitais dos Estados Unidos, 73% dos pacientes que receberam a prótese puderam permanecer sem uso de medicação por pelo menos um ano, sendo que apenas 50% dos indivíduos que foram submetidos exclusivamente à cirurgia de glaucoma mantiveram-se sem o colírio, pelo mesmo período.
O dispositivo, já liberado pela Anvisa, só pode ser aplicado por cirurgiões que passaram por um treinamento, já que a técnica exige bastante precisão. O Istent é colocado por meio de um aparelho semelhante a uma caneta. O paciente é submetido a uma leva sedação e a anestesia tópica, sem o uso de agulha. A rápida recuperação exige no máximo uma semana de repouso. A cirurgia sai por cerca de R$ 6 mil.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Infarto em mulheres: os sintomas são diferentes

O ataque cardíaco mata mais do que o câncer de mama e, no sexo feminino, suas manifestações nem sempre dão pistas de que o problema está no coração

 

Sintomas clássicos: são os mesmos que aparecem nos homens

  • Dor no peito em aperto, que pode irradiar para o braço esquerdo, o pescoço, a mandíbula, o estômago e até as costas
  • Náusea
  • Vômito
  • Suor frio
  • Desmaio

Sintomas atípicos: mais frequentes no sexo feminino

  • Enjoos
  • Falta de ar
  • Cansaço inexplicável
  • Desconforto no peito
  • Arritmia

Como surgem os sintomas

Não existe uma regra para a forma como os sinais do infarto dão as caras. Eles podem tanto se manifestar todos juntos como surgir separadamente. Isso quer dizer que a dor no peito, por exemplo, pode tanto vir acompanhada de suor frio ou vômito como aparecer sozinha.

Quando me preocupar

O fato de você sentir uma dor no peito, um enjoo ou um cansaço não significa, é claro, que se trata de um piripaque no coração. De qualquer forma, é bom ficar atenta, principalmente se você se encaixa no grupo de risco para sofrer um ataque cardíaco. “Somente por meio de exames clínicos é possível saber se a pessoa está tendo um infarto. Por isso, o ideal é que, na dúvida, o paciente vá a um hospital”, orienta o cardiologista Cesar Jardim, coordenador do Clinic Check-Up do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.

Como sei se estou no grupo de risco?

Entre os fatores que aumentam a probabilidade de uma mulher sofrer um ataque cardíaco estão: hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo, estresse, obesidade, histórico familiar e tabagismo. No caso desse último item, vale alertar para os casos em que o hábito de fumar é associado ao uso de pílulas anticoncepcionais. “Essa combinação é trombogênica, ou seja, propicia a formação de coágulos que podem entupir os vasos”, explica Jardim.
Outro ponto de atenção deve ser a menopausa, período em que a mulher perde a proteção vascular proporcionada pelos hormônios femininos, como o estrógeno. “Ele facilita a circulação do sangue pelas artérias e protege o endotélio, tecido que reveste o interior dos vasos”, esclarece o cardiologista Carlos Costa Magalhães, diretor de Promoção da Saúde Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Uma vida saudável é a melhor prevenção

Além de tratar os fatores de risco – isto é, controlar a pressão, o diabetes e o colesterol, parar de fumar, perder peso… –, é fundamental adotar um estilo de vida saudável. Por isso, pratique atividade física regularmente, procure relaxar e adote uma alimentação balanceada – com muitas frutas, verduras e legumes e baixo consumo de itens ricos em sódio, nutriente que contribui para o aparecimento da hipertensão.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Atitude responsável contra uma doença silenciosa e traiçoeira

Frear a epidemia de diabetes exige uma mudança de foco: pensar menos em sintomas, e mais em prevenção e exames

 
O diabetes, caracterizado pelo aumento da glicose (açúcar) no sangue, pode provocar uma série de danos ao organismo. Exemplos: perda da visão, impotência sexual, dificuldade de cicatrização de feridas, amputação de membros e mau funcionamento de órgãos vitais, tais como coração, rins e cérebro.
Portanto, é preocupante o aumento de 61% dos casos no Brasil na última década, apontado pela Vigitel 2016 (Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada pelo Ministério da Saúde. Quase 9% dos habitantes de nosso país são diabéticos, incluindo-se entre os cerca de 380 milhões de portadores da doença em todo o mundo.
Conter o avanço desse problema está ao alcance de cada indivíduo. Embora o envelhecimento seja um fator de risco para o tipo 2 da doença, ela é causada muito por causa de obesidade, maus hábitos alimentares e sedentarismo. Assim, atitudes como praticar exercícios regularmente e manter peso adequado são fortes aliados.
Já o diabetes do tipo 1, que aparece predominantemente na infância, deve-se à incapacidade do pâncreas de produzir um hormônio denominado insulina, regulador da quantidade de açúcar no sangue. Não sabemos como evitar essa doença, porém hábitos equilibrados ajudam o paciente a ganhar saúde e qualidade de vida.
A prevenção é decisiva, porque os danos podem ser graves. Só para citar um caso, a possibilidade de um infarto aumenta 40% nos homens diabéticos e 50% nas mulheres.
Além da vida saudável, o ideal é realizar um checkup todo ano, no qual se verificam os níveis de glicose, colesterol, triglicérides, pressão sanguínea… Com esse procedimento, dá para diagnosticar o diabetes em uma fase na qual o tratamento costuma apresentar bons resultados.
Atitude preventiva e exames de sangue anuais são especialmente importantes no caso do diabetes, que, silencioso e traiçoeiro, não apresenta sintomas iniciais. Quando estes se manifestam, a doença poderá estar em fase adiantada.
Feito o diagnóstico, o tratamento deve ser imediato e regular. O médico avaliará se há necessidade de remédios por via oral e/ou insulina, frequência e dosagem. Dieta saudável, abolição do consumo de açúcar e exercícios físicos também são fundamentais para o restabelecimento dos níveis normais de glicose.
Combater o diabetes é essencial para a melhoria da saúde pública, em especial na redução da ocorrência de doenças cardiovasculares, as que mais matam no Brasil e no mundo. Independentemente de campanhas e políticas governamentais, prevenção e controle dependem muito de uma atitude responsável de cada pessoa perante a sua própria vida!
*José Luiz Aziz é cardiologista e diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Os novos 50 anos

Eles mudam de profissão, começam outra faculdade, se divorciam, casam novamente... Conheça a nova geração de cinquentões que, em ótima forma, é protagonista de uma das maiores mudanças de comportamento do nosso tempo

Os novos 50 anos
PRAZER Os cinquentões não ficam mais aprisionados a relacionamentos insatisfatórios. Por isso o aumento do número de divórcios e recasamentos nessa faixa etária ()
O engenheiro Narcizo deixou o emprego em outubro do ano passado para se aventurar em outras águas: é um feliz calouro do curso de física da Universidade de Campinas. Já José Rubens acorda diariamente às 4h20 para percorrer 70 quilômetros de bicicleta com um grupo de amigos pelas vias paulistanas. Depois de uma jornada extenuante de trabalho – há dois anos deu uma guinada na carreira –, ele ainda encara um treino de musculação noturno. Depois de passar alguns meses viajando sem compromisso pelo mundo, Andrea acaba de ser contratada por uma empresa do setor de óleo e gás. Ana Maria e Elmo namoram há apenas quatro meses, mas já nutrem um sonho em comum – querem fazer ao menos uma viagem internacional por ano. Essas são histórias de vitalidade, coragem e recomeços protagonizadas por pessoas no auge dos seus 50 anos. Mais ativa do que nunca, a atual geração de cinquentões é protagonista de uma das maiores mudanças de comportamento do nosso tempo. “Estamos passando por uma revolução em relação ao envelhecimento como nunca se viu antes. Não é só uma questão de viver mais tempo, mas também com mais saúde e energia”, afirma Vern Bengtson, professor da University of Southern California e especialista em sociologia do envelhecimento. Com mais anos de vida pela frente, a ordem é não diminuir o ritmo nem ter medo de mudar. “Os padrões de comportamento sofreram alterações, por isso é mais comum pensar em novas carreiras, novos casamentos, prática de esportes audaciosos e formas de se vestir diferentes daquilo que se imaginava até então para os 50 anos”, afirma Mônica Yassuda, psicóloga e professora de gerontologia da Universidade de São Paulo.
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PRAZER
Os cinquentões não ficam mais aprisionados a relacionamentos insatisfatórios.
Por isso o aumento do número de divórcios e recasamentos nessa faixa etária
Na década de 1960, a expectativa de vida no Brasil era, em média, de 50 anos. Meio século depois, essa estatística soa absurda. Primeiro porque o dado mais recente, de 2012, saltou para 74,6 anos. Segundo porque a realidade de quem tem 50 hoje é totalmente contrária ao que previam as pesquisas. Caso do engenheiro agrônomo José Rubens Macedo, 56 anos, que trabalhou durante 11 anos com franquias do setor alimentício e até hoje gerencia duas unidades de restaurantes japonês e árabe. Em 2012, porém, ele recebeu a proposta de um fundo de investimento para abrir restaurantes em aeroportos brasileiros. “Não imaginei que uma mudança como essa pudesse acontecer a essa altura”, diz. Para conseguir levar adiante seus compromissos de trabalho, Macedo, que é divorciado e pai de quatro filhos, segue à risca uma rigorosa rotina de exercícios, que começa com 70 quilômetros diários de bicicleta, ainda de madrugada, e termina com um treino de musculação noturno.
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Nos últimos anos, é cada vez mais comum encontrar cinquentões com um perfil semelhante ao de Macedo. Para a psicóloga Mônica Yassuda, pessoas nessa faixa etária tendem a assumir novos desafios como uma forma de provar a si mesmas e aos outros que são capazes de se reinventar. “É uma maneira de driblar a velhice e reafirmar a continuidade da vida”, diz Suzanne Braun Levine, autora do livro “A Reinvenção dos Cinquenta: Lições de Vida para Mulheres na Segunda Adolescência”. Ela acredita que a sociedade está assimilando essas mudanças de postura, principalmente em relação às mulheres. “Nos tornamos mais independentes e confiantes. Isso significa que quando entramos naquela idade considerada ‘velha’ dizemos: ‘De jeito nenhum! Ainda temos muito o que fazer’. O conceito de envelhecimento está sendo redefinido.” Esse pensamento é o que move a estilista Bibi Barcellos, 51 anos. “Acordo cedo para fazer exercícios e trabalho até tarde. Me sinto com uma energia incrível. A última coisa em que penso é me aposentar”, diz. “Brinco que minha geração não é de cinquentonas, mas de cinquentérrimas.” Sem levantar bandeiras a favor da quebra de estereótipos, essa turma acaba fazendo uma verdadeira revolução do cotidiano – seja na maneira de agir, de encarar a vida ou até no jeito de se vestir. “Estamos rompendo com tudo isso de uma maneira meio invisível. Mas podemos notar várias mudanças em relação às prescrições sociais que dizem respeito à idade. Há muitos homens e mulheres cuja idade não é possível classificar. Não são velhas, mas não são jovens, são ‘ageless’ (sem idade, em inglês)”, diz a pesquisadora Mirian Goldenberg, autora do livro “A Bela Velhice” (Record).
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A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que neste ano o País tenha cerca de 21,6% de sua população com mais de 50 anos, o equivalente a cerca de 44 milhões de pessoas. Em 30 anos, esse número vai representar 40% dos brasileiros. Essa revolução em curso, portanto, deve ganhar mais adeptos e enfraquecer os limites de conceitos como “meia-idade”. Se até pouco tempo atrás esse período da vida era conhecido por marcar a quarta década de existência – uma etapa anterior à “terceira idade” em que as pessoas costumam repensar suas vidas –, hoje é difícil estabelecer um momento em que ele de fato comece. O consenso é que esse marco foi atrasado. “Em 1950, quando meu pai fez 40 anos, ele estava na meia-idade. Acho que hoje isso deve estar entre os 50 e 55 anos”, afirma Vern Bengtson, da University of Southern California. A mais recente pesquisa sobre o assunto foi divulgada em agosto de 2013 pela empresa de assistência médica britânica Benenden Health, afirmando que a meia-idade começa aos 53 anos. O levantamento foi feito com duas mil pessoas e relacionava a meia-idade a alguns comportamentos que especialistas da instituição consideram característicos dessa fase da vida, como preferir uma noite com amigos a uma balada, gastar mais dinheiro com cremes anti-idade e preferir fazer uma caminhada em um domingo em vez de passar mais tempo na cama.
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SONHO
Narcizo Sabbatini, 55 anos, deixou o trabalho como engenheiro
para estudar física na Unicamp. "Era um desejo antigo"
Na área da psicologia analítica, o psiquiatra austríaco Carl Gustav Jung definiu a segunda metade da vida como o momento em que a pessoa se volta para o processo de busca de caminhos próprios, não dos que os outros ou as convenções sociais exigem. “Diferentemente de quando se é mais jovem e estamos mais voltados para questões estruturais, de sobrevivência, como emprego e família”, afirma a psicóloga clínica Dulce Helena Rizzardo Briza, presidente do Instituto Junguiano de São Paulo. Na vida de Narcizo Sabbatini, essa chave virou aos 55. Depois de trabalhar por três décadas como engenheiro, decidiu voltar para a faculdade e estudar física, um sonho antigo, desde a época em que foi universitário pela primeira vez. “Deixei meu último emprego em outubro de 2013 porque vi que o que eu fazia não me realizava mais. Já tinha estabilidade financeira e minha família estava formada. Resolvi ir atrás de planos deixados para trás”, diz o aluno do primeiro semestre da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Quero continuar estudando e penso em trabalhar com pesquisas.” O número de estudantes nessa faixa etária tem crescido muito. De 2002 a 2012, subiu 205,5%, enquanto alunos até 49 anos tiveram um aumento de 93,3%.
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ENERGIA
A rotina da estilista Bibi Barcellos inclui acordar às 5h30 diariamente para
caminhar e fazer ioga e trabalhar até de noite em seu ateliê, em São Paulo
A mudança vista na área da educação também aparece no mercado de trabalho. Nos últimos anos, o mesmo mercado que dava preferência à mão de obra da população jovem passou a valorizar profissionais com mais estrada. Para o diretor-executivo da empresa de recrutamento Michael Page, Leonardo de Souza, algumas áreas do mercado, como a indústria e a construção civil, passaram a requisitar um número maior de profissionais experientes. “Pessoas sêniores conseguem aliar energia com uma visão mais ampla e madura do mercado”, diz Souza. Andrea Tavares Fonseca, 53 anos, assistiu de perto às mudanças do mercado de trabalho para a sua geração, mas nunca teve medo de ousar. Aos 51 anos, com uma carreira consolidada, com direito a MBA na Inglaterra, ela decidiu deixar o emprego e viajar pelo mundo. “Estava muito cansada, não conseguia cuidar de mim, fazia apenas coisas relacionadas à empresa”, diz. Depois de uma longa jornada, retornou ao Brasil e foi aprovada em um processo seletivo de uma empresa do setor de óleo e gás. “Não foi um processo fácil, mas, independentemente da idade, o importante é ter coragem e planejamento para buscar aquilo em que acreditamos.”
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Na vida pessoal, os tabus em relação a relacionamentos e sexualidade também caem por terra. “As opções aumentaram e os julgamentos morais diminuíram. Como consequência, muitas pessoas não se sentem mais aprisionadas a escolhas do passado. Não gosta do seu casamento? Mude”, afirma o cientista social britânico Chris Middleton, coautor do livro “Pense Jovem: o Mais Bem Guardado Segredo para a Juventude Eterna” (Ediouro). A empresária Maria José Mosquini, 55 anos, e o servidor Elmo Lima, 54 anos, namoram há quatro meses.  Eles são o retrato de uma nova geração que acredita que a idade não é impedimento para começar uma relação. “É muito complicado dar o primeiro passo e voltar a namorar, mas quero construir minha família de novo”, diz Maria José, que já planeja fazer uma viagem por ano ao Exterior com o namorado. O sexo também está muito mais vibrante nessa faixa etária. “Esse processo de perceber que ainda vai viver muito tempo começou a mudar a maneira de as pessoas mais velhas encararem o sexo. Além disso, aos 50 a pessoa já sabe bem o que gosta e o que não gosta. É mais prazeroso”, afirma a sexóloga Carmita Abdo.
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VITALIDADE
Ana Carvalhais, 51 anos, começou a fazer exercícios por recomendação médica,
para se livrar da depressão. Hoje maratonista e dançarina, é exemplo para a filha de 23 anos
O bem-estar físico, tanto no que diz respeito à saúde quanto à aparência, é uma das maiores preocupações entre os cinquentões, segundo Mônica Yassuda, da USP. “Observo uma grande valorização das atividades físicas, da psicoterapia e da meditação”, afirma. Foram os exercícios aeróbicos e a dança que ajudaram a dona de casa Ana Maria Carvalhais, 51 anos, a superar uma crise de depressão. Ela começou a praticar exercícios físicos por recomendação médica e logo já era uma participante de maratonas, além de ter iniciado a filha de 23 anos na prática esportiva. “Sinto que ainda tenho muita coisa para viver”, diz, recuperada. Segundo Salo Buksman, geriatra da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o conceito mais forte é o de promoção da saúde. “Quem tem 50 hoje pode ser tão saudável quanto alguém com 30, 40. Mas não pode esperar uma ­doença aparecer. Precisa começar a se cuidar cedo. O exercício físico faz aumentar as reservas respiratórias, cardía­cas e cognitivas. Atenua o peso da idade no físico e na mente”, afirma.
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A pesquisa “Melhor Idade” realizada em agosto do ano passado pela Nielsen revelou o potencial que a nova geração de 50 anos possui como mercado consumidor. O estudo mostra que essa faixa etária já representa 38% dos lares no Brasil e é responsável por 40% das despesas de casa. “É um consumidor muito ativo, com preferências consolidadas”, diz Jefferson Silva, gerente de homescan da Nielsen. De acordo com a pesquisa, o grupo que mais cresce é o de “maduros bem-sucedidos”, ou seja, a população com mais de 50 anos que tem boas perspectivas para o futuro, emprego estável, economias e planejamento a longo prazo. Um dos setores que essa faixa etária mais movimenta é o de turismo. Prova disso é que a Student Travel Bureau, uma das maiores agências de intercâmbio do País, oferece programas específicos para ela. Segundo o presidente, José Carlos Hauer Santos Júnior, cerca de 15% dos interessados em fazer viagens internacionais possuem mais de 50 anos. “Começamos a criar programas específicos, como de arte contemporânea, culinária, vinhos e, então, surgiram as viagens em família”, diz Santos Júnior. Mudando sutilmente a sociedade em que vivem com suas ações e novos comportamentos, a geração dos 50 deixa um legado para as próximas. Os pais e avós de hoje comprovam diariamente que tudo é possível, em qualquer idade.
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*fabiola.perez@istoe.com.br, marianabrugger@istoe.com.br
Fotos: Pedro Dias/AG. ISTOÉ; DIVULGAÇÃO; Renato Rocha Miranda/TV Globo; Marcio Nunes/TV Globo; Paula Giolito/Folhapress; Marcelo Liso /AFBpress/AG. ISTOÉ, João Castellano/AG. ISTOÉ, Rogério Cassimiro; Masao Goto Filho/Ag. IstoÉ

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O que é o timo?

Saiba tudo sobre esse órgão, um pequeno notável para nossas defesas

Tamanho não é documento quando se fala sobre timo. Pequenino e desconhecido de muita gente, ele tem uma responsabilidade enorme na formação do sistema imunológico, sendo que falhas em seu funcionamento elevam o risco de infecções e até de doenças autoimunes. Abaixo, você confere um passo a passo detalhado sobre suas funções no organismo.
1. No meio de titãs
O timo fica bem no centro do peito, entre os pulmões e na frente do coração essa localização privilegiada, inclusive, fez os anatomistas do passado acreditarem que ali ficava guardada a alma.
2. Escola imunológica
A glândula é um verdadeiro centro de capacitação dos linfócitos T, células que comandam nossas defesas quando algum agente invasor coloca a saúde em xeque. Essas unidades são fabricadas na medula óssea, o popular tutano. De lá, migram para o timo por meio dos vasos sanguíneos.
3. Sala de simulação
A ação acontece mesmo nos lóbulos, as pequenas porções que compõem o timo. Eles são divididos em córtex e medula. Em cada seção, ocorrem processos que vão preparar esse linfócito jovem para os desafios que irá enfrentar no futuro.
4. Antenas plugadas
No córtex, ocorre o contato com a célula reticular epitelial. O resultado dessa interação é o surgimento de receptores na superfície do linfócito. Eles servem para identificar possíveis perigos ao corpo. Aqueles que dão defeito são mortos no processo.
5. Prova de fogo
Um tipo de célula, a dendrítica, apresenta aos linfócitos uma série de antígenos, substâncias que geram uma resposta imune. Aqueles que reagem na medida certa passam no teste e estão maduros o suficiente para seguir em frente. Os outros não sobrevivem.
6. Próximas paradas
Os linfócitos habilitados voltam à corrente sanguínea para integrar as defesas. Eles ficam algum tempo no baço e nos linfonodos, que são uma espécie de barreira ou filtro para flagrar e deter ameaças, como vírus e bactérias.

Encolhimento do timo

Bebês
Quando nascemos, essa glândula pesa entre 12 e 15 gramas.
Aos 12 anos
Em seu período de maior operação, fica na casa de 30 a 40 gramas. Depois da puberdade, definha e é substituída por gordura. Mas a quantidade de linfócitos que ela treinou é suficiente pra vida toda.
Aos 60 anos
Em idades avançadas, varia entre 6 a 16 gramas.

Sempre a postos

O timo não desaparece do mapa! Mesmo reduzido, continua a fabricar a timosina, hormônio enviado para o organismo que reforça aos linfócitos a mensagem para que sigam trabalhando direito. Há ainda suspeitas sobre o papel dessa substância na regeneração de órgãos e tecidos.
Fontes: Ana Paula Lepique, Imunologista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP); Daniela Santoro Rosa, Alexandre de Castro Keller e Alexandre Salgado Basso, Professores de Imunologia da Universidade Federal de São Paulo

terça-feira, 25 de julho de 2017

Projeto que introduz bactéria no Aedes aegypti é estendido

A estratégia, voltada para combater os vírus de dengue, zika e chikungunya, chega a Belo Horizonte. A expectativa é conter possíveis epidemias

  Um projeto inovador voltado para reduzir a transmissão da dengue, da zika e da febre chikungunya está previsto para ser desenvolvido em Belo Horizonte em meados de 2018. Trata-se da introdução da bactéria Wolbachia no mosquito Aedes aegypti, vetor das doenças, e que é capaz de evitar que os vírus sejam transmitidos para os seres humanos durante a picada.
O projeto Eliminar a Dengue: Nosso Desafio (Eliminate Dengue: Our Challenge) é um projeto internacional sem fins lucrativos que surgiu na Austrália e usa a bactéria Wolbachia. Atualmente há trabalhos de campo do projeto em cinco países e outros três estão se articulando para aderir. No Brasil, ele foi trazido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com o apoio do Ministério da Saúde. A iniciativa está entre os trabalhos científicos apresentados na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
No Brasil, os trabalhos começaram em duas áreas pequenas: em Jurujuba, bairro de Niterói; e em Tubiacanga, bairro do Rio de Janeiro. A liberação de mosquitos com a bactéria começou em agosto de 2015 e se encerrou em janeiro do ano passado. Desde então, vem ocorrendo um monitoramento semanal, com mosquitos sendo coletados em armadilhas e levados ao laboratório para verificar se possuem a Wolbachia.

A eficiência da estratégia

“Mais de um ano e meio após nós pararmos de liberar mosquitos nestas duas localidades, vimos que 90% deles contêm a bactéria. Isso comprova a autosustentabilidade do projeto. Não precisamos ficar voltando à mesma área para fazer novas liberações”, explicou o pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, coordenador do projeto no Brasil.
Dados similares também foram constatados na Austrália, onde, nas áreas onde os trabalhos começaram, em 2011, perto de 100% da população do Aedes já registra a Wolbachia.
Isso ocorre porque a fêmea do Aedes que possui a Wolbachia em seu organismo irá transmiti-la a todos os seus descendentes, mesmo que se acasale com machos sem a bactéria. Além disso, quando apenas o macho possui a Wolbachia, os óvulos fertilizados morrem. Dessa forma, a bactéria é transmitida naturalmente para as novas gerações de mosquitos.
Moreira destaca que o projeto não envolve nenhuma modificação genética, nem no mosquito e nem na bactéria. Fora isso, a iniciativa não elimina o mosquito do meio-ambiente, apenas substitui uma população capaz de transmitir doenças por outra incapaz. “É uma iniciativa totalmente segura. Estudos já mostraram que a Wolbachia não oferece riscos à saúde humana, ainda que o mosquito pique uma pessoa”.
De acordo com o pesquisador, a Wolbachia está presente naturalmente em 60% dos insetos, mas não no Aedes aegypti. O que o projeto faz é uma introdução artificial. “Quando o Aedes com a bactéria pica alguém que está com dengue, zika ou febre chikungunya, ele adquire o vírus. Mas esse vírus precisa se replicar dentro do mosquito. Para isso, deve entrar nas células onde as bactérias já estão. O que provavelmente acontece é uma competição entre a bactéria e o vírus por nutrientes e outros componentes que ambos necessitam. E no final a Wolbachia, que já estava instalada ali, vence a disputa”, explica.

Em que pé estamos

O próximo passo do projeto no Brasil é a sua expansão no Rio e em Niterói, já que as áreas atingidas até então nestas duas cidades envolviam populações pequenas, entre 3 e 4 mil pessoas. Em Niterói, já estão sendo liberados mosquitos em uma área com 270 mil habitantes.
No Rio de Janeiro, o trabalho começa em agosto, em dez bairros. Nos meses seguintes, outras regiões da cidade serão incluídas e a previsão é que, até o final de 2018, o projeto já tenha alcançado uma área onde vivem 2,5 milhões de pessoas. A preparação já começou, através de campanhas de comunicação visando o esclarecimento e o envolvimento da população. O apoio é essencial, pois algumas casas recebem armadilhas para coleta dos mosquitos.
A inclusão de Belo Horizonte no projeto no ano que vem começará pela Pampulha e pela região norte, áreas que têm cerca de 840 mil habitantes no total.
A Fiocruz ainda não realizou estudos epidemiológicos para avaliar se de fato ouve redução do número de casos de dengue, zika e febre chikungunya com o projeto. De acordo com Luciano Moreira, este tipo de pesquisa precisa envolver áreas grandes. Ele diz que a Indonésia começou a desenvolver um estudo com esta proposta em agosto do ano passado, em uma área de 500 mil habitantes. Os primeiros resultados devem sair em 2019, mostrando se houve ou não redução do número de infectados pela doença antes e depois da liberação dos mosquitos.
Ainda assim, evidências apontam para a diminuição dos casos. “Em todos os países envolvidos, há mais de 40 localidades onde já aconteceu a liberação de mosquitos. Em nenhuma delas foi observada ocorrência de surtos”, disse o pesquisador.
Um estudo diferente será conduzido no Rio de Janeiro a partir dessa nova etapa. Em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, a Fiocruz fará um acompanhamento para comparar o número de casos nos bairros abrangidos pelo projeto com o número de casos nos demais bairros. A expectativa é se perceba uma diferença nos locais onde houver mosquitos com a Wolbachia.
Esta matéria foi publicada originalmente na Agência Brasil.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dormir bem auxilia no rejuvenescimento

Cuidados simples e naturais são cada vez mais valorizados pelos especialistas para obter uma pele mais jovial
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A falta de sono ou a dificuldade para dormir atrapalha a concentração, o foco e ainda, quando frequente altera o apetite e a hidratação da pele ( Foto: divulgação )
Envelhecer é um processo natural e inevitável. Porém, com a evolução da medicina e alguns cuidados básicos, é possível chegar à melhor idade com uma aparência visivelmente rejuvenescida.
Com o objetivo de contribuir para o bem-estar de quem busca recursos que ajudem a combater o envelhecimento precoce, a fisioterapeuta dermatofuncional da clínica Prime Estética Bruna de Queiroz criou um e-book com dicas que garantem uma noite de sono saudável. "Considerado um dos fatores aparentemente simples, o sono é essencial para evitar o envelhecimento precoce", ressalta.
A procura por procedimentos que favoreçam o antienvelhecimento por meio de métodos mais naturais é uma prática cada vez mais valorizada entre os especialistas.
De acordo com a fisioterapeuta dermatofuncional, o ato de dormir é o momento em que o corpo tenta restaurar a energia gasta durante o dia, reabilitando suas funções. O processo implica em uma produção equilibrada de hormônios, objetivo principal para evitar o envelhecimento precoce. Quando a pessoa dorme bem e mantém uma alimentação saudável, dentre outros fatores, ela garante a produção eficaz de células rejuvenescedoras como, por exemplo, o colágeno e a elastina, substâncias produzidas naturalmente no organismo durante o repouso. "A má qualidade do sono não consegue repor essas taxas de hormônios adequadamente", complementa Bruna de Queiroz.
Rugas
Quando esses fatores não são restaurados de forma satisfatória provocam o envelhecimento acelerado da pele, que fica seca, sem brilho, promovendo o efeito "craquelê", estimulando as rugas profundas.
Sono adequado
No fim da tarde, quando está escurecendo, a retina recebe a mensagem de que a luz está baixando. A partir de então, o cérebro começa a se programar para a desaceleração das atividades, de modo que a melatonina e outros fatores hormonais atuem.
No entanto, é no período da noite que ocorre a liberação de hormônios no organismo.
Já pela manhã, o cérebro não responde de forma adequada aos estímulos da produção desses hormônios, deixando de suprir as necessidades que o corpo precisa.
Por este motivo, a especialista diz que, o ideal é dormir no período noturno.
Mas existem pessoas que não conseguem ter um sono tranquilo e dessa forma trocam a noite pelo dia, são as chamadas notívagas.
Embora o sono da manhã não seja suficiente para atender às necessidades do organismo, é possível "enganar" o cérebro e conseguir um resultado aproximado do que ocorre durante a noite.
"Assim, quem tiver problemas com o sono, basta criar uma rotina pela manhã que imite as condições ideais do período noturno", aconselha a dermato Bruna de Queiroz.
Principais dicas
Para dormir bem e garantir a jovialidade da pele basta criar uma rotina durante o dia de forma adequada para o cérebro entender que chegou a hora de dormir;
Programar-se pelo menos dez minutos antes. Evite a luz azul ou branca dos equipamentos eletrônicos. Isso porque o cérebro as entende como sinais de alerta;
Se precisar de luz, utilize a amarela, ela é mais relaxante;
Evite os celulares e outros equipamentos, pois seu cérebro trabalha para responder aos chamados;
Programe sons que imitem o barulho produzido pela natureza, como os da chuva, cachoeira e das ondas. Obedeça ao número necessário de horas de sono que seu organismo exige;
Qualidade não significa quantidade. É necessário que a pessoa conheça a real necessidade de dormir para se manter relaxado. Dormir demais fadiga e, de menos causa cansaço. A mente não produz e o organismo é afetado.
Pratique pelo menos 30 minutos de exercício físico diário. O gasto de energia aumenta a necessidade de descanso do corpo.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Alterações na visão podem sinalizar Parkinson precocemente

Os tremores, sintomas mais conhecidos da doença, viriam só anos depois

 
Esqueça as mãos trêmulas. Segundo cientistas da Universidade Vita-Salute San Raffaele, na Itália, modificações na visão seriam importantes marcadores para uma detecção precoce da doença de Parkinson.
Dificuldade para diferenciar cores, mudanças na acuidade visual e redução das piscadas poderiam aparecer mais de uma década antes dos famosos problemas motores. E se as pessoas não tiverem consciência disso, é bem provável que o distúrbio demore a ser flagrado.

No trabalho, publicado na revista científica Radiology, foram avaliados 20 pacientes recém-diagnosticados com Parkinson e também 20 voluntários saudáveis, da mesma idade e do mesmo gênero. Todo mundo passou por uma ressonância magnética e exames oftalmológicos. Foi aí que os pesquisadores notaram diferenças significativas nas estruturas cerebrais responsáveis pelo sistema visual entre os indivíduos com a doença.
Os cientistas reconhecem que são necessários mais estudos para entender direito o momento da degeneração visual. De qualquer maneira, o oftalmologista Alessandro Arrigo, líder da investigação, frisou, em um comunicado, que a análise profunda dos sintomas visuais é capaz de fornecer indícios sensíveis de Parkinson. Além disso, ficar atento à capacidade visual ajudaria a acompanhar a progressão da doença, assim como a monitorar sua reposta ao tratamento medicamentoso.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Além da dor, herpes-zóster é ligada a risco de infarto e AVC

Essa doença, responsável por causar incômodos intensos, foi associada a abalos na saúde cardiovascular

Com o envelhecimento, as células de defesa em geral deixam de proteger o corpo com eficiência máxima. Essa queda na imunidade é um prato cheio para o herpes-zóster, condição causada pela reativação do vírus da catapora e que provoca dores intensas. Agora, um estudo da Universidade de Ulsan, na Coreia do Sul, aponta que a doença está relacionada a um aumento no risco de ataques cardíacos e derrames.
Ao total, 519 880 participantes foram acompanhados durante dez anos, sendo que 23 233 apresentaram o problema. Segundo os pesquisadores, o risco de esse grupo sofrer uma parada no coração ou ter um AVC foi 35 e 41% maior, respectivamente. Esses números perduram por até um ano depois do aparecimento da infecção — os índices vão diminuindo com o tempo.

 Os resultados, como explicam os especialistas, são intrigantes. Ainda não se sabe ao certo o que está por trás da relação, porém algumas observações indicam um caminho. Por exemplo: os integrantes infectados pelo vírus também possuíam uma maior propensão a diabetes, hipertensão e colesterol alto, fatores que ameaçam a saúde cardiovascular.
Ou seja, talvez seja o quadro geral do indivíduo que influi tanto no desenvolvimento do herpes-zóster como nas panes cardíacas. Por outro lado, os portadores da disfunção se exercitavam mais, faziam parte de uma classe socioeconômica mais elevada e tinham inclinação menor ao tabagismo e ao consumo de álcool.
Enquanto os cientistas não desvendam esse mistério, Sung-Han Kim, coordenador do trabalho, faz um alerta: “É importante que os médicos conscientizem os pacientes sobre esse perigo”. Vale a pena ressaltar que existe uma vacina específica contra o herpes-zóster. Ela está disponível nas clínicas particulares do país e é recomendada especialmente para os maiores de 50 anos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Limão: benefícios, com o que ele combina… e muito mais!


Montamos a ficha técnica dessa fruta, uma das mais versáteis dentro da culinária mundial

 
Origem: o limão é mais uma das preciosidades que os árabes levaram para a Europa a partir do século 9. Os primeiros registros do consumo dessa fruta vêm do sudeste da Ásia. Lá, era usada como tempero e conservante de alimentos — ela é rica em vitamina C, um poderoso antioxidante que evita o escurecimento de vegetais. Hoje, o plantio das suas variedades (tahiti, siciliano, galego…) está consolidado no mundo todo.
Forma de uso: combinado com azeites e ervas, o suco da fruta tempera os mais diversos pratos salgados e doces. E, claro, é base de refrescos e drinques.
Até sua casca pode ser aproveitada. Aromática e repleta de óleos essenciais, é empregada na confeitaria e para finalizar pratos.
Com o que combina: para dar frescor às receitas, aposte no toque ácido do limão. Seu sumo é base para marinadas de todos os tipos de carnes e pescados. Também vai bem em molhos de saladas, queijos frescos, sucos, bolos e sobremesas em geral.
Com o que não combina: difícil apontar um grupo de receitas que não entrose com ele. O limão tem passe livre em quase toda a culinária. É uma questão de gosto.
Benefícios nutricionais: a fruta carrega minerais como potássio, magnésio, cálcio e fósforo, além de auxiliar na digestão de gordura. Mas ele realmente se destaca pela alta quantidade de vitamina C. Esse ativo, segundo estudo da Universidade do Estado do Oregon, nos Estados Unidos, estimula a produção de células brancas do sangue, reforçando o sistema imunológico.
Como plantar: a árvore pode ser cultivada em jardins, porém é bastante sujeita a doenças. Melhorar procurar ajuda especializada se quiser ir adiante com essa empreitada.
Fontes entrevistadas: Vanderli Marchiori, nutricionista e fitoterapeuta de São Paulo, e Rosângela Carvalho, nutricionista e fitoterapeuta do Rio de Janeiro

terça-feira, 18 de julho de 2017

Teste rápido, mas polêmico

Chega ao mercado o exame que promete entregar em minutos resultados sobre condições como as taxas de colesterol ou de vitamina D. Porém, a novidade é recebida com cautela por especialistas

CONFORTO Figueredo diz que o Hilab muda a experiência do paciente (Crédito:Marcos Haddad)
Uma das marcas da medicina do futuro será a rapidez de respostas. Por essa razão, observa-se desde já a expansão da oferta de testes laboratoriais cujo diferencial tem sido a entrega de resultados em tempo cada vez mais curto. No Brasil, a última novidade nesta linha foi o lançamento do Hilab, um sistema por meio do qual, segundo os fabricantes, é possível ir da coleta de amostras a um laudo em minutos, com paciente e médico checando os dados para decidirem a conduta ali mesmo, na hora.
O Hilab propõe-se a analisar amostras de sangue, saliva, fezes e urina e fornecer dados sobre condições diversas, entre elas glicemia, colesterol, vitamina D, HIV, zika e até marcadores tumorais e de infarto. Primeiro, a amostra, que varia de acordo com o que se pretende medir, é colocada dentro de cápsulas, em seguida inseridas no aparelho. Ela é processada por reagentes e as informações obtidas são transmitidas via internet para uma central, em Curitiba. Lá, passam pela análise de especialistas, que emitem o laudo. O documento é finalmente enviado ao médico. O resultado chega em vinte minutos. “O sistema muda a experiência do usuário em relação aos exames”, diz Marcus Figueredo, CEO da Hi Techonologies, empresa criadora do aparelho.
Se soa atraente aos olhos de quem busca rapidez e praticidade nos diagnósticos, a novidade ainda não convenceu parte dos especialistas. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial – entidade que representa os profissionais que lidam diariamente com exames laboratoriais – posicionou-se de forma cautelosa. “Não temos informações suficientes que nos assegurem a acurácia do teste”, afirma o médico Alex Galoro, presidente da organização.
A moderação faz sentido, especialmente porque erros em resultados não são raros, e isso nos testes tradicionais, de uso já consolidado. Não há números sobre o problema no Brasil, mas não é difícil encontrar pessoas que passaram pela experiência de receber dados equivocados. “Todo exame traz uma dose de incerteza no resultado que será maior ou menor a depender do método usado”, diz Galoro. O médico está em busca de mais dados sobre o Hilab. A Hi Technologies, por sua vez, diz que se coloca à disposição para detalhar o funcionamento de seu sistema e provar sua eficácia.
DÚVIDA Para Galoro, não há dados suficientes que atestem a eficácia do novo sistema (Crédito:Divulgação)
INFORMAÇÃO NA NUVEM
Como é feito o exame
1. Amostras de sangue, urina, fezes ou saliva são recolhidas no consultório ou hospital e colocadas em cápsulas
2. Elas contêm reagentes específicos para o teste a ser realizado. As cápsulas são inseridas no aparelho
3. Um sensor analisa os dados e os envia, pela internet, a uma equipe de especialistas lotada em Curitiba
4. O laudo é emitido e transmitido para o médico onde ele estiver
5. O resultado chega em até 20 minutos

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Acredite: a melatonina pode fazer emagrecer, revela estudo

O composto, conhecido como o hormônio do sono, poderá fazer parte do arsenal de combate à obesidade

Sentir o chamado “sono reparador” só acontece quando a glândula pineal, localizada no cérebro, produz de forma satisfatória a melatonina: o conhecido hormônio do sono. Secretado à noite, quando há inibição de luz, este hormônio é responsável não apenas pela indução do descanso, mas também é conhecido por ser a chave do relógio biológico. E não à toa. Estudado há anos por médicos e pesquisadores do mundo inteiro, hoje já se sabe que a substância também tem influência na regulação do apetite, enxaqueca, melhora da pele, controle da glicemia, entre outras funções.
Mas, acredite, não é só isso. Entre as descobertas mais recentes está um estudo publicado pelo Departamento de Ciências Biomédicas da Universidade de Sassari, na Itália, em parceria com outras universidades: a melatonina inibiu as células precursoras de gordura do corpo humano – um tipo de célula tronco presente em diversos tecidos como cordão umbilical, medula óssea e também no tecido adiposo (de gordura). “Esse hormônio vem sendo cada vez mais estudado em vista dos seus diversos benefícios e, certamente, em breve, fará parte do arsenal disponível para combater a obesidade”, acredita Renato Lobo, médico pela Faculdade de Medicina da USP, com especialização em nutrologia e emagrecimento.
A obesidade também vem sendo estudada como, entre outros fatores, uma disfunção de células de gordura, já que estas entendem com maior frequência que a acumulação é importante. O tamanho e o número dessas células é um processo que ocorreu por conta da diferenciação das chamadas precursoras – que podem, ou não, virar tecido de gordura. E a melatonina impediu que isso acontecesse. Logo, foi avaliado o impacto da melatonina como uma espécie de modulador no destino destas células, ou seja, como o hormônio do sono ajudaria a orquestrar sua função correta.
Entre os genes estudados, também estava o que produz o PPAR-γ: receptor responsável pela regulação da glicose e dos lipídeos no sangue – quando alterados, podem levar pessoas a serem diagnosticados com diabetes e adquirirem placas de gordura nas artérias.
A atuação do hormônio, no que diz respeito a glicose e lipídios, comprova evidências de, pelo menos, seis anos atrás, quando um estudo clínico realizado nos Estados Unidos e publicado na revista Diabetes, Metabolic Syndrome and Obesity: Targets and Therapy  indicou que, em pacientes com diabetes tipo 2 e insônia, a melatonina melhorou o sono após três semanas, e auxiliou o controle glicêmico após cinco meses. Outro teste clínico, descrito no Journal of Pineal Research, também demonstrou que, após dois meses de tratamento com melatonina, pessoas com distúrbios metabólicos apresentaram redução na pressão sanguínea e nos níveis de colesterol.
Como se não bastasse, o hormônio do sono também tem sido reconhecido por sua potente atividade antioxidante: ou seja, é capaz de se ligar aos reagentes oxidativos das células e os estabilizar. Com esse suposto papel ativo na proteção do DNA e outros compostos biológicos de agentes oxidativos, o hormônio do sono vem sendo estudado como potencial protetor contra danos causados ​​pelos radicais livres. Por isso, também tem sido associado a possível terapia complementar no tratamento de doenças em que o estresse oxidativo desempenha papel importante, como transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, doença de Alzheimer, entre outras.
Uma das explicações para tantas funções é que, pelo fato de ser secretado no sangue e líquido cefalorraquidiano, protetor de diversas células do cérebro, tem transporte fácil no organismo – o que possibilita com que o hormônio do sono tenha ação em diferentes tecidos do corpo.
Apesar de tantos benefícios, principalmente ao que se refere a gordura, vale ressaltar que são estudos iniciais e, portanto, novas pesquisas são necessárias para mostrar os resultados (evidências)  na prática clínica.
Melatonina no Brasil

Com indicação, em geral, de até 5 mg diários de melatonina, diversos estudos avaliaram a segurança do uso da substância, encontrando poucos efeitos colaterais, como fadiga e letargia, apenas em doses elevadas. Facilmente metabolizada no fígado, por ser considerado natural, tem degradação rápida e, por isso, raramente há acúmulo nos tecidos. “Tal característica também o torna um dos hormônios mais seguros”, observa Paulo Rosenbaum, endocrinologista do Hospital Albert Einstein.
A boa notícia é que, em novembro do ano passado, a Active Pharmaceutica (distribuidora de insumos farmacêuticos), ganhou o direito de comercializar a melatonina em farmácias de manipulação em todo o país, mediante receita médica. Na prática, a decisão facilita o acesso ao hormônio natural para fins terapêuticos, uma vez que, até então, o paciente precisava importá-lo –  prática também já autorizada no Brasil.
História do hormônio
A melatonina foi descoberta primeiramente por pesquisas sobre alteração da coloração da pele de anfíbios e repteis. Em 1958, um dermatologista americano da Universidade de Yale investigou essa substância na esperança de encontrar um uso para o tratamento de doenças de pele. Apesar das investigações, a melatonina só ficou mais conhecida na década de 90 com a descoberta do seu uso para pacientes com dificuldade para dormir, por um professor de Neurofarmacologia da Universidade de Harvard.
Após revisar a literatura cientifica da época sobre a glândula pineal, com o tempo, observou que a noite, na escuridão, produzíamos este hormônio, e que a administração de melatonina provocava o sono.

sábado, 15 de julho de 2017

Cearense com tipo de sangue raro salva bebê colombiana

Apenas 11 famílias no Brasil têm o raríssimo fenótipo Bombaim que salvou a menina de 15 meses

O sangue de tipo raríssimo de um jovem cearense salvou a vida de um bebê de 15 meses na Colômbia nesta semana. Desde a criação do Cadastro Nacional de Sangue Raro, em 2014, foi a primeira vez que o país exportou material para outra nação, segundo o Ministério da Saúde brasileiro.
A transfusão foi feita anteontem, em Medellín. As autoridades locais não haviam conseguido encontrar um colombiano com o mesmo tipo de sangue da criança, conhecido como fenótipo Bombaim e fizeram um alerta à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
Essa história começou na terça-feira da semana passada, quando a menina chegou ao hospital com vômitos e falta de ar. A equipe médica descobriu que ela tinha baixo peso, anemia e hemorragia no trato digestivo superior. A transfusão era urgente.
Os testes iniciais concluíram que o tipo de sangue necessário era O negativo, mas nenhuma amostra era compatível. Os exames especializados concluíram que a criança não tinha sangue A ou B, ou AB, mas o fenótipo Bombaim. No Brasil, só há 11 famílias com esse tipo de sangue.
O corpo da menina não reconhecia nenhum dos tipos de sangue mais tradicionais e transfusão com o tipo errado poderia causar danos nos rins e até mesmo a morte, explica María Isabel Bermúdez, coordenadora da Rede Nacional de Bancos de Sangue da Colômbia.
Mas, diz ela, o fenótipo Bombaim não foi a causa da doença. “As pessoas com este tipo de sangue são geralmente saudáveis e, portanto, não necessariamente são identificadas.” O governo colombiano não informou quem era a família ou deu detalhes sobre o caso, como prevê a legislação local.
Após o alerta, a rede de bancos de sangue no Brasil foi a única a identificar doador. Era um morador de Fortaleza, de 23 anos, que não teve o nome divulgado. No último sábado, ele doou 370 mililitros de seu sangue – quase o equivalente a uma lata de refrigerante.
Isso só foi possível pelo método refinado de análise de sangue do centro hematológico de onde veio a doação, que pesquisa anticorpos irregulares. “Há quase quatro anos, o Hemoce (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará) adotou novo método na busca de doadores raros que permite detectar diferentes tipos sanguíneos, até raríssimos”, explica Denise Brunetta, coordenadora do laboratório de Imuno-hematologia do Hemoce.
Percurso longo. Depois do desafio de encontrar o doador, as autoridades ainda batalharam para obter licenças de autoridades competentes – como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – para exportar o sangue e garantir que chegasse em bom estado ao destino.
“Saí para trabalhar na segunda-feira achando que seria um dia normal e no entanto acabei o dia embarcando com uma maleta de sangue para a Colômbia”, conta Natalícia Azevedo Silva, enfermeira do Hemoce, que protegeu o saco de sangue durante as mais de 20 horas de voo – contando o tempo de espera em aeroportos.
Para transportá-lo, foram seguidas as recomendações de transporte das legislações brasileiras e internacionais, explica Natalícia, que há 18 anos trabalha com o Hemoce.
“Colocamos a bolsa em recipiente rígido, envolta em material absorvente, com substância para refrigerar e controle de temperatura. A caixa foi lacrada e identificada como material biológico de risco mínimo. Não se pode passar a caixa no raio X nem transportar no compartimento de mala de bordo, pelo risco de danificar o conteúdo da bolsa”, descreve ela.
O trajeto do sangue não foi fácil: saiu de Fortaleza, passou por São Paulo, Panamá, Bogotá e Medellín, superando 4 mil quilômetros. Confirmada a compatibilidade, o material biológico foi fragmentado: 80 centímetros cúbicos foram destinados para transfusão do bebê, e o restante foi conservado caso haja nova necessidade.
“Esta história, sem precedentes para os dois países, confirma que a rede de colaboração que foi criada pelas autoridades de saúde na região está funcionando de maneira permanente, eficaz e solidária”, disse ao Estado o ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria. “É emocionante saber que os brasileiros tomaram como sua própria causa a vida da menina de Medellín”, acrescentou o ministro.
Histórico
A Coordenação-Geral de Sangue Hemoderivado (CGSH) oferece consulta ao Cadastro Nacional de Sangue Raro. Essa atividade é feita pelo Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que centraliza as informações dos doadores de sangue considerados raros de todo o país.
Entre 2015 e este mês, a CGSH recebeu 25 solicitações de consulta ao cadastro. Em 2017, até agora, foram nove pedidos, com 100% de atendimento.
(com Estadão Conteúdo)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Implante que devolve audição já está disponível no país

Realizada gratuitamente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e São Paulo, a prótese é implantada no osso do crânio de forma minimamente invasiva

O implante que devolve a audição a pacientes com surdez parcial, conhecido como prótese auditiva ancorada no osso, chegou ao Brasil e já foi realizado com sucesso em cinco pacientes no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e, recentemente, no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Desenvolvida na Dinamarca e disponível em outros 25 países, a prótese de titânio transmite o som diretamente para o ouvido interno, sem precisar atravessar o canal auditivo, muitas vezes já comprometido pela surdez, diferente dos aparelhos auditivos convencionais.
“Outra vantagem deste tipo de prótese é que o paciente pode testá-la antes mesmo da cirurgia e avaliar seu real benefício”, disse Ricardo Bento, médico otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Pequena prótese

A prótese, mede de três a quatro milímetros e é fixada no osso do crânio do paciente, logo atrás da orelha. Lá, ela irá transformar as ondas sonoras captadas pelo processador externo, localizado na orelha como um fone de ouvido sem fio, em vibrações.
Segundo a Oticon Medical, empresa dinamarquesa que desenvolveu a técnica, o processador tem uma alta qualidade de som e pode ser removido quando houver a necessidade, para dormir e tomar banho, por exemplo.

Procedimento simples

No Brasil, a cirurgia pode ser realizada de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em regime ambulatorial, sem a necessidade de anestesia geral e internação prolongada. “Isso minimiza os riscos potenciais de um procedimento cirúrgico e permite ao paciente uma recuperação rápida, podendo usufruir dos benefícios da prótese auditiva ancorada já em duas semanas”, Miguel Hyppolito, especialista do Hospital das Clínicas de Ribeirão, o primeiro a realizar a cirurgia no Brasil.

O procedimento é indicado apenas para pessoas com perda auditiva condutiva, com graus mais leves e moderados, ou mista, causadas por danos de células, e surdez unilateral, em apenas um dos ouvidos. A boa notícia é que pode ser realizada em crianças a partir dos cinco anos de idade.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A um passo da aprovação, terapia mudará o tratamento do câncer

Um painel da FDA acaba de recomendar a aprovação de uma terapia que altera as células de pacientes com leucemia para combater o câncer

Um painel da FDA, agência americana que regulamenta alimentos e medicamentos, recomendou nesta quarta-feira a aprovação da primeira terapia 100% individual contra câncer no país. O tratamento em questão, fabricado pela Novartis e chamado CTL019, altera as próprias células do paciente, transformando-as no que os cientistas chamam de “droga viva”, de acordo com informações do jornal americano The New York Times, “programada” para combater a leucemia. O aval inédito deixa o medicamento um passo mais próximo da aprovação pela agência e abre caminho para uma nova era na medicina.
Em decisão unânime (10 a 0) o comitê da FDA afirmou que os benefícios da terapia superam seus riscos e recomendou sua aprovação para o tratamento de leucemia linfoblástica aguda de células B resistente ao tratamento ou com recidiva em crianças e jovens com idade entre 3 e 25 anos. Esse é o câncer mais comum diagnosticado em crianças, que representa aproximadamente 25% dos diagnósticos da doença em pacientes com menos de 15 anos. No entanto, o tratamento beneficiaria apenas os 15% dos casos nos quais a doença não responde ou volta.

Como funciona?

A terapia, desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e posteriormente licenciada à Novartis, envolve a remoção de milhares de células T, um tipo de glóbulo branco, do paciente, por um centro médico aprovado. Em seguida, essas células são congeladas e enviadas a uma fábrica da farmacêutica onde o processo de modificação é realizado por meio de uma técnica de engenharia genética que emprega uma forma inativa de HIV, o vírus causador da aids, para levar o novo material genético às células e reprograma-las.
Esse processo “turbina” as células T para que elas se liguem à proteína CD-19, presente na superfície de quase todas as células B – componente natural do sistema imunológico que se torna maligno na leucemia – e as ataquem.  As células T geneticamente modificadas, chamadas receptoras de antígeno quimérico, são aplicadas na corrente sanguínea dos pacientes, onde se multiplicam e começam a combater o câncer. Uma única célula é capaz de destruir até 100.000 células cancerígenas. Essa capacidade deu a elas o apelido de “serial killers”.
Em estudos, a re-engenharia dessas células demorava cerca de quatro meses e muitos pacientes faleceram antes do tratamento ficar pronto. Mas, durante a reunião do painel, a Novartis afirmou que esse período foi reduzido para apenas 22 dias.
No entanto, como toda abordagem que usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, seus efeitos colaterais são graves. Alguns pacientes apresentaram febre desenfreada, pressão sanguínea no limite e congestionamento pulmonar. Outra ressalva dos especialistas foi em relação a possíveis danos futuros, ainda desconhecidos nesse tipo de terapia.
Por outro lado, uma única dose da nova terapia mostrou resultados surpreendentes: longas remissões e possíveis curas para pacientes que tinham suas esperanças esgotadas após todos os tratamentos disponíveis terem falhado.

Disponibilidade e preço

Como os efeitos colaterais demandam cuidados específicos, a Novartis afirmou que, se aprovado, o tratamento será inicialmente disponibilizado em cerca de 30 centros treinados nos Estados Unidos. A companhia afirmou também que planeja submete-lo em outros mercados, como na União Europeia, até o final deste ano. No Brasil, a aprovação deverá demorar mais tempo.
Embora a companhia não tenha mencionado o preço, analistas ouvidos pelo The New York Times estimam que um tratamento assim possa custar mais de 300.000 dólares (cerca de 960.000 reais
A Novartis não é a única a desenvolver terapias 100% individuais, mas está prestes a ser a primeira a ter seu tratamento aprovado. A empresa já está desenvolvendo técnicas similares para o tratamento de outros tipos de leucemia, mieloma múltiplo e tumor cerebral agressivo.  Em entrevista à VEJA no ano passado, Joerg Reinhardt, CEO da Novartis, afirmou sobre as terapias 100% individuais: “as primeiras serão lançadas na área da oncologia, mas logo haverá para diabetes e doenças do coração”.