terça-feira, 23 de maio de 2017

Rio tem sexta morte por febre amarela confirmada, diz Secretaria de Saúde

Óbito aconteceu em Santa Madalena, no Noroeste do estado. No total, RJ registrou 15 casos da doença

Rio - A Secretaria de Estado de Saúde (Ses) confirmou, no fim da tarde desta segunda-feira, a sexta morte causada por febre amarela no Rio de Janeiro. O óbito aconteceu em Santa Madalena, no Noroeste do estado, e foi atestado por exames laboratoriais feitos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No total, o Rio já registrou 15 casos da doença.
De acordo com a secretaria, foram distruibuídas 4.975.425 de doses de vacina contra febre amarela para os 92 municípios, com prioridade para a lista que inclui 65 municípios considerados mais vulneráveis, de acordo com a análise da subsecretaria de Vigilância em Saúde.
Secretaria de Saúde do Estado já distribuiu quase 5 milhões de doses da vacina contra a doença para 92 municípios Maíra Coelho / Agência O Dia
Entre os 65 municípios considerados estratégicos pela subsecretaria, 55 já tiveram disponibilizadas doses em quantidade suficiente para imunizar seus habitantes. São elas: Aperibé, Araruama, Areal, Armação dos Búzios, Bom Jardim, Bom Jesus do Itabapoana, Cachoeiras do Macacu, Cambuci, Cantagalo, Carapebus, Cardoso Moreira, Carmo, Casimiro de Abreu, Comendador Levy Gasparian, Conceição de Macabu, Cordeiro, Duas Barras, Engenheiro Paulo de Frontin, Guapimirim, Iguaba Grande, Italva, Itaocara, Itaperuna, Itatiaia, Laje do Muriaé, Macaé, Macuco, Maricá, Miguel Pereira, Miracema, Natividade, Nova Friburgo, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Porciúncula, Quatis, Quissamã, Rio Bonito, Rio das Flores, Rio das Ostras, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis, São João da Barra, São José de Ubá, São José do Vale do Rio Preto, São Sebastião do Alto, Sapucaia, Silva Jardim, Sumidouro, Tanguá, Trajano de Moraes, Valença e Varre-Sai.
Além destes, outros 10 municípios são considerados prioritários e também receberão novas remessas de vacinas, de acordo com a entrega a ser feita pelo Ministério da Saúde. São eles: Arraial do Cabo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Magé, Petrópolis, Resende, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Teresópolis e Três Rios.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Pele de tilápia: a nova promessa no tratamento de queimaduras

Desenvolvido no Ceará, o curativo já foi testado em mais de 60 pacientes e promete ser uma alternativa mais barata e eficaz do que o método tradicional

A pele de tilápia é a nova promessa no tratamento de queimaduras. Desenvolvida no Ceará, a alternativa promete ser  melhor e mais barata em relação à terapia tradicional utilizada no Brasil.
O tratamento das queimaduras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na maioria dos serviços de queimados, é feito com pomada e curativos feitos com gaze, que são trocados a cada dois ou três dias, conforme a gravidade da ferida. Segundo Fábio Carramaschi, cirurgião plástico do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, a forma tradicional utilizada atualmente envolve o uso de pomada de sulfadiazina de prata, que possui função antimicrobiana.
Enquanto isso, em países como Argentina, Chile e Uruguai, o tratamento é feito com pele humana ou pele animal.
Segundo o cirurgião plástico Marcelo Borges, coordenador do SOS Queimaduras e Feridas do Hospital São Marcos, em Recife, idealizador do projeto, o tratamento tradicional é relativamente caro, justamente por conta da quantidade de material utilizado e das frequentes trocas de curativos, que também causam dor e desconforto ao paciente, o que gera a necessidade de administrar analgésicos e anestésicos, aumenta o trabalho da equipe e, consequentemente, os custos.
“Uma das coisas mais importantes do curativo com tilápia é que na queimadura superficial, a de segundo grau, ela fica até o final da cicatrização, algo em torno de dez dias, sem precisar trocar diariamente”, explica o coordenador.

Como funciona: aplicação do curativo

As tilápias são retiradas do açude Castanhão, em Jaguaribara, maior reservatório de água doce do Ceará, localizado a 260 quilômetros de Fortaleza. “As peles são lavadas no local de retirada com água corrente pela própria equipe, colocadas em caixas isotérmicas e levadas para o Banco de Pele na Universidade Federal do Ceará”, explica Edmar Maciel, cirurgião plástico coordenador da fase clínica em andamento no Instituto José Frota (IJF).
Depois de passarem pela esterilização inicial, são enviadas para São Paulo, ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) da Universidade de São Paulo (USP), onde passam por uma radioesterilização, procedimento que elimina possíveis vírus e garante a segurança do produto. Quando voltam para o banco de pele do estudo, após cerca de 20 dias, as peles são refrigeradas, e podem ser utilizadas em até dois anos. “A pele da tilápia, quando colocada, adere-se à pele ‘tamponando’ a ferida. Ela causa um verdadeiro ‘plastrão’”, explica Maciel. Com isso ela evita a contaminação do meio externo e que o paciente perca líquido e proteínas, causando desidratação e prejudicando a cicatrização.
De acordo com o médico, o resultado tem sido bastante positivo. “Até o momento não observamos nenhuma contraindicação. O que estamos estudando são ajustes de pele, formas de colocação, melhor maneira de dar maior conforto ao paciente”, salienta.
Atualmente, o tratamento está disponível apenas para feridos por queimaduras do Instituto José Frota (IJF), em Fortaleza e  já foi testado em mais de 60 pacientes.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Vítima da Síndrome de Asperger, Messi derrota a doença para vencer na vida

Craque argentino tem gestos repetidos em campo por conta da doença

Espanha - Craque, superdotado, menino prodígio e... autista. Diagnosticado aos 8 anos de idade como portador da Síndrome de Asperger, também conhecida como “fábrica de gênios” — os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o naturalista Charles Darwin e o pintor renascentista Michelangelo, entre outros, seriam portadores — Messi é a prova viva de que a doença, uma forma branda de autismo, não impede ninguém de brilhar e, no caso do argentino, ser eleito o melhor jogador do mundo quatro vezes seguidas.
Messi teve grande atuação na vitória do Barcelona Efe
Embora o diagnóstico do autismo de Messi, que na infância também sofreu de nanismo e foi tratado no Barcelona, tenha sido pouco divulgado para protegê-lo de qualquer discriminação, seus inúmeros fãs não devem se assustar. A Síndrome de Asperger, diferentemente do autismo clássico, não acarreta em nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo — a doença afeta geralmente pessoas do sexo masculino com dificuldades de socialização, gestos repetitivos e estranhos interesses.
Messi em 1997, quando cursava quinto ano Reprodução Internet
A fixação de Messi pela bola explicaria um pouco sobre o assunto. Apesar de seu talento inegável, o comportamento do camisa 10 argentino dentro de campo é revelador sobre o aspecto de sua doença. “Autistas estão sempre procurando adotar um padrão e repeti-lo exaustivamente. Messi sempre faz os mesmos movimentos, quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele”, afirma Nilton Vitulli, no site Poucas Palavras, do jornalista Roberto Amado.
Vitulli, que é pai de um portador da síndrome de Asperger e membro da ONG Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde (reúne pais e familiares de ‘aspergianos’), acrescenta que como a maioria dos autistas tem memória descomunal, Messi provavelmente conhece muito bem todos os movimentos que precisa executar na hora de balançar a rede.
“É como se ele previsse os movimentos do goleiro. Ele apenas repete um padrão conhecido. Quando entra na área, já sabe que vai fazer o gol. E comemora, com aquela sorriso típico de autista, de quem cumpriu sua missão e está aliviado”, diz Nilton, que enaltece a qualidade do chute de Messi, a sua habilidade com a bola grudada no pé, mesmo em alta velocidade, mas ressalta se tratar “apenas” de padrões de repetição comuns aos portadores da Síndrome de Asperger. Mesmo no caso do gênio Messi.
Messi é um exemplo de superação. Ele passou por cima de tudo e conquistou cinco Bolas de Ouro da Fifa (2009, 2010, 2011, 2012 e 2015), quatro Champions Leagues (2005–06, 2008–09, 2010–11, 2014–15) e três Copas do Mundo de Clubes da FIFA (2009, 2011 e 2015).
Personalidade pouco sociável fora de campo
Messi sofre com os sintomas da Síndrome de Asperger. Principalmente fora de campo — a dificuldade de interação social é o maior adversário. É o que garante Giselle Zambiazzi, ex-presidente da Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Santa Catarina.
“O gestual, o olhar e o comportamento do Messi são típicos. Na premiação da Bola de Ouro ele ficou incomodado, pois não sabe lidar com o bombardeio de informações do mundo externo”, diz.
Ela leu a biografia de Messi e detectou traços marcantes da doença. “Na infância ele só saía de casa com uma bola de futebol. Mesmo que fosse ao médico”, diz Giselle, que espera que o craque não seja discriminado: “Acham que o autista é um débil mental. Não é isso. Messi é um exemplo de superação”.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mutação no vírus pode ter acelerado epidemia de zika

Mutação no vírus pode ter acelerado epidemia de zika
Cientistas chineses identificaram uma mutação no vírus da zika que pode ter sido responsável pelo rápido alastramento da doença nas epidemias da Polinésia Francesa (2013/2014) e da América do Sul (2015/2016).
De acordo com os autores da pesquisa, a mutação identificada no zika aumenta a secreção da proteína NS1. Estudos anteriores já haviam mostrado que essa proteína está associada ao processo de aquisição de flavivírus – grupo ao qual pertencem os vírus da zika e da dengue – pelos mosquitos.
No novo estudo, publicado hoje na revista Nature, os cientistas comprovaram que o mesmo mecanismo ligado à proteína NS1 também promove a aquisição do vírus zika no Aedes aegypti, o mosquito que transmite a doença para humanos. A pesquisa foi liderada por Gong Cheng, da Universidade Tsinghua, em Pequim (China).
Ao ser lançada no organismo do Aedes aegypti, a proteína ajuda o vírus a superar as proteções imunológicas do mosquito, possibilitando a infecção. Com maior facilidade para infectar o Aedes aegypti, que está inserido em ambientes urbanos, o vírus conseguiu se espalhar rapidamente.
Segundo os autores, a mutação que causa o aumento da secreção de NS1 ocorreu apenas a partir de 2013. Isso explicaria o rápido alastramento do vírus a partir dessa data, quando começaram as epidemias que atingiram primeiro a Polinésia Francesa e depois chegou às Américas.
O vírus da zika surgiu na África em meados do século 20 e migrou para a Ásia. Até aí, ele não causava nenhum problema em humanos e infectava principalmente macacos. A linhagem asiática do vírus, no entanto, chegou à Micronésia, no Oceano Pacífico, no início do século 21 e causou o primeiro grande surto em humanos em 2007.
Em 2013, o vírus causou um surto na Polinésia Francesa e em fevereiro de 2014 chegou à Ilha de Páscoa, também no Oceano Pacífico, a 3.700 km da costa do Chile. A partir daí, os casos de zika se espalharam em grande parte dos países das Américas. No Brasil, onde ocorreram as primeiras mortes, o vírus motivou um alerta mundial da Organização Mundial da Saúde em 2015.
“Humanização”
Em 2015, um grupo coordenado por Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, em colaboração com o Instituto Pasteur de Dacar (Senegal), já indicava que o vírus da zika havia passado por adaptações genéticas que o tornaram cada vez mais eficiente para infectar humanos. O estudo desse grupo mostrou que, em seu longo caminho entre a África e as Américas, o vírus adquiriu características genéticas que aumentaram sua capacidade de se replicar nas células humanas.
Segundo Zanotto, se a linhagem africana do vírus infectava principalmente macacos e mosquitos, ao longo de sua jornada até o Pacífico, as novas linhagens passaram a “imitar” os genes que o corpo humano mais expressa, a fim de produzir em grande quantidade proteínas que esses genes codificam.
Com esse processo, apelidado pelos cientistas de “humanização do vírus”, a infecção ficou mais eficiente – especialmente a partir de 2007. Um dos genes mais “imitados” pelo vírus da zika era justamente o da proteína NS1, que também tem o papel de modular a interação entre o vírus e o sistema imunológico dos humanos.
De acordo com os cientistas, a produção dessa proteína funciona como uma camuflagem para o vírus, desorientando completamente o sistema imunológico e facilitando a infecção.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Hipertensão: a importância de conhecer, evitar e controlar

A hipertensão é uma condição multifatorial que pode resultar em complicações em órgãos vitais e alterações metabólicas, muitas vezes fatais

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). A hipertensão resulta em complicações em órgãos vitais como coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares, muitas vezes fatais.

Hipertensão é fator de risco modificável

A HAS é muito comum na população e é considerada um dos principais fatores de risco (FR) modificáveis e um dos mais importantes problemas de saúde pública. A mortalidade por doença cardiovascular (DCV) aumenta progressivamente com a elevação da PA a partir de 115/75 mmHg.
Atualmente, cerca de 10 milhões de mortes no mundo são atribuídas à elevação da PA (secundárias a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e hemorrágicos e a doença coronária), sendo mais da metade em indivíduos entre 45 e 69 anos.
Em nosso país, as DCV têm sido a principal causa de morte nos últimos anos, e estratégias para detecção da HAS, de controle e de prevenção são fundamentais para a redução de mortes cardiovasculares.
A HAS resulta na ocorrência de acidente vascular (derrame cerebral), doença coronária (angina e infarto), cardiomiopatia (doença do músculo cardíaco), retinopatia (podendo resultar em cegueira) e doença renal terminal, resultando em um número elevado de pacientes com necessidade de diálise. Inquéritos populacionais em cidades brasileiras nos últimos 20 anos apontaram uma prevalência de HAS acima de 30%, com mais de 50% entre 60 e 69 anos e 75% acima de 70 anos, com proporção semelhante entre homens e mulheres.

Tratamento e controle são fundamentais

Estudos clínicos demonstraram que a detecção, o tratamento e o controle da HAS são fundamentais para a redução dos eventos cardiovasculares. No Brasil, 14 estudos populacionais realizados nos últimos 15 anos com 14.783 indivíduos (PA < 140/90 mmHg) revelaram baixos níveis de controle da PA (19,6%). Os esforços concentrados dos profissionais de saúde, das sociedade científicas, das agências governamentais e da população são fundamentais para se atingir metas de tratamento e controle da HAS.

A importância da prevenção

A hipertensão arterial é uma doença grave que tem prevenção e tratamento eficazes. O excesso de peso, a ingestão excessiva de sódio, o sedentarismo, o estresse emocional e a ingestão excessiva de álcool são fatores associados a maior ocorrência de hipertensão arterial, à maior gravidade e a menor possibilidade de controle adequado.
Mudanças no estilo de vida são entusiasticamente recomendadas na prevenção primária da HAS. Hábitos saudáveis de vida devem ser adotados desde a infância e adolescência, respeitando-se as características regionais, culturais, sociais e econômicas dos indivíduos.
As principais recomendações não-medicamentosas para prevenção primária da HAS são: alimentação saudável, consumo controlado de sódio e álcool, ingestão de potássio, combate ao sedentarismo e ao tabagismo.
A medida correta da pressão arterial supervisionada pelo médico é fundamental, com aparelhos calibrados, validados estando o paciente em condições ideais. Uma vez detectada a hipertensão arterial, o paciente deve fazer seguimento médico regular, com o objetivo de adequar o tratamento, visando a redução das complicações cardiovasculares e renais da hipertensão que muitas vezes são fatais.
A prevenção, o controle e o tratamento da hipertensão arterial são essenciais para a saúde cardiovascular.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Vírus atual da febre amarela tem mutação inédita, diz Fiocruz

De acordo com pesquisadores, não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial

Rio - Os pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) concluíram o sequenciamento do vírus da febre amarela, responsável pelo atual surto da doença no Brasil. De acordo com o instituto, após a análise da sequência completa do genoma foi possível constatar a presença de variações em sequências genéticas que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral. Ainda segundo a instituição, não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial.
Os pesquisadores reforçaram que os impactos para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontaram para a necessidade de se avaliar mais amostras, relativas a locais diferentes e incluindo casos em humanos, macacos e mosquitos.
Febre amarela: concluído sequenciamento do genoma completo de vírus associado ao surto atual Divulgação / Josué Damacena /IOC / Fiocruz
Os resultados das análises foram divulgados na revista científica ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’. Adicionalmente, dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco que veio a óbito no Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com a Fiocruz, o estudo partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço: a atual situação de febre amarela no país conta com lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão.
Para os pesquisadores, o surto é o mais severo das últimas décadas, e a doença tem se espalhado de forma rápida, com epizootias e casos humanos diagnosticados inclusive em locais considerados livres do agravo há quase 70 anos.
“Nesse momento, o compromisso de cada um de nós, pesquisadores, deve ser de gerar conhecimento na sua área de especialidade e compartilhar essas descobertas, de forma acelerada, para que possamos contribuir para preencher um mosaico de evidências que permita ajudar a explicar o cenário atual”, afirma a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC, que coordenou o estudo com o pesquisador Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. 
Os pesquisadores enfatizam que o sequenciamento do genoma é fundamental para complementar as evidências obtidas na pesquisa. “Este é um resultado inicial. Não podemos generalizar, pois ainda não sabemos se esse vírus é predominante no atual surto”, afirma Ricardo Lourenço. 
Número de mortos no estado sobe para cinco
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro informou nesta segunda que subiu para cinco o número de mortes por febre amarela no estado. Exames laboratoriais feitos pela Fundação Oswaldo Cruz confirmam 14 casos da doença em todo o estado e mais duas mortes: uma em Macaé, norte fluminense, e uma em Silva Jardim, região da Baixada Litorânea.
Dos 65 municípios do Rio de Janeiros considerados mais vulneráveis ao contágio da febre amarela, 55 tiveram disponibilizadas doses em quantidade suficiente para imunização do público-alvo – entre elas, Macaé e Silva Jardim. São quase 5 milhões de doses da vacina disponibilizadas para os 92 municípios fluminenses.
Os municípios prioritários, de acordo com a avaliação do cenário epidemiológico, que ainda não receberam novas remessas de vacinas são: Arraial do Cabo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Magé, Petrópolis, Resende, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Teresópolis e Três Rios.
Desde janeiro, 7,7 milhões de doses foram distribuídas aos 92 municípios do estado, atendendo à estratégia de priorizar as cidades mais vulneráveis. O governo tem como meta imunizar toda a população elegível no estado até o fim do ano, cerca de 12 milhões de pessoas.
Ainda segundo a secretaria, a estratégia de vacinação em cada cidade deve ser definida por cada uma das 92 prefeituras, observando a disponibilidade de doses pelo Ministério da Saúde, a capacidade operacional - como número de postos e de pessoal capacitado para o trabalho -, além do armazenamento correto das doses, para que não haja perda de vacinas.
O público-alvo para receber as doses é formado por crianças a partir de 9 meses e adultos de até 59 anos.
Com informações da Agência Brasil

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Vitamina D reduz risco de menopausa precoce, revela estudo

Segundo pesquisa da Universidade Harvard, o consumo de vitamina D e leite de vaca pode contribuir para retardar o processo

Uma alimentação rica em peixes oleosos, como salmão, atum e sardinha, e ovos – ricos em vitamina D – pode evitar a menopausa precoce. De acordo com estudo publicado no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, o consumo de vitamina D através de alimentos e suplementos pode reduzir o risco da menopausa antes dos 45 anos em até 17%. Já os alimentos ricos em cálcio mostraram uma redução de 13%.
Estudos anteriores já haviam sugerido que a vitamina pode retardar o envelhecimento dos ovários. Cerca de uma a cada dez mulheres enfrenta a fase da menopausa precoce – antes dos 45 anos -, aumentando os riscos de osteoporose, doenças cardíacas e diminuindo a fertilidade.

O estudo

Pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, analisaram 116.430 mulheres que trabalharam na área da saúde durante duas décadas. Durante esse período, as participantes registraram sua dieta em cinco ocasiões e 2.041 mulheres entraram na menopausa.

Resultados

Os resultados, levando em conta peso e histórico de amamentação, revelaram que aquelas que consumiram maior quantidade de vitamina D apresentaram um risco 17% menor para a antecipação do período fisiológico do que as outras. Já o consumo de cálcio foi associado a uma redução de 13% na probabilidade de menopausa precoce.
Acredita-se que o consumo de cálcio relacionado a redução da menopausa precoce pode ser explicada pela quantidade de hormônios no leite de vaca, retardando as mudanças hormonais naturais da mulher.
Em relação à vitamina D, segundo os autores, existem boas evidências de que a substância acelere a produção de hormônios que retardam o envelhecimento ovariano e a idade em que a mulher perde a capacidade reprodutiva. Isso é importante pois a menopausa surge justamente quando a mulher não produz mais óvulos.
“Acreditamos que o cálcio poderia influenciar, também, a idade ovariana porque no leite está presente hormônios como a progesterona, que pode ajudar a reduzir esses riscos“, explicou Alexandra.
Nos Estados Unidos, leite e queijo são fortificados com vitamina D. Segundo os pesquisadores, foram os laticínios os principais alimentos que indicaram a redução do risco de menopausa precoce e o resultado poderia ser diferente em outros países. No entanto, mais pesquisas são necessárias para comprovar se a ingestão de suplementos de vitamina D realmente afeta o atraso da menopausa.

Menopausa precoce

“A menopausa precoce não só está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, osteoporose e Alzheimer, como pode afetar as chances de conceber anos antes do aparecimento dos sintomas”, disse Alexandra Purdue-Smithe, uma das autoras da pesquisa, ao Daily Mail.
Uma mulher que entra na fase da menopausa aos 43 anos, por exemplo, pode enfrentar problemas de fertilidade por volta dos 33 anos. “Estudos procuram por algo que possa reduzir esses riscos. E a dieta, que pode ser facilmente alterada, tem grande implicação na saúde da mulher.”

sábado, 13 de maio de 2017

CE tem cinco mortes por chikungunya neste ano

Outros quarenta óbitos estão em investigação, de acordo com a Sesa. Além disso, houve três mortes por dengue
 
Os dados do último boletim epidemiológico das arboviroses – dengue, chikungunya e zika – em circulação no Ceará, divulgados ontem pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), caracterizam um atual cenário epidêmico das doenças, indica a ocorrência de cinco óbitos em decorrência da chikungunya e três pela dengue. A incidência das três doenças é de 844 casos por 100 mil habitantes, detectados em 177 dos 184 municípios cearenses.
Desde janeiro, foram confirmados 7.170 casos de dengue, enquanto a chikungunya infectou quase o dobro, com 13.312 casos. A zika tem a menor taxa de infecção, com 125 confirmações. No total, o sistema de saúde notificou mais de 75 mil casos suspeitos das três doenças. Segundo o secretário da Saúde do Ceará, Henrique Javi, a explosão dos casos está relacionada a diversos fatores, como a proliferação de criadouros do mosquito Aedes aegypti,  na quadra chuvosa; a descontinuidade de ações de controle pela troca de gestão nos municípios cearenses e características específicas dos vírus.
“Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstram que o vírus da chikungunya se alastra duas vezes mais que o da dengue e quatro vezes mais que a zika. No mosquito, a chikungunya se replica em sete dias, enquanto na dengue esse período é de 14 dias”, explica o gestor. Além disso, segundo Javi, a população está suscetível à contaminação porque nunca esteve exposta à doença em períodos anteriores. Os primeiros casos da chikungunya no Ceará foram verificados em 2014, “importados” de outras localidades.
Conforme a Sesa, 130 dos 184 municípios cearenses receberam cartas de alerta sobre um possível risco de epidemia, com base nos dados levantados pela Pasta, e tiveram  recomendações para elaborarem um plano de controle do mosquito. Destes, apenas 17 não enviaram o documento, enquanto 86 já vêm sendo monitorados. O secretário também admitiu a possibilidade de subnotificação de casos, mas acredita que ela não deve ser alta porque os informes são necessários para que os municípios recebam apoio técnico.
Questionado se houve falha da Pasta em prever a disseminação da doença, Javi disse que a circulação do vírus é recente e mais agressiva que a dengue, impondo novos desafios à Saúde Pública. “Desde 2015, o alerta já estava dado. Tentamos nos preparar o máximo possível em 2016, mas, no fim do ano, houve desmobilização em algumas cidades por causa da troca de gestores. Esse trabalho já foi retomado e não pode parar”, disse.
Dentre as estratégias adotadas, estão o uso de 30 carros fumacê e 230 bombas costais, que permitem a pulverização de inseticidas; a distribuição de 10 mil rolos de tela para o revestimento de depósitos; formação de brigadas de combate ao mosquito e a capacitação de laboratoristas, agentes e médicos.
Entrevista com Caio Cavalcanti - Coordenador do Comitê Gestor de Enfrentamento às Arboviroses
Organização e empenho geral são necessários para dar respostas
Homem
Qual é a utilidade prática do boletim epidemiológico?
Esse documento garante, por meio das informações rápidas, uma decisão oportuna para o enfrentamento às arboviroses. Na hora em que percebemos um sinal de alerta, já organizamos uma resposta rápida, enviando força-tarefa da Secretaria da Saúde (Sesa) para o Município e organizando planos de contingência. O boletim nos dá essa tendência e nos permite direcionar as ações.
Que desafios a chikungunya cria para a saúde pública?
A chikungunya é uma doença relativamente recente no Estado do Ceará. Esse enfrentamento requer um exército ampliado e o envolvimento de toda a sociedade. Temos procurado mobilizar instituições públicas e privadas, obviamente com a liderança do governo para fortalecer nossas ações, e que a faxina semanal, por exemplo, passe a ser algo cultural.
Então, por que, mesmo com 30 anos de dengue no Ceará, o combate ao mosquito não se tornou cultural?
Por muito tempo, o enfrentamento ficou concentrado no setor da Saúde, com uma dependência muito forte do fumacê e de outras intervenções. Recentemente, nos últimos anos, é que a gente conseguiu trazer outros setores do governo e da sociedade para esse enfrentamento, porque tem espaços onde a Saúde não pode chegar. E isso requer tempo.
(Colaborou Nícolas Paulino)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Surtos de arboviroses se multiplicam no Ceará

Farias Brito enfrenta um surto, quase todos adoeceram em Catarina, mas Pedra Branca continua sem registros
Farias Brito praticamente dobrou o número de agentes de combate a endemias para sanar a epidemia de dengue que atingiu a cidade ( Foto: André Costa )
por André Costa / Honório Barbosa - Colaboradores
Farias Brito/Catarina/Pedra Branca. Localizada no Sul do Ceará, Farias Brito enfrenta um surto de dengue neste ano. Segundo dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, a cidade possui a maior incidência de dengue em todo o Brasil, com registro médio de 1.527,5 casos para cada 100 mil habitantes. Até o fim de abril, tinham sido confirmados 287 casos de dengue no município. Em quatro meses, o número já é 322% maior do que o registrado em todo o ano passado.
Os bairros Centro e Nova Betânia e a comunidade Quincuncá são os de maior incidência. Das 14 localidades assistidas pelos Agentes de Combate de Endemias (ACEs), apenas seis estão com índice de infestação predial abaixo do aceitável pelo Ministério da Saúde, de 1%.
Segundo a secretária de saúde do Município, Sheyla Martins, vários fatores podem explicar o alto número de casos confirmados de dengue: "A população estava bastante suscetível ao vírus, já que nunca tínhamos registrado epidemia de dengue. Nos últimos anos, os números sempre estiveram dentro da normalidade. Neste ano, maior intensidade nas chuvas, tempo quente e a quantidade de imóveis fechados, sem que nossos agentes pudessem depositar a larvicida, acreditamos que favoreceram a proliferação do mosquito".
A titular da pasta reconhece que a quantidade de agentes de endemias em Farias Brito no ano passado estava abaixo do que preconiza o Ministério da Saúde. O órgão estima que para cada 800 a mil imóveis, o Município deve dispor de um agente. Em Farias Brito, no passado, apenas cinco agentes atuavam em 6.785 imóveis urbanos trabalhados no Programa de Controle e Prevenção das Arboviroses.
Com o número diminuto de ACEs, o tempo entre um ciclo de inspeção e outro, que deve ser a cada mês, conforme preconizado pelo Ministério, tende a subir. Em 2016, os agentes levaram 56 dias para repetição do ciclo em Farias Brito. "Acima do ideal", reconheceu o coordenador das endemias, Ailton Pereira. Para reverter o quadro de epidemia, ele garante que a equipe foi reforçada desde o início do ano. "Em janeiro, aumentamos para sete e, no mês passado, chegamos a dez agentes, ultrapassando a média ideal estipulada pelo Ministério", pontuou.
A secretária destacou, ainda, que as campanhas educacionais realizadas no ano passado não surtiram tanto efeito. "Os agentes são sim importantes para a prevenção, mas a população deve atuar junto com o governo no combate ao mosquito".
O supervisor de controle de endemias do município, Francisco Severino Filho, ponderou que o número de imóveis fechados também pode ser um fator agravante. "Tivemos mais de 1,5% de pendência nas casas visitadas. Isso representa que, se um desses imóveis possuir foco do mosquito, as casas circunvizinhas, que foram visitadas, estão em risco", alertou.
Além de dobrar o quadro de agentes, a gestão municipal solicitou à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) um carro fumacê para as áreas de maior risco e afirmou que as campanhas educativas serão intensificadas.
Os nove Postos de Saúde da Família (PSF) e o Hospital Municipal, tiveram aumento significativo nos atendimentos. "Os casos mais simples, de menor risco, são atendidos nos PSFs, que estão suportando bem. Os que demandam maior atenção, são trazidos para o Hospital, assim como aqueles que apresentam os sintomas das doenças e são submetidos aos exames", explicou a gerente do hospital, Patrícia Lopes. Em março do ano passado, a unidade atendeu 2.763 pacientes, em março deste ano, o número saltou para 4.300.
Cidade doente
Catarina, no Centro-Sul do Ceará, enfrentou um surto epidêmico de chikungunya, além de registros de dengue nos meses de fevereiro, março e abril. A maioria dos moradores foi acometida pelas doenças e, naquele período, a Unidade Mista de Saúde Gentil Domingues chegou a atender por dia 300 pessoas com sintomas de arboviroses.
Conforme a Secretaria da Saúde do Município, nos quatro primeiros meses deste ano foram confirmados 346 casos de chikungunya e 37 de dengue. De nove casos suspeitos de zika vírus em gestante, cinco foram descartados e quatro aguardam resultado dos exames de sorologia. Muitas vezes, os números oficiais estão aquém da realidade, por subnotificação.
O diretor da unidade de Saúde, Jardel Mendonça, disse que, agora em maio, o Município está voltando à normalidade. "O atendimento diário, em média, caiu para 70 pessoas, que se queixam dos sintomas de dengue e chikungunya", frisou. "Quase toda a população ficou doente".
A secretária de Saúde de Catarina, Valéria Rodrigues, confirma que houve uma redução drástica e que o surto das doenças está associado à necessidade da população de armazenar água distribuída por carro-pipa. O açude São Gonçalo secou e a cidade enfrenta crise grave de desabastecimento. "O município adotou um conjunto de ações: telou caixas, distribuiu telas, fez mutirões, campanhas educativas e nós ainda estamos em campo", frisou Valéria Rodrigues.
15 anos sem dengue
Pedra Branca, no Sertão Central, em 2016, chegou a 15 anos sem dengue por transmissão local. Os casos confirmados foram importados de cidades vizinhas. Esse cenário permanece. "Tivemos três confirmações, duas para chikungunya e uma para dengue", disse o coordenador de endemias do município, Stanley Cavalcante Lima Melo.
No último trimestre de 2016 houve, segundo ele, uma descontinuidade das ações de combate aos focos do mosquito, pela administração anterior. "Recebemos o município com índice de 5% de infestação. Em fevereiro reduzimos para 1,78% e depois para 1,38%".
Fique por dentro
Ceará e Roraima na contramão do resto do País
De um modo geral, o Brasil tem conseguido diminuir os números de casos de dengue, chikungunya e zika nos primeiros meses de 2017, em relação ao mesmo período do ano passado. A dengue passou por uma redução de 90,4% nos casos prováveis, enquanto a zika reduziu 95,4% e a chikungunya, 68,1%. No entanto, Ceará e Roraima são os dois únicos estados na contramão desta redução. O Ceará registrou, em 2016, 13.548 ocorrências prováveis de dengue. Nos primeiros quatro meses deste ano, o índice já chega a 15.826. Já os casos de chikungunya, passaram de 4.294 possíveis no ano passado para 17.012 em 2017.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Analgésicos aumentam risco de infarto, diz estudo

Um novo estudo confirma que o uso de anti-inflamatórios como ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno aumentam em até 53% o risco de infarto

Um estudo publicado no periódico científico BMJ, confirmou o que estudos anteriores já haviam sugerido: medicamentos utilizados para combater dores e inflamações podem colocar em risco a saúde do coração. A pesquisa apontou que o uso dos anti-inflamatórios não-esteroides, conhecidos pela sigla AINEs, como diclofenaco, ibuprofeno, naproxeno e celecoxibe está associado a um aumento de até 53% no risco de infarto.
O novo estudo, realizado por pesquisadores canadenses, finlandeses e alemães, revisou sistematicamente pesquisas realizadas anteriormente envolvendo mais de 446.000 pessoas com idade entre 40 e 79 anos, entre as quais mais de 61.000 tiveram ataques cardíacos.

Apenas uma semana já aumenta o risco

Os resultados mostraram que aqueles que o uso de AINEs durante sete dias, está associado a um aumento de 24% no risco de infarto com celecoxibe, 48% com ibuprofeno, 50% com diclofenaco e 53% com naproxeno. O estudo constatou ainda que o risco aumenta de acordo com a dose e duração do tratamento, mas não houve aumento significativo no risco após um mês tomando os medicamentos.
Michèle Bally, epidemiologista do Hospital da Universidade de Montreal, no Canadá, ressalta que o aumento absoluto do risco é bastante pequeno. Mas ressalta: “Dado que o início do risco de infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) ocorreu na primeira semana e foi maior no primeiro mês de tratamento com doses mais altas, os médicos devem ponderar os riscos e benefícios dos AINEs antes de prescrever o tratamento, principalmente em altas doses”, disse ao jornal britânico The Guardian.
Como esse foi apenas um estudo observacional, não é possível dizer por que os anti-inflamatórios estão associados a um maior risco de ataque cardíaco. Mas, pesquisas anteriores, sugeriram que o vínculo pode envolver o bloqueio de um hormônio chamado prostaciclina, que protege os vasos sanguíneos.

Bulas

De acordo com a bula do ibuprofeno, “dados epidemiológicos sugerem que o uso de ibuprofeno, particularmente na dose mais alta (2400 mg diariamente) e em tratamento de longa duração, pode estar associado a um pequeno aumento do risco de eventos trombóticos (trombose) com infarto do miocárdio ou derrame”. E adiciona: “estudos epidemiológicos não sugerem que doses baixas de ibuprofeno (menos que 1200 mg diariamente) estejam associadas com o aumento do risco de eventos trombóticos (tromboses) arteriais, particularmente infarto do miocárdio”.
Na bula do diclofenaco, a fabricante também aponta que o medicamento não é indicado para quem tem doenças cardiovasculares e que pacientes de risco devem ter acompanhamento médico. “Se você tiver doença no coração estabelecida ou nos vasos sanguíneos (também chamada de doença cardiovascular, incluindo pressão arterial alta não controlada, insuficiência cardíaca congestiva, doença isquêmica cardíaca estabelecida, ou doença arterial periférica), o tratamento com diclofenaco sódico geralmente não é recomendado.”
Embora não traga nenhuma contra-indicação ou alerta a esse respeito, a bula do naproxeno recomenda “informe seu médico caso você tenha problemas no coração, fígado, rim ou doenças gastrintestinais”.
Já a bula do celecoxibe descreve o infarto do miocárdio como um evento adverso “comum” associado ao medicamento.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

CE registra 2ª morte por chikungunya; Prefeitura define ações contra Aedes

Fortaleza aparece com o maior índice médio de febre chikungunya no País, com 210,8 casos por 100 mil habitantes
 
João Lima Neto - Repórter
A preocupação com o avanço das doenças causadas pelo Aedes aegypti fez a Prefeitura de Fortaleza reforçar as estratégias no combate aos focos do mosquito. Na manhã de ontem, no Paço Municipal, o prefeito Roberto Cláudio apresentou a nova campanha educativa da gestão. A ação tem como objetivo reforçar o engajamento de todos os cidadãos para reduzir os casos de dengue, zika e febre chikungunya. Apesar dos esforços na Capital, o boletim da Semana Epidemiológica 15 do Ministério da Saúde confirma, laboratorialmente, a segunda morte por febre chikungunya no Ceará e apresenta Fortaleza com a maior incidência de casos prováveis da doença entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes.
Conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), de janeiro a abril deste ano, já foram confirmados 5.483 casos de chikungunya em Fortaleza. Em igual período de 2016, foram registrados 2.014 pacientes. Já em relação à dengue, de janeiro a abril deste ano, 4.110 pessoas foram diagnosticadas, contra 6.222 no igual período do ano passado.
No ranking do Ministério da Saúde, a Capital cearense aparece com 119,4 casos prováveis de dengue a cada 100 mil habitantes. Além disso, também consta com o maior índice médio de febre chikungunya, com 210,8 casos por 100 mil habitantes.
Durante coletiva no Paço Municipal, o prefeito Roberto Claudio rebateu os dados e afirmou que a Capital teve uma redução nos números de dengue. "Em Fortaleza houve o inverso. Tivemos uma queda severa de casos de dengue, mas aumento da chikungunya. Até temos uma suspeita a ser confirmada de que ainda há menos casos de dengue do que foi notificado. E há mais casos de chikungunya, pois houve um problema de diagnóstico. Os profissionais estavam treinados a identificar febre e dor no corpo como dengue. Muitas das notificações da doença podem ter sido chikungunya", ressalta.
Estratégias
Segundo levantamento da SMS, neste ano foram realizadas 12.810 ações com a abordagem de 145.480 pessoas até abril de 2017. No ano passado, foram feitas mais de 40 mil atividades educativas, quase 500 mil pessoas foram abordadas no que diz respeito ao combate do mosquito Aedes aegypti.
Neste ano, também foi criado o Comitê de Enfrentamento às Arboviroses (doenças causadas por mosquitos), que se encontra semanalmente, com a participação de mais de 50 representantes de diversos órgãos e secretarias municipais, além de entidades privadas, fomentando ações intersetoriais. Além disso, foi implementada atividade diferencial de acolhimento específico em 19 postos de saúde, capacitação de 702 profissionais da saúde, mobilização de 12 mil idosos no programa "Senhora Faxina", campanhas educativas em escolas, formação de 27 brigadas, supervisão semanal de todos os equipamentos públicos, criação do selo "Escola Amiga da Saúde", que envolverá 790 instituições públicas e privadas de Fortaleza, entre outras.
Ainda segundo o prefeito, a atenção ainda é redobrada quanto ao trabalho de vistoria nas residências. "Em 81% dos casos de chikungunya que foram identificados, o foco do mosquito estava dentro de casas ou comércios. Então, a população precisa entender que o combate não é apenas ambiental, mas domiciliar, principalmente. Por isso, a tarefa mais eficiente é mobilizar a dona de casa, o cidadão a fazer o seu papel dentro da própria residência", afirmou o gestor.
O chefe do Executivo municipal também falou que vem sendo questionado sobre a limpeza em pontos fixos de lixo na cidade. Ele destacou que o tempo em que o lixo fica na rua é curto, impedindo o ciclo de reprodução do mosquito. "Três dias é o tempo máximo para limpar um ponto de lixo. Há uma falsa impressão que a rampa de lixo em vias públicas ou o ponto de lixo seja o causador do mosquito".
No evento de lançamento da campanha foi assinado uma documento com oito entidades públicas e privadas apoiando a luta contra o Aedes aegypti.
Para o médico infectologista Anastácio de Queiroz, a confirmação de uma segunda morte por chikungunya é grave e pode dar prognóstico para outras.
"Devem ter acontecido muitos óbitos que não foram notificados. É uma doença com sintomas semelhantes a outras. Os casos graves notificados devem ser avaliados com muito critério", alerta o infectologista.
Sobre o aumento de chikungunya na Capital, em nível nacional, o especialista diz que a cidade tem prevenção, mas que não trabalha sozinha. "Não podemos tomar como falha a situação de Fortaleza. Cada cidade tem um perfil sobre os impactos", avalia Anastácio de Queiroz.
Estado
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, o município de Farias Brito, no sul do Ceará, é a localidade de maior incidência de dengue em todo o Brasil. O município registra uma média de 1.527 registros, o equivalente a 5 casos de dengue para cada 100 mil habitantes. Em geral, o Brasil tem diminuído os números de arboviroses, como dengue, febre chikungunya e infecção por vírus da zika nos primeiros meses de 2017, em relação a igual período do ano passado. A dengue passou por uma redução de 90,4% nos casos prováveis, enquanto a chikungunya caiu 68,1% e a zika, 95,4%.
Contudo, Ceará e Roraima são os dois únicos estados brasileiros em que as notificações de dengue sofreram um aumento no comparativo ao ano anterior. Até 15 de abril de 2016, o Ceará registrou 13.548 ocorrências prováveis da doença, enquanto em 2017 o índice já chega a 15.826 pacientes. Em relação à febre chikungunya, o Ceará também apresenta crescimento nos números, indo de 4.294 possíveis casos para 17.012 em 2017.
Sobre a segunda morte por chikungunya no Ceará, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) informou, em nota, que "tem divulgado boletim semanal com a atualização de informações sobre arboviroses". O próximo será divulgado nesta sexta-feira (12) com a atualização de casos notificados e óbitos.

Entrevista

Joana Maciel
Secretária da Saúde do Município de Fortaleza
Ações educativas reduziram casos
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Como se situam as confirmações das doenças por pacientes?
O que sabemos é que, de 10 pacientes que apresentam sintomas da dengue, dois são confirmados. Já da chikungunya, de 10 pacientes, sete são confirmados.
As ações já praticadas nos anos anteriores foram válidas?
Se não fossem as ações de 2016, estaríamos com uma situação mais alarmante. Nós temos que combater os criadouros de forma educativa. Nós vamos reunir especialistas cearenses ainda esta semana para discutir o aumento no número de casos, as ações e os impactos.
Os casos de dengue no Ceará ainda preocupam?
O número de casos de dengue não está aumentando. Nossa preocupação desde o ano passado é com o número de casos de chikungunya. A arbovirose já vinha aparecendo em outros momentos. Assim como a dengue, a chikungunya vem crescendo de forma mensal nas regionais da Capital.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os aliados da regeneração da coluna vertebral

Procedimentos podem ser realizados para restaurar a mobilidade de quem sofre com problemas na área
dor na coluna
Alguns dos medicamentos prescritos nos consultórios podem trazer efeitos colaterais para os rins, fígado, coração e sistema nervoso central ( Foto: Divulgação )
As doenças degenerativas dos ossos acometem cada vez mais jovens. Esses males continuam sendo uma das maiores preocupações da área da saúde, principalmente no que tange à qualidade de vida.
Manter hábitos de má postura proporciona o desgaste natural, como por exemplo, ficar muito tempo numa mesma posição. As consequências podem ser graves para a coluna, demonstrando a carência de atenção para este assunto.
Os problemas podem ser variados, como Cervicalgia, Lombalgia, Hérnia de Disco, Artrose, Lordose, Escoliose, entre outros. Durante o tratamento, o principal objetivo é livrar o paciente da dor, tendo em vista o menor prejuízo para suas funções cotidianas.
Alguns dos medicamentos prescritos nos consultórios, dependendo das características químicas, podem trazer efeitos colaterais para os rins, fígado, coração e sistema nervoso central. A gravidade pode aumentar e resultar em insuficiência renal ou hepática, infarto, sonolência e déficits de concentração e memória.
Alternativa
Muitos médicos abrem mão da fisioterapia, a fim de reduzir a administração de medicamentos. Práticas de melhorias na postura e reeducação de comportamento e atitudes para uma coluna mais saudável são recomendadas.
Quando o desarranjo que se estabelece na região e causa dores tem origem numa alteração mecânica (isto é, uma estrutura saiu de seu lugar e invadiu o espaço de outra), essa situação vai afetar toda a anatomia original da coluna.
A principal maneira de restabelecer o equilíbrio é "remover o invasor da área invadida". Se o paciente tem hérnia de disco, uma dilatação do disco intervertebral causando compressão de uma raiz do ciático, não haverá outra medida capaz de resolver o problema.
De acordo com o ortopedista José Otávio Correard Teixeira, graças à evolução técnica, hoje é possível abordar diferentes problemas da coluna vertebral por vídeo cirurgia e procedimentos minimamente invasivos. 
"É feita uma pequena dilatação de espaços entre os músculos, com o intuito de corrigí-lo sem grande perturbação das estruturas vizinhas. A não introdução de 'corpos estranhos', por exemplo, oferece a possibilidade de uma rápida regeneração e permite um quadro cirúrgico de pequena agressão ao corpo, fazendo com que o paciente retorne rapidamente às atividades rotineiras", explica o ortopedista.
A anestesia costuma ser local com sedação e o procedimento demora em torno de uma hora e meia a duas horas. A internação dura 24 horas, com 15 dias de repouso e, após este período, já é possível o retorno gradativo do paciente às atividades normais.
As cirurgias minimamente invasivas vêm se tornando o procedimento mais eficaz para tratar esses problemas e garantir uma vida sem preocupação aos pacientes que sofreram durante anos com problemas na coluna vertebral.
Quanto mais cedo se avaliar a necessidade deste tipo de tratamento, mais fácil será a recuperação e maiores serão as chances de uma vida sem dor.
A mobilidade para realizar as tarefas do dia-a-dia têm comprovado que, quanto mais cedo os diagnósticos forem detectados, mais qualidade de vida os pacientes terão. "Uma vez observado que alguns paliativos já foram adotados e não surtiram o efeito esperado, uma avaliação médica e um bom planejamento cirúrgico garantem resultados satisfatórios e eficientes", finaliza o especialista.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Rede atenderá aos sequelados da epidemia de chikungunya

Com cenário epidêmico da doença, Estado e Município garantem suporte a paciente com outras complicações
TELMA Rocha sofre com inchaço nas articulações e deve precisar de reumatologista ( Foto: Nah Jereissati )
Lêda Gonçalves - Repórter
De uma coisa a saúde pública e privada vem confirmando a cada dia: é errado pensar que a Chikungunya causa fortes dores apenas durante o tempo que o vírus Chikv circula no corpo da pessoa que o contraiu. Grande parcela dos doentes apresenta quadros mais sérios e persistentes, como inflamação nas juntas, problemas de visão ou meningoencefalite, espécie de meningite. Com cenário epidêmico já reconhecido, as redes de saúde do Estado e município de Fortaleza se organizam para assegurar atendimento a esses pacientes que até serem picados pelo mosquito transmissor da enfermidade, o Aedes aegypti, não tinham doença crônica ou autoimune. Um exemplo disso, é o caso do engenheiro civil, Cláudio Pereira. Ele teve a doença em dezembro de 2016 e até agora sofre com as suas consequências. "Ainda tenho limitações para me movimentar normalmente e outras ações cotidianas. Precisei de reumatologista, fiz exames e me deparei com um artrite braba que nunca tive", conta. Outra que relata quadro parecido é a aposentada Telma Rocha. "Tenho muitas dores e não posso nem segurar um lençol direito para forrar a cama, estou com inchaço nas articulações. É bem complicado", lamenta.
O gerente da Atenção Primária, da Secretaria de Saúde do Município (SMS), Rui de Gouveia, reconhece a situação e diz que, aliada às ações de combate aos focos do mosquito, reforçadas nos últimos dois meses, a gestão reestrutura sua rede farmacêutica, com regularização no abastecimento dos 150 medicamentos essenciais da assistência básica, principalmente o paracetamol e dipirona nas farmácias-polos e, até fim de junho, nos sete terminais de ônibus da Capital. "Além disso, organizamos um grupo de estudos com especialistas no Hospital Waldemar de Alcântara e elaboramos um programa de aperfeiçoamento permanente para os profissionais da rede", informa, explicando que isso significa que todos aqueles que apresentarem quadro desencadeado pela Chikungunya como as doenças autoimunes terão a garantia de avaliação, encaminhamentos para os especialistas adequados, outros exames e tratamento.
De acordo com o boletim epidemiológico da SMS, entre janeiro e 4 de maio desse ano, a Capital soma 5,4 mil confirmações da arbovirose, com um óbito e outros dez em investigação. Os bairros com maior número de infectados são Joaquim Távora, com 361; Montese, com 227; Antônio Bezerra , 213; Álvaro Weyne, com 205; São João do Tauape, com 199 .
Fique por dentro
Transmissão pelo mosquito
O nome Chikungunya deriva de uma palavra em Makonde, língua falada por um grupo que vive no sudeste da Tanzânia e norte de Moçambique. Significa "aqueles que se dobram", descrevendo a aparência encurvada de pessoas que sofrem com a artralgia característica. O CHIKV foi isolado inicialmente na Tanzânia por volta de 1952. Desde então, há relatos de surtos em vários países do mundo.
Nas Américas, em outubro de 2013, teve início uma grande epidemia de chikungunya em diversas ilhas do Caribe. Em comunidades afetadas recentemente, a característica marcante são epidemias com elevadas taxas de ataque, que variam de 38% a 63%. No Brasil a transmissão autóctone foi confirmada no segundo semestre de 2014, primeiramente nos estados do Amapá e da Bahia.
A doença não é transmitida de pessoa para pessoa. O contágio se dá pelo mosquito que, após um período de sete dias contados depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus CHIKV durante toda a sua vida, transmitindo a doença para uma população que não possui anticorpos contra ele.
O Aedes aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar, transmitindo a enfermidade, nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte. No entanto, mesmo nas horas quentes ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois não dói e nem coça no momento.
Dados

domingo, 7 de maio de 2017

O alívio pela música

Hospital paulista irá investigar por que as canções promovem benefícios para a saúde. Os pacientes já têm à disposição vinte playlists produzidas em parceria com o Spotify e com a ajuda de um maestro

Crédito: Divulgação
O gerente de sistemas paulista Rodrigo Pereira, 40 anos, é doador assíduo de sangue. Na manhã da quarta-feira 3, quando se preparava para mais uma doação no Banco de Sangue do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, surpreendeu-se com uma oferta singela no gesto, mas intensa no resultado. Foi convidado a ouvir música enquanto passava pelo procedimento. Ao som de “Passarinhos”, de Emicida, o processo foi bem mais gratificante do que costuma ser. A canção é dessas que alegram qualquer alma e, no caso de quem está fazendo uma boa ação, como Rodrigo estava, alegra ainda mais. “Foi um relax”, conta. “Até esqueci que tinha uma agulha no meu braço.”
A iniciativa faz parte de um projeto recém-iniciado na instituição paulista cujo objetivo final é identificar com precisão científica os benefícios que a música traz no cuidado com o corpo. A investigação está alinhada com uma vertente crescente de pesquisas que pretendem aprofundar os efeitos sobre a saúde de métodos complementares, como o uso da música ou das artes plásticas. Para quem ainda encara abordagens assim com preconceito, a ciência responde com evidências cada vez mais sólidas de que elas têm espaço real no bem-estar das pessoas. Uma das provas recentes foram os resultados de uma revisão de 52 estudos a respeito de câncer e música feita na Drexel University, nos Estados Unidos. A principal conclusão foi a de que ouvir música melhora muito a qualidade de vida dos pacientes. “O bem-estar e o prazer influenciam positivamente a recuperação dos pacientes”, afirma o cirurgião gastrointestinal Sidney Klajner, presidente da instituição paulista.
EFEITO MOZART
Em sua iniciativa, o Albert Einstein criou vinte playlists com base em sugestões dos seus profissionais de saúde, curadores do serviço de streaming de música Spotify e nas certeiras considerações do maestro Walter Lourenção. Aos 87 anos, o músico contribuiu para a seleção das canções eruditas que tocam na sala de Hemodinâmica, onde são realizados procedimentos como a colocação de stents (dispositivos para desobstruir artérias). Foi uma contribuição preciosa. Era costume da equipe médica ouvir música em som ambiente, e o paciente acabava escutando também. Em uma dessas vezes, o paciente era o maestro. Foi tudo muito bem, ele agradeceu ter podido ouvir também, mas fez uma observação. Na trilha, estava um réquiem, peça feita para homenagear alguém que morreu, para que descanse em paz. Considerando a situação, não seria de fato uma boa escolha.
Hoje na playlist da Hemodinâmica não há mais réquiem. Há preponderância de clássicos que evocam sentimentos positivos, como as em tom maior. Esses causam o chamado efeito Mozart, em referência à obra do compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart. “E são todas instrumentais. Árias, coros e duetos podem incomodar um pouco”, diz o cardiologista – e guitarrista -Adriano Caixeta.
O outro serviço no qual os pacientes do Einstein são convidados a escutar uma trilha enquanto se submetem aos procedimentos é o do exame de ressonância magnética. Quem já passou por um desses sabe o quanto ele pode ser desconfortável por causa do barulho e da sensação de claustrofobia que provoca em muita gente. O paciente escolhe a playlist e a ouve por meio de um fone especial acoplado ao aparelho. Era a primeira vez da paulista Francisca Lemos, 47 anos, na máquina. Estava lá para investigar a origem de sua dor nas costas. Francisca pôs para tocar Roupa Nova, uma das bandas de maior sucesso nos anos 1980. “Acabei me sentindo bem melhor”, diz.
Por enquanto, os estudos ainda não estão desenhados (precisam, por exemplo, serem submetidos ao Comitê de Ética do hospital). A coordenação dos trabalhos está a cargo de Eliseth Leão, pesquisadora de música e saúde há 21 anos. “Está demonstrado que escutar canções favorece o controle da dor e reduz a ansiedade”, afirma. A terapia também auxilia no tratamento da Doença de Alzheimer, caracterizada pela perda gradual da memória. As lembranças musicais estão entre as últimas a se perderem. Mantê-las vivas é a forma de preservar a conexão que resta do paciente com o mundo, fazendo emergir lá de dentro emoções que contam a história de cada um. Nesta tarefa, a música é mesmo imbatível.
O SOM DO CORPO
A evidência dos benefícios da música para o organismo é sólida. Alguns deles:
RELAX Enquanto doava sangue, Rodrigo ouviu “Passarinhos”, de Emicida
RELAX Enquanto doava sangue, Rodrigo ouviu “Passarinhos”, de Emicida (Crédito:Divulgação)
• Reduz a ansiedade
• Diminui a dor
• Auxilia no tratamento do Alzheimer. Uma canção é uma das últimas memórias a serem esquecidas
Nas seleções do hospital, a variedade de canções contempla gostos e idades. Algumas delas:
TRILHA Francisca sentiu-se melhor durante a ressonância escutando a banda Roupa Nova
TRILHA Francisca sentiu-se melhor durante a ressonância escutando a banda Roupa Nova (Crédito:Divulgação)
• My girl (The Temptations)
• Garota Nacional (Skank)
• Mulher de Fases (Raimundos)
• Body and Soul (Billie Holiday)
• Summertime (Chet Baker)
• Let it go (tema de Frozen)
• Perdoa (Paulinho da Viola)
• 24k Magic (Bruno Mars)
• Laudate Dominum (Wolfang Amadeus Mozart)
• Sonata para Piano no. 8 (Ludwig van Beethoven)

sábado, 6 de maio de 2017

Dor crônica

O que fazer quando a cabeça toda dói: da articulação da mandíbula à cadeia de músculos ao redor? Podemos estar diante de um quadro de dor orofacial, uma das principais queixas no consultório odontológico
Giovanna Sampaio - Editora do Vida
A vida começa a complicar quando se sente dor aos menores gestos, como dificuldade ao abrir a boca para se alimentar ou quando não se consegue beijar porque a mandíbula estala e dá clicks (ruídos). Essas são situações frequentes para uma parcela significativa da população que sofre as consequências das dores crônicas orofaciais. Entre elas estão as disfunções da Articulação Temporo-Mandibular (ATM), de origem musculoesquelética, que são as principais queixas na atualidade.
Na realidade, é difícil, sim, distinguir o que é um sintoma da ATM ou uma cefaleia tensional, enxaqueca ou problemas da coluna cervical, uma vez que são similares e podem confundir o profissional não experiente. Com isso, o paciente costuma sofrer por anos antes de chegar ao diagnóstico e tratamento adequados.
"Além da qualidade de vida em si, o paciente perde as funções de mastigação, fala e movimentos do pescoço e boca", observa a cirurgiã-dentista Neuza Márcia Falcão, especialista em dor orofacial e Disfunção Temporo-Mandibular (DTM) pela Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) e diretora do Centro de Dor e Odontologia Integrada (Instituto IOCI).
Movimentos limitados
Além de ter a abertura da boca seriamente comprometida, cerca de 70% dos indivíduos com sinais compatíveis com uma disfunção da ATM também relatam cansaço ao mastigar e dores na região próxima ao ouvido.
"Quando chegam ao consultório já apresentam um quadro instado de muito tempo ou agudo. Geralmente, esses pacientes já são crônicos, ou seja, apresentam comorbidades associadas (ansiedade, depressão, variações de humor), assim como distúrbios do sono e inadimplência ao trabalho. Também costumam relatar complicações familiares devido à perda de qualidade de vida e alterações na rotina por incapacidade de desempenhar suas funções", justifica a especialista em dor orofacial e DTM pela Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ), professora da Unichristus e cursos de extensão pelas faculdades da Califórnia (UCLA) e de Nova York (EUA).
Tudo está interligado
Embora incapacitante, muitos dos casos de dor orofacial não são tratados de forma que aconteça uma intervenção precoce. Assim, o cirurgião-dentista (com especialidade em dor orofacial e DTM) deve ser imediatamente procurado quando houver um quadro de dor persistente e que limite algum movimento facial por mais de dois a três meses.
Segundo a Dra. Neuza Falcão, como a dor crônica compromete a vida do indivíduo como um todo, é vital que a conduta trate a pessoa de forma integral e única (corpo, dieta, emoções) para reintegrá-lo à sua rotina sem limitações. Por isso, a necessidade de uma equipe interdisciplinar que compreenda os fenômenos da dor e trate todas as queixas ao mesmo tempo.
"Por exemplo, uma dor de cabeça do tipo enxaqueca precisa de uma mudança na alimentação com restrições de alguns alimentos, mas que deve ser feito com um profissional que não deixará faltar nenhum nutriente, mas que evite os alimentos inflamatórios. O psicólogo trabalhará com a ansiedade, depressão e alterações de humor, enquanto o fisioterapeuta com o objetivo de restabelecer as forças musculares, alongamentos, etc.
Existe cura sim
Devido à complexidade da dor e o poder que a mesma tem de refletir na vida como um todo, o indivíduo sofre duplamente ao ter que lidar com fracassos nos sucessivos tratamentos. "Muitas vezes, vão a especialistas que não tratam a dor e perdem tempo com planos médicos incompletos, sem que haja diagnóstico abrangente. Então, essas pessoas vão se frustrando e achando que não existe cura. Enquanto isso, há o aumento das dores e o desalento de não encontrar um resultado satisfatório", enfatiza.
Médicos, dentistas, fisioterapeutas, massagistas e acupunturistas são procurados sem sucesso. Dra. Neuza Falcão diz que "se não houver um profissional responsável, repassando o diagnóstico e o seu plano de tratamento, ou seja, se responsabilizando pelos encaminhamentos e resultados, o paciente se perde nessa quantidade de profissionais e locais diferentes", pontua.
O paciente tende a ficar inseguro e fragilizado, pois escuta opiniões diferentes e/ou divergentes. O que dificulta o critério de avaliação do que é certo para a sua dor. Assim, a solução para a dor crônica está na abordagem interdisciplinar, com um profissional que gerencie a dor e que ande de 'mãos dadas' com o paciente.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Ceará tem um caso suspeito de febre amarela em investigação

O Estado registrou um total de quatro casos notificados da infecção, dos quais três já foram descartados
Clique para ampliar
Vanessa Madeira - Repórter
Um caso suspeito de febre amarela está em investigação no Ceará. A informação faz parte do mais recente monitoramento do Ministério da Saúde sobre a doença em todo o Brasil, com dados de janeiro até o dia 27 abril deste ano. De acordo com o documento, divulgado na última semana, neste período, o Estado registrou um total de quatro casos notificados da infecção, dos quais três já foram descartados. Segundo o boletim, neste ano, há 715 ocorrências confirmadas da doença em seis estados brasileiros.
Procurada pela reportagem na tarde de ontem, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) informou que não conseguiria fornecer detalhes sobre o caso investigado em tempo hábil. Não foram repassadas informações sobre o município de partiu a notificação, nem sobre o paciente com suspeita da doença. Também não foi possível entrevistar representantes do órgão.
No último dia 28 de abril, o órgão emitiu nota técnica com orientações a respeito da vacinação contra a febre amarela. O Ceará é considerado pelo Ministério da Saúde uma área sem recomendação da vacina, por não se tratar de região endêmica. Apenas pessoas que planejam viajar a estados com risco para a doença devem receber a imunização.
Risco
Segundo o infectologista Robério Leite, do Hospital São José de Doenças Infecciosas, no contexto epidemiológico atual, há a preocupação de que pessoas não protegidas visitem áreas com casos confirmados e sejam infectadas, trazendo a febre amarela para o Estado. Conforme os dados do Ministério da Saúde, só no Nordeste, Bahia, Maranhão, Piauí e Paraíba também possuem casos em investigação. Há ocorrências confirmadas nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Tocantins.
No entanto, o especialista destaca que, mesmo em situações do tipo, o risco de proliferação da doença é baixo. “Seria improvável, a partir de um caso, haver uma maior transmissão”, ressalta Robério Leite. “Nosso risco, por questões ecológicas e geográficas, é menor que nos outros estados. Temos fronteira com o Piauí, que possui registros, então, se algum caso fosse importado, o mais plausível seria que isso acontecesse através da fronteira. Mas, ainda assim, temos um isolamento geográfico que nos dá proteção”, observa o médico infectologista.
Leite salienta, ainda, que o avanço da vacinação nas regiões acometidas pela doença e até mesmo nos estados sem recomendação também tem sido eficaz para o bloqueio da cadeia de transmissão. No Ceará, conforme mostrou Diário do Nordeste
em reportagem publicada no último mês de março, após o início do surto de febre amarela no Sudeste, a procura pela imunização disparou nos postos de saúde e em clínicas particulares.  O maior alerta no Estado é o fato de que, em sua versão urbana, a doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue, da febre chikungunya e da zika. Embora os casos registrados até o momento no País sejam de febre amarela silvestre, que é transmitida por gêneros diferentes de mosquito (Haemagogus e Sabethes), o infectologista afirma que o monitoramento e o alerta devem ser constantes. “O País todo se preocupou, a partir do momento em que a febre amarela foi erradicada, com um ressurgimento da doença, principalmente num contexto de infestação por Aedes aegypti. É sempre uma preocupação que o governo e nós, infectologistas, temos”, afirma.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quando falha a memória

Lapsos de memória são comuns em cérebros que estão envelhecendo de modo normal, e existem meios de adiar esse processo. A piora do quadro, porém, pode indicar o surgimento de algum tipo de demência, como a doença de Alzheimer
Depois que a doença de Alzheimer ganhou espaço na mídia e se tornou conhecida além das fronteiras da medicina, lapsos de memória passaram a ser um sintoma mais preocupante para os idosos. Diante de esquecimentos mais ou menos frequentes – como não lembrar o nome de alguém ou não saber onde os óculos de leitura foram deixados –, muitos correm ao consultório do médico com medo de estar desenvolvendo uma doença degenerativa.
Segundo o dr. Marcos Galan Morillo, especialista em geriatria, “na maioria das vezes, esses déficits de memória se devem ao envelhecimento cerebral normal ou estão relacionados à depressão”, que é bem comum nos idosos e compromete sua capacidade de concentração. “Com o passar dos anos”, diz o médico, “o cérebro – como qualquer outro órgão do corpo humano – sofre alterações anatômicas e funcionais.
A partir dos 40 anos, seu peso e volume diminuem 5%; depois dos 70, esse declínio se dá de modo mais acelerado. E o que é mais importante: de uma década para outra, além dessas alterações que levam à atrofia de regiões do cérebro, ocorrem mudanças na ação de vários neurotransmissores” (substâncias químicas produzidas pelos neurônios que respondem pela troca de “informações” entre eles, como dopamina, acetilcolina ou serotonina). “Por isso, em geral, um cérebro de 70 anos não tem a mesma capacidade de retenção de memória para acontecimentos recentes que um cérebro de 20.”
Navegar na internet adia os efeitos negativos do Alzheimer (Foto: Dmitry Berkut)
Navegar na internet adia os efeitos negativos do Alzheimer (Foto: Dmitry Berkut)
Segundo o geriatra, é possível identificar quatro níveis de desempenho da memória ao longo da vida. O melhor desempenho é alcançado na meia-idade e se mantém nas pessoas com envelhecimento cerebral bem-sucedido. A partir dos 40 anos, ocorre uma perda em relação a esse pico, porém, com plena manutenção das atividades. Com o tempo, pode haver uma diminuição da memória acima da média, mas sem comprometer as atividades do dia a dia – o chamado comprometimento cognitivo leve (CCL). Embora nesse caso o declínio de memória seja mais significativo, a pessoa ainda consegue fazer contas, pegar um ônibus ou cuidar da casa, por exemplo.
Por fim, podem surgir as demências, das quais a de Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais frequente entre os idosos. Aí, sim, a falta de memória e de outras capacidades cognitivas começa a atrapalhar o dia a dia do paciente: com o tempo, ele perde a autonomia para ir de casa ao supermercado, não lembra como coar um café e, num estágio mais avançado, não reconhece as pessoas da família. Diversos fatores de risco, como genética, hábitos de vida, lesões cerebrais e algumas doenças da meia-idade, aumentam a chance de desenvolvê-la.

Exercícios para o cérebro

Embora ainda não exista cura para o Alzheimer, os pesquisadores já concluíram que pessoas que têm uma boa motivação para viver e usam mais o cérebro – lendo, navegando na internet, jogando cartas, fazendo palavras cruzadas, etc. – conseguem adiar o comprometimento que a doença traz. “É a mesma coisa que acontece com um idoso que faz musculação: ele tem uma reserva de músculo maior do que aquele que não se exercita e, portanto, se movimenta com mais autonomia”, diz o geriatra. Nesse sentido, é interessante observar que, conforme o declínio cognitivo se instala, quanto maior a escolaridade do paciente, mais tardiamente ocorrerá o comprometimento das atividades cotidianas.
Os exercícios físicos são outra arma poderosa para a saúde do cérebro ao longo da vida. No livro Aumente o Poder do Seu Cérebro (Sextante), o biólogo molecular John J. Medina, especializado no estudo dos genes que agem no desenvolvimento do cérebro humano e na genética das doenças psiquiátricas, mostra que experiências reproduzidas com milhares de pessoas, em várias partes do mundo, não deixam dúvidas: “O risco de ter demência geral ao longo da vida cai pela metade para quem pratica atividades físicas em suas horas livres”.
Exercícios físicos reduzem em 50% o risco de demência geral (Foto: iStock)
Exercícios físicos reduzem em 50% o risco de demência geral (Foto: iStock)
O exercício aeróbico, feito com moderação, “parece ser o segredo”. Segundo ele, no caso de Alzheimer, “esse tipo de exercício diminui em mais de 60% a probabilidade de ocorrência dessa doença”. Para tanto, basta se exercitar duas vezes por semana. Com uma caminhada diária de 20 minutos, o risco de sofrer um acidente vascular cerebral – “uma das principais causas de deficiências mentais nos idosos” – cai 57%.
Em termos de alimentação, o que faz diferença no envelhecimento cerebral? As evidências mostram que a dieta mediterrânea – baseada no consumo de verduras, legumes, frutas frescas e secas, azeite de oliva e peixe, e associada ao controle de riscos cardiovasculares – também é indicada para manter o cérebro saudável. Afinal, lembra Morillo, “assim como o coração, o cérebro é irrigado por um número imenso de artérias, responsáveis por levar até ele sangue, oxigênio e nutrientes. Se elas começam a entupir graças a placas de colesterol, as regiões não irrigadas terão perda de funcionamento”.
Na avaliação do geriatra, a receita para prevenir o aceleramento da degeneração cerebral é a mesma indicada para prevenir, entre outras, as doenças tradicionais do coração: um estilo de vida saudável, com atividade física, uma boa alimentação, menos estresse, controle da hipertensão e do diabetes, ausência de tabagismo e baixo consumo de álcool. Evidentemente, quanto mais cedo ela for colocada em prática, melhores resultados trará.
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SINAIS PRÉVIOS

Ronald Reagan: problemas de saúde perceptíveis nos discursos (Foto:  Steve Christensen)
Ronald Reagan: problemas de saúde perceptíveis nos discursos (Foto: Steve Christensen)
Piadas prolixas e incoerentes podem ser um indício precoce da doença de Alzheimer, afirmam cientistas americanos em um estudo divulgado em fevereiro. A pesquisa indica que mudanças sutis no estilo de fala ocorrem anos antes de o declínio mental chegar a um estágio mais sério. Segundo os cientistas responsáveis pelo estudo, seria possível detectar essas mudanças e prever se alguém corre risco mais de dez anos antes de um diagnóstico de Alzheimer se consolidar.
Em uma palestra na Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Boston, Janet Sherman, diretora clínica do Centro de Avaliação de Psicologia do Hospital Geral de Massachusetts, descreveu novas descobertas que revelam déficits linguísticos distintivos em pessoas com comprometimento cognitivo leve (MCI), um precursor da demência. Ela descreveu estudos feitos nos textos dos últimos livros das escritoras Iris Murdoch e Agatha Christie que detectam esse problema, assim como análises dos discursos de Ronald Reagan na presidência americana (em comparação, os discursos de George H. Bush, que governou os EUA com idade similar à de Reagan, não apresentaram o mesmo problema). Para Janet, em até cinco anos deverão ser desenvolvidos testes linguísticos capazes de detectar o distúrbio.

OS SINTOMAS DA DEPRESSÃO

Déficits de memória muitas vezes estão relacionados à depressão, bastante comum com o envelhecimento. A doença pode aparecer, por exemplo, depois da aposentadoria ou da perda de um familiar. Quando ela é identificada e tratada corretamente, porém, o problema desaparece. Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, usado por médicos do mundo todo, a depressão é diagnosticada quando o paciente tem, por no mínimo duas semanas, cinco ou mais dos seguintes sintomas:
Tristeza ou humor depressivo
Perda do interesse por coisas que antes davam prazer
Aumento ou perda de peso sem haver relação com a dieta
Insônia ou excesso de sono
Perda de energia ou cansaço excessivo
Agitação ou morosidade de movimentos e da fala
Sentimento de inutilidade ou culpa
Dificuldade para pensar, concentrar-se ou tomar decisões; problemas de memória
Pensamentos relacionados a morte ou suicídio
Para que a depressão seja caracterizada, o primeiro e o segundo sintomas devem sempre estar presentes.