
Ambulâncias e pessoal médico
transferem um homem que estava no cruzeiro World Dream do terminal Kai
Tak de Hong Kong, em 5 fevereiro de 2020 - AFP
As autoridades de Wuhan, epicentro da epidemia, anunciaram 2.987 novos casos, elevando a mais de 27.000 os infectados com o vírus.
Após a quarentena em toda a cidade de Wuhan e na província de Hubei (centro), que afeta 56 milhões de pessoas, um número crescente de cidades do leste da China impõem restrições aos deslocamentos a outras dezenas de milhões de pessoas.
Em Wuhan, as autoridades admitiram uma falta “severa” de leitos, “equipamento e material” e que os médicos estão sobrecarregados.
A fundação Bill e Melinda Gates se comprometeu nesta quarta-feira a investir 100 milhões de dólares na luta contra o novo coronavírus, dos quais US$ 60 milhões serão consagrados à busca de uma vacina, tratamentos e utensílios de diagnóstico.
– Aumenta o balanço de vítimas –
Ao menos 560 pessoas morreram pelo vírus 2019-nCoV na China continental (sem contar Hong Kong e Macau), a maioria em Hubei, segundo o mais recente balanço oficial.
Cerca de 200 casos foram confirmados fora da China continental em cerca de 20 países e territórios autônomos chineses, entre eles Hong Kong, que registrou seu primeiro morto nesta terça-feira.
Nos Estados Unidos foi identificado um novo caso no estado do Wisconsin em um adulto que havia estado em Pequim.
No Japão, 3.700 pessoas de dezenas de nacionalidades estão em quarentena por 14 dias em um navio de cruzeiro após se descobrir que dez pessoas tiveram resultado positivo para exames de detecção do vírus. E em Hong Kong, os 1.800 passageiros de outros cruzeiros estavam retidos.
Autoridades de Hong Kong fecharam na prática todas as passagens fronteiriças com o resto do país e imporão a partir de sábado uma quarentena de duas semanas a todos os visitantes provenientes da China.
– Ruas desertas –
Na China, onde as medidas de confinamento se intensificam, várias cidades da província de Zhejiang (leste), a centenas de quilômetros de Wuhan, decretaram novas restrições a deslocamentos.
“Por favor, não saiam! Não saiam! Não saiam!”, repetia um alto-falante em Hangzhou, exortando o uso de máscaras, lavar as mãos regularmente e reportar qualquer caso em Hubei, ante o temor de que infecte outras pessoas.
“Devemos adotar medidas drásticas para combater e eliminar todo tipo de ação perturbadora realizada por forças hostis”, informou nesta quarta o ministério de Segurança Pública.
Diante das fortes críticas por sua gestão da crise, o governo reconheceu “erros”.
Wuhan, cujo sistema de saúde está sobrecarregado, recebeu na terça-feira os primeiros doentes em um novo hospital construído em dez dias e que conta com mil leitos.
Outro hospital deste tipo abrirá as portas em breve, enquanto outros oito edifícios eram adaptados para receber os doentes.
– Airbus paralisada –
Paralisada pelas restrições e praticamente isolada do mundo, a economia chinesa poderia sofrer as consequências durante muito tempo. As férias por ocasião do Ano Novo se estenderam até o próximo fim de semana em várias províncias e as fábricas ficarão fechadas até pelo menos 9 de fevereiro.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, assegurou nesta quarta que a propagação do novo coronavírus chinês adiciona uma “nova dose de incerteza” ao crescimento econômico.
A fabricante europeia de aviões, Airbus, anunciou nesta quarta-feira que sua cadeia de montagem do A320 em Tianjin, perto de Pequim, continuará fechada por tempo indeterminado.
Diante do avanço da epidemia, os organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que serão realizados entre 24 de julho e 9 de agosto, disseram estar “extremadamente preocupados”.
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